Salvino Oliveira explica que dinheiro apontado pela Polícia Civil veio de prêmio ligado à ONUReprodução / Instagram

Rio - O vereador Salvino Oliveira, que chegou a ser preso por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho, na semana passada, usou as redes sociais, nesta segunda-feira (16), para explicar de onde vem os mais de R$ 100 mil apontados pela Polícia Civil como pagamentos suspeitos a uma empresa de informática de uma área controlada pela facção.
Em vídeo, o vereador esclareceu que o dinheiro, na verdade, é fruto de uma premiação que ele recebeu da ONU, de jovem ativista global, por sua atuação em favelas e periferias do Rio. O prêmio citado por Salvino se trata do Young Activists Summit (YAS).
“Eu só fui selecionado justamente pelo trabalho que eu desenvolvi, mudando a vida de jovens de favelas e periferias do Rio de Janeiro através da tecnologia. Eu fui o único selecionado de todo o continente americano. É uma coisa que eu me orgulho muito e jamais imaginei que poderia ter sido usado contra mim como motivo de envolvimento com o tráfico de drogas”, disse.
Além de explicar a origem do dinheiro, Salvino afirmou ainda que já não tem, há muito tempo, qualquer envolvimento com um assessor apontado pela Civil como sócio-diretor de uma pessoa jurídica cujo sócio presidente é filho do traficante Elias Maluco, falecido líder do Comando Vermelho e responsável pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.
“Em relação ao ex-assessor, ele já foi exonerado há muito tempo e eu não tive e nem tenho qualquer relação com movimentações financeiras, fintechs ou qualquer dinheiro lícito ou ilícito que tenha partido das contas desse ex-assessor. Esse ex-assessor sequer é citado no processo. Então, se a polícia quer saber o que ele fez, movimentou ou deixou de movimentar, é importante que o investigue. É importante que o procure para saber qual é a relação dele com esse dinheiro. Porque eu não tenho nada a ver com essa história”, afirmou.
De acordo com o vereador, em sua casa não foi achado nenhum elemento que prove seu envolvimento com a facção criminosa. “Nem nos momentos mais difíceis da minha vida, eu pensei em me envolver com coisa errada. Essa semana, a minha vida virou de cabeça para baixo. Invadiram a minha casa, divulgaram imagens que não são verdadeiras, não encontraram absolutamente nada na minha casa. Não encontraram dinheiro, jóias, blusa ou qualquer coisa do tipo, porque eu não tenho a menor ligação com o Comando Vermelho. Mas ainda assim, eu passei três dias presos”, contou.
Salvino finalizou a publicação mais uma vez criticando a postura que foi adotada com ele e relembrou o caso de Marielle Franco, que foi assassinada em 2018. “Parece que toda vez que surge uma liderança de favela e periferia, essa banda podre da política decide de alguma maneira silenciar. Lá atrás fizeram isso com a Marielle e agora tentam de todo modo acabar com a minha reputação. Mas eu queria dizer que eu vou continuar lutando pelas favelas e periferias, continuar lutando pelo aquilo que eu acredito. Eu tenho muito orgulho de dizer que eu construo políticas públicas para as favelas. Eu tenho muito orgulho de dizer de onde eu venho e eu vou continuar lutando para levar dignidade para as favelas e para que o pobre não seja mais criminalizado”, afirmou.
Relembre o caso
Salvino Oliveira foi preso, na última quarta-feira (11), em uma operação da Polícia Civil contra o Comando Vermelho. De acordo com as investigações, o parlamentar teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma autorização para realizar campanha eleitoral na Gardênia Azul, Zona Sudoeste, e em troca, o vereador teria intermediado a exploração de quiosques na comunidade.
No início da tarde de sexta-feira (13), a Polícia Civil soltou uma nova nota em que ligava Salvino a uma empresa de informática sediada no Complexo da Maré, na Zona Norte. Segundo a corporação, o parlamentar teria recebido mais de R$ 100 mil, durante um período de quatro meses, em transações atípicas e/ou suspeitas no segundo semestre de 2024.
Algumas horas depois, a Justiça do Rio revogou a prisão temporária depois que a defesa de Salvino Oliveira entrou com um pedido de Habeas Corpus. Na decisão do desembargador Marcus Henrique Basílio, do TJRJ, o magistrado afirmou que não havia elementos que justificassem a necessidade da prisão do vereador para o curso da investigação. O parlamentar deixou o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte, no mesmo dia.