Em coletiva de imprensa, prefeito Eduardo Paes defende o vereador Salvino OliveiraCarlos Elias / Agência O Dia
"Estou, até agora, aguardando as provas em relação ao vereador Salvino. Eu estou defendendo aqui nesse momento e eu vou defender até que me provem o contrário. Não passo a mão na cabeça de vagabundo", disse ele, que lembrou do caso do ex-secretário municipal de Obras Alexandre Pinto, condenado por fraudes na construção do BRT Transcarioca.
"Ao longo de 14 anos como prefeito, já vi alguns casos, graças a Deus foram poucos, aqui na Prefeitura do Rio, de que foi pego com a mão na botija. Eu vou lembrar aqui do mais notório: o senhor Alexandre Pinto. Eu disse: 'lamento, peço desculpas, eu que escolhi ele como secretário'. E estava muito claro que ele estava praticando desvios. A dúvida que ficou e o tempo provou é que eu não tinha nenhum envolvimento com aqueles desvios dele. Mas eu escolhi o secretário de obras que roubou dos cofres públicos", seguiu.
Paes assumiu, ainda, ser próximo de Salvino e falou sobre a época em que conheceu o jovem, morador da Cidade de Deus. "O Salvino é próximo a mim, sim. Ele é uma aposta que eu fiz. Um jovem de uma favela, de uma comunidade do Rio de Janeiro, Cidade de Deus, que é uma parte expressiva da cidade. Quando eu o conheci, ele fazia estágio na Defensoria Pública e estudava na UFRJ. Mesmo assim, dedicava uma parte da sua noite para me ajudar na minha campanha", contou.
O prefeito também revelou que ficará "de coração partido" caso os crimes atribuídos a Salvino sejam provados. "Para mim, seria uma surpresa. Se tiver alguma prova contra o vereador Salvino, eu vou ficar com o coração partido. Porque é um jovem que eu vi formando, que estimulei, nomeei secretário, ajudei a ser eleito vereador… Se tiver alguma coisa contra ele, eu não me omito", afirmou.
Salvino Oliveira foi preso no âmbito da operação Contenção Red Legacy, que investiga a estrutura do Comando Vermelho, assim como seis policiais militares. De acordo com o apurado, Salvino, que foi secretário de Juventude do governo Eduardo Paes entre 2021 e 2024, teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma autorização para realizar campanha eleitoral na Gardênia Azul, Zona Sudoeste, área dominada pelo CV.
Sobre o assunto, Paes disse que acompanhou a ação de perto e afirmou que Salvino nunca solicitou qualquer quiosque no local. "Como essa questão dos quiosques foi muito polêmica, me trouxe até outros problemas, eu acompanhei muito de perto, e o Salvino nunca me pediu um quiosque que fosse ali. Seria normal um vereador pedir um quiosque, um banco, uma praça… É o papel do vereador. Dois vereadores brigavam publicamente, inclusive na minha frente, pela questão política dali", relatou.
Em seguida, o prefeito criticou a atuação da Polícia Civil e apontou incoerências nas provas apresentadas. "Botam duas mensagens juntas, de tempos e momentos diferentes, sem nenhum tipo de argumentação, sem absolutamente nenhuma prova, sem nada. E alegam, para prender esse jovem vereador, que ele se auto intitulava cria da Cidade de Deus. Salvino não escolheu nascer na Cidade de Deus. Ele não escolheu nascer num território dominado pelo Comando Vermelho, é o contrário".
"E, se depender de mim, se Deus quiser, a justiça vai ser feita e muito em breve ele vai ser solto, e vai continuar lutando muito como cria da Cidade de Deus, por aquela comunidade, por aquela gente mais pobre. É inaceitável esse circo que nós vimos ontem, inaceitável. É um monte de lação, um monte de acusação infundada, enxertadas", afirmou.

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