Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, ex-vereador do Rio de JaneiroTomaz Silva/Agência Brasil
Pai de Jairinho tenta descredibilizar mulheres que fizeram acusações contra o filho
Coronel Jairo contestou relatos perante o júri; atual companheira afirmou que o 'único defeito' do réu é a infidelidade
O sétimo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, teve, neste domingo (31), a tentativa da defesa do ex-vereador de rebater depoimentos prestados ao longo da semana por mulheres que relataram episódios de agressão atribuídos ao réu.
Primeira testemunha de defesa de Jairinho a ser ouvida no júri, Jairo Souza Santos, conhecido como coronel Jairo, pai do réu, criticou diretamente os relatos apresentados por ex-companheiras do filho e familiares que depuseram nos últimos dias. Durante o interrogatório no 2º Tribunal do Júri, no Centro do Rio, ele disse que as acusações são “versões claramente induzidas” e negou que Jairinho tenha tido comportamento violento.
Ao comentar um dos relatos apresentados no julgamento, o coronel afirmou que as versões não seriam compatíveis com a gravidade descrita pelas testemunhas. Ele também reforçou que, durante a convivência da família, via o filho demonstrando carinho por Henry, brincando e convivendo normalmente com o menino.
O pai do ex-vereador ainda relembrou a madrugada de 8 de março de 2021, quando Henry deu entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca. Segundo ele, ao chegar à unidade encontrou Monique em estado de choque e familiares aflitos. Disse ainda que segurou a mão do menino e fez uma oração pedindo que ele resistisse.
Na sequência, a defesa apresentou Fernanda Abidur Figueiredo, atual companheira de Jairinho e mãe de um dos filhos do ex-vereador. Em depoimento, ela afirmou que conhece Jairinho desde a infância e declarou que o “único defeito” dele sempre foi a infidelidade.
Fernanda contou que os dois mantiveram um relacionamento por cerca de dez anos, se afastaram após episódios de traição e voltaram a se aproximar depois da prisão de Jairinho. Ao longo do depoimento, negou ter presenciado qualquer atitude agressiva do ex-vereador e afirmou que ele sempre a tratou com respeito. A testemunha também disse acreditar que Jairinho sofre uma injustiça e relatou que os pais dela rezam diariamente pela absolvição do réu. Ao fim da audiência, ela abraçou e beijou o ex-vereador.
Mais cedo, também prestou depoimento a babá Thayná de Oliveira Ferreira, que trabalhava na casa de Monique Medeiros à época da morte de Henry. À juíza, ela afirmou que foi orientada a mentir após a morte da criança e pressionada a sustentar uma versão favorável aos acusados.
Segundo Thayná, depois da morte do menino, ela recebeu instruções para apagar mensagens do celular e evitar qualquer comentário que pudesse comprometer a imagem do casal. A babá também afirmou que foi levada com outra funcionária a um escritório de advocacia, onde recebeu orientações sobre como deveria se posicionar diante da imprensa e das autoridades.
Thayná ainda relatou situações que, segundo ela, chamaram atenção antes da morte de Henry. Entre os episódios narrados, disse que presenciou momentos em que Jairinho ficava sozinho com o menino dentro do quarto do casal e que, em uma das ocasiões, Henry saiu mancando e reclamando de dores.
O julgamento entrou neste domingo no sétimo dia consecutivo e já se tornou o mais longo realizado no Estado do Rio de Janeiro desde a mudança nas regras do Tribunal do Júri, em 2008.
As testemunhas Rosângela Medeiros, mãe de Monique, Ana Paula Medeiros, irmã de Monique e Glauciene Ribeiro Dantas foram dispensadas e não prestaram depoimento
O julgamento entrou neste domingo no sétimo dia consecutivo e já é o mais longo realizado no Estado do Rio de Janeiro desde a reforma do Código de Processo Penal, em 2008.
Relembre o caso
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, com múltiplas lesões pelo corpo e em parada cardiorrespiratória.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio, a criança foi vítima de agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o então padrasto, Jairinho, na Zona Oeste do Rio.
Os dois respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. Ambos negam as acusações.
O júri continua nesta segunda-feira a partir das 10h.

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