Desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho está desaparecidoDivulgação/TRF2

Rio - "Angústia sem fim." É assim que a família do desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho, de 63 anos, define os últimos 27 dias sem respostas sobre o paradeiro do magistrado. Ele está desaparecido desde 14 de abril, quando saiu de casa vestindo calça e casaco pretos e pegou um táxi em direção à Vista Chinesa, na Zona Sul do Rio. O caso é investigado pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e corre sob sigilo. No momento, nenhuma hipótese foi descartada.

Antes de desaparecer, Alcides sacou uma quantia em dinheiro. Ao DIA, o sobrinho mais velho do desembargador, Rodrigo Bastos, de 48 anos, afirmou que a família já não sabe mais onde procurá-lo e que, com o passar dos dias, fica cada vez mais difícil manter a esperança de encontrá-lo com vida.

Equipes do Corpo de Bombeiros, com o auxílio de cães farejadores, chegaram a realizar buscas na Vista Chinesa, mas nenhuma pista foi encontrada no local. Familiares afirmam que tanto os bombeiros quanto a Polícia Civil do Rio de Janeiro têm se empenhado intensamente nas buscas e nas investigações nos últimos dias.
Alcides morava sozinho e, dias antes de desaparecer, recebeu a visita de um amigo que vive nos Estados Unidos. Durante o encontro, aproveitou momentos de lazer, entre eles assistir a um jogo do Flamengo. Segundo o sobrinho, o desembargador aparentava estar bem.

"Todos nós estamos sem saber o que fazer para encontrá-lo. Não sabemos mais onde procurá-lo. A cada dia que passa, a esperança de encontrá-lo vivo diminui um pouco, mas não perdemos a fé. Em todos os lugares que você possa imaginar, nós já fomos. Então, é possível mensurar o sofrimento de todos nós", desabafou.

Rodrigo acrescentou que a família vive uma "angústia sem fim" diante da ausência de notícias sobre o paradeiro do tio. 
O sobrinho também destacou a trajetória profissional e pessoal do magistrado. Segundo ele, Alcides dedicou a vida à Justiça e cultivava grande orgulho de sua passagem pela Marinha do Brasil, onde serviu antes de ingressar na carreira jurídica.

"É um homem muito bom e honesto, o exemplo da família. Sou uma das poucas pessoas que acompanharam toda a sua trajetória, construída com muito foco e dedicação ao longo dos anos. Basta pesquisar o currículo dele para ver uma carreira simplesmente impecável", afirmou.

Na próxima quarta-feira (13), quando o desaparecimento completará 30 dias, familiares e amigos participarão de uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca, Zona Norte do Rio, às 17h.

Antes de desaparecer, o desembargador havia sido afastado de suas funções em maio do ano passado pelo Conselho Nacional de Justiça, após uma denúncia de agressão contra a mulher em um apartamento em Ipanema, na Zona Sul da cidade.