Emanoelle e Francisco foram atropelados por um ônibus enquanto estavam em uma bicicleta elétricaReprodução/Instagram / Reprodução/Gabriel

Rio - Emanoelle Farias e o filho, Francisco Farias Antunes, mortos em uma acidente entre bicicleta elétrica e um ônibus, na Tijuca, Zona Norte, serão homenageados em manifestação marcada para esta sexta-feira (10), na Praça Saens Peña. Durante o ato, será instalada uma "bicicleta fantasma" próximo ao local do atropelamento.

Ao DIA, o humorista e roteirista Vinicius Cacofonias, pai de Francisco, contou que se sentiu acolhido quando soube da manifestação e da homenagem. Nas redes sociais, ele compartilhou o informativo sobre o ato e convocou seus seguidores.
“Eu recebi a notícia do movimento pela internet. Quando soube, os sentimentos que me atravessaram foram de acolhimento e pertencimento, porque vi que muita gente estava pensando na minha dor e no meu luto, e vi também que faço parte de um grupo de pessoas que perderam entes queridos no trânsito”, afirmou.

Durante a manifestação, será instalada uma "bicicleta fantasma", que é pintada inteiramente de branco e homenageia ciclistas vítimas de acidentes de trânsito, em um poste. Para Vinicius, o objeto é um lembrete da luta por respeito no trânsito.

“É uma ressignificação do lugar. A instalação da 'bicicleta fantasma' visa transformar o luto em luta. Mas luta pelo quê? Por mais respeito no trânsito, por mais cuidado com os mais fracos (pedestres, ciclistas...). É um lugar de memória e de protesto porque o Rio de Janeiro precisa mudar e ser uma cidade mais inclusiva”, disse.

Embora seja humorista, a vida de Vinicius perdeu um pouco de cor com a morte do filho. Segundo ele, o carinho que tem recebido das pessoas é o que motiva seus dias.

“Os dias têm sido péssimos. Tenho sobrevivido apenas e graças ao carinho que tenho recebido de pessoas próximas como minha mulher, da família dela, da minha família, da mãe da Emanoelle e de pessoas que eu nem sequer sei o nome, mas mandam mensagens acolhedoras. Isso tem me dado força e não tem me deixado ficar sozinho”, desabafou.

A manifestação, com concentração marcada para às 17h, na Praça Saens Peña, é organizada pelo movimento de ciclistas Massa Crítica, funciona em várias cidades ao redor do mundo. No Rio, os ciclistas pedalam todos os meses fazendo protestos de rua, pedindo por seus direitos.

Segundo Rosa Maria Mattos, ciclista e integrante da Massa Crítica RJ, a instalação da "bicicleta fantasma" é uma forma de chamar a atenção para a vida dos ciclistas e de promover uma reflexão sobre o crescente números de acidentes de trânsito com os adeptos a este meio de transporte.

“Isso é uma forma de luto, de marcar a cidade, de chamar atenção para a vida dos ciclistas, para a fragilidade dos ciclistas. No trânsito, somos prioridade, de acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, que prevê que os veículos maiores protegem os menores. Mas, no cotidiano da cidade, não é isso que acontece. Infelizmente, a morte de ciclistas por motoristas de ônibus é muito frequente”, afirmou.

Durante o ato, serão distribuídos materiais informativos. Além dos ciclistas, a manifestação deve contar também com a participação de artistas pernaltas, pessoas envolvidas com blocos de Carnaval – que Emanoelle fazia parte –, e de familiares e alunos do Colégio Pedro II – onde Francisco estudava.

“Apesar de ter sido um caso específico, essa tragédia terrível que tirou a vida da Emmanuelle e do Chico é uma realidade muito cotidiana para nós, ciclistas que levamos nossos filhos e filhas na garupa. É um medo persistente entre nós. E a gente espera responsabilização do Estado, porque tem coisas que o Estado precisa fazer, como garantir a estrutura cicloviária, por exemplo, para que os ciclistas pedalem com mais segurança”, enfatizou Rosa.