Marcia Gama e Oruam são alvos da operaçãoReprodução/Instagram

Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça o traficante Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, a mulher dele, Marcia Gama Nepomuceno, o filho dele, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, e outras nove pessoas pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira (1º) e é resultado de uma investigação que aponta a existência de um esquema estruturado para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas em comunidades do Rio.
De acordo com o MPRJ, o grupo operava um sistema de “branqueamento” de dinheiro com divisão de funções. Mesmo preso há mais de 20 anos, Marcinho VP é apontado como líder do esquema, mantendo influência sobre a facção Comando Vermelho e coordenando decisões estratégicas e financeiras.
De acordo com a denúncia, a gestora financeira do grupo é Marcia Nepomuceno. As investigações apontam que ela recebia regularmente dinheiro em espécie de outros traficantes do Comando Vermelho, entre eles Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, vulgo Pezão. Para ocultar o patrimônio, ainda segundo o MP, Marcia adquiriu e administrava estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas.
A promotoria ressalta que Oruam era beneficiário direto, uma vez que recebia dinheiro ilícito e se utilizava da carreira musical para dissimular o dinheiro obtido nas atividades criminosas da organização. Segundo a ação penal, ele arcou com despesas pessoais, viagens, festas e investimentos com recursos repassados por Doca e Pezão.
Em suma, a denúncia estruturou a organização criminosa em quatro núcleos: o de liderança encarcerada (Marcinho VP), que exerce controle direto sobre a movimentação de recursos e decisões estratégicas; o núcleo familiar (Marcia, Oruam e Lucas Nepomuceno), responsável por intermediar a execução das ordens e a gestão de ativos; o núcleo de suporte operacional (Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, vulgo Magrão, e Jeferson Lima Assis), que presta suporte à lavagem de dinheiro e atua como “testa de ferro” para a dissimulação patrimonial; e o núcleo de liderança operacional (Doca, Abelha, Pezão, Eduardo Fernandes de Oliveira, vulgo 2D, e Ederson José Gonçalves Leite, o Sam), atuante nas comunidades na execução das práticas criminosas, entre elas o tráfico de drogas, sendo seus integrantes responsáveis por receber valores dessas atividades e repassar parte deles ao núcleo familiar.
As investigações indicam que o grupo movimentava grandes quantias em dinheiro e utilizava diferentes estratégias para dificultar o rastreamento dos valores, incluindo a utilização de terceiros e a aquisição de bens de alto valor. O caso agora será analisado pela Justiça, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e eventual abertura de ação penal contra os acusados.