Integrantes da Liga Católica do Rio participaram da montagem dos tapetesReginaldo Pimenta/ Agência O Dia
"Corpus Christi é um feriado muito importante porque, em toda missa, fazemos a recordação da Ceia do Senhor. E não é só uma recordação. É realmente o Corpo de Cristo. Muitas vezes a gente participa e não percebe que é um milagre. Corpus Christi é justamente para a gente entender que é o extraordinário, que não é uma coisa comum", explicou.
Trabalho começou semanas antes da celebração
Um dos tapetes que mais chamou a atenção dos visitantes foi o confeccionado pela igreja de Catarina. Responsável pela criação do projeto, Salvador Mantuano, de 47 anos, ressaltou que a preparação começou semanas antes da celebração.
"Estamos há duas semanas colando papel para fazer esse trabalho diferente com celofane, dando uma impressão de vitral. Também colocamos o desenho da nossa paróquia na parte inferior do tapete", contou.
Segundo ele, a equipe chegou ao local às 4h30 para iniciar a montagem: "É fantástico ver o resultado. Estamos fazendo isso para a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para Ele, sempre o melhor que a gente puder fazer".
"É gratificante trabalhar para Jesus, é uma coisa maravilhosa. É transformar a nossa fé em obras, em serviço, e mostrar para Ele o nosso grande amor. Ele vai passar por um trabalho que a gente faz com tanto amor e carinho", afirmou.
Segundo ela, o grupo chegou ao local às 4h20 e enfrentou a garoa e o frio para concluir a montagem: "O tema deste ano são os 100 anos da Adoração Eucarística. Tivemos a ideia de juntar Nossa Senhora e Jesus na mesma imagem, representando esse grande amor entre mãe e filho. No ano passado recebemos oficialmente o título de Santuário, então esse tapete tem um significado ainda mais especial para nós".
Ao observar o resultado quase concluído, Maria Clara resumiu o sentimento compartilhado pelos voluntários: "É maravilhoso. É uma sensação de dever cumprido. Para Deus, tudo que é bom. O mais próximo da perfeição é o que Ele merece", declarou.
Fé supera frio e previsão de chuva no feriado
Por causa da chuva durante a madrugada, os participantes chegaram a discutir a possibilidade de realizar a montagem dos tapetes dentro da Catedral Metropolitana. Após uma votação entre representantes das paróquias e membros da Igreja, a maioria optou por manter a tradição ao ar livre, já que o tempo apresentou melhora nas primeiras horas da manhã.
Com temperatura máxima prevista de 23°C e mínima de 16°C nesta quinta-feira, além da possibilidade de chuva ao longo do dia, os fiéis precisaram enfrentar o frio e a instabilidade do tempo para manter viva a tradição de Corpus Christi no Centro do Rio.
Entre os participantes também estava Ana Ribeiro, de 52 anos, representante da Liga Católica do Rio de Janeiro e integrante da Paróquia Nossa Senhora do Divino Amor, em Irajá, também na Zona Norte: "Isso representa o Corpo de Cristo consagrado. Demonstra todo o amor que a gente sente nesse momento".
Ana contou que seu grupo também chegou ao Centro por volta das 4h e acompanhou as discussões sobre a possibilidade de transferir a montagem para dentro da Catedral: "Estava chovendo e a gente pensou que não seria aqui fora. Houve uma votação para decidir, mas, como o tempo melhorou, foi mantida a montagem na avenida. Mesmo com frio e chuva, está todo mundo aqui pela fé".
Já Neti Lopes, de 66 anos, da Paróquia Rosário de Fátima, na Taquara, na Zona Sudoeste, participa da tradição há 17 anos e reforçou o simbolismo da celebração: "Isso aqui representa a nossa fé total. É o sacramento da Eucaristia. Mesmo debaixo de chuva, mesmo com frio, está todo mundo aqui pela fé", afirmou.
Cavaliere acrescentou também que a confecção fortalece os laços entre os fiéis: “Quem se reúne aqui são justamente as famílias, as pessoas que se juntam na sua própria paróquia para organizar uma confecção de tapetes e vir aqui para a porta da Catedral, se juntando, fazendo isso em conjunto, para tornar essa festa ainda mais bonita, ainda mais importante, histórica, tradicional da nossa cidade e do nosso país”, afirmou.
Para o reitor do Seminário Propedêutico Rainha dos Apóstolos, Padre André Luiz Oliveira dos Santos, o Corpus Christi é uma oportunidade de reafirmar a presença de Cristo na vida dos fiéis: "Estar aqui hoje significa relembrar ao mundo que Jesus permanece conosco. É uma manifestação pública de fé e amor à Eucaristia".
O sacerdote destacou ainda que a grande participação popular transmite uma mensagem de esperança: "Ver tantas pessoas reunidas aqui significa dizer aos homens do nosso tempo que a esperança existe, e a esperança é Cristo".
Padre André contou que o grupo do seminário chegou ao Centro por volta das 5h15, ainda sob os últimos momentos da chuva. Segundo ele, o tapete confeccionado pelos seminaristas foi inspirado em Jesus Bom Pastor e no chamado vocacional ao sacerdócio.
Além dos voluntários, dezenas de fiéis estiveram no local para prestigiar a montagem dos tapetes. O casal de turistas de Santa Catarina, no Sul do Brasil, César Rafael, 49 anos, Andressa Silva, 41, por exemplo, esteve presente e comentou sobre a diferença entre as culturas e elogiaram a tradição.
"A gente tem sempre o costume de acompanhar a procissão de Corpus Christi e é bem legal porque a gente está vendo uma cultura diferente, lá a gente faz com serragem e outros materiais, e aqui faz com sal. Estamos achando muito bonito, é muito gratificante acompanhar isso aqui. A data de hoje significa para a gente muito amor, muita paz”, afirmou César.
Também no local, a moradora de Laranjeiras, na Zona Sul, a arquiteta Lúcia Viana, 53 anos, destacou a importância da fé.
"É muito bonito ver a coletividade em prol da fé. Hoje é um dia importante e eu acho que a fé precisa ser professada, porque, talvez, seja para religião o sentimento mais importante e que modifica tudo. Quem tem fé consegue tudo, e eu não estou falando de coisa material, estou falando de paz, de tranquilidade no coração. A fé, ela traz isso", afirmou.
As amigas Rebeca de Jesus, 27 anos, e Ludimila Melo, 36, trabalhavam próximo à Catedral e decidiram passar para conferir os tapetes. "É lindo o trabalho que eles têm, a dedicação. A devoção de fazer esse trabalho e está tudo muito bonito", disse Rebeca.
Quem também participou foi a moradora de Bangu, da Baixada Fluminense, Érica Oliveira, 43 anos, que levou os filhos adolescentes pela primeira vez para apreciar os desenhos.
"Está maravilhoso, muito lindo. Eu vim por causa dos meus filhos, eles se crismaram esse ano e eu vim para mostrar eles", relatou.
A filha dela, Maria Eduarda Oliveira, 17 anos, teceu elogios a exposição. "Estou achando maravilhoso, é minha primeira vez vendo o tapete de sal e eu estou amando a experiência, é perfeito vir aqui ver isso", afirmou.
Moradora de Vicente de Carvalho, na Zona Norte, a secretária Marta Alonso saiu de casa mesmo em meio ao frio para apreciar os tapetes.
São Gonçalo recebe maior Corpus Christi da América Latina
Promovido pela Arquidiocese de Niterói, por meio dos vicariatos de Alcântara e São Gonçalo, em parceria com a Prefeitura de São Gonçalo, o evento deste ano terá como tema "São Francisco, modelo de amor eucarístico", em sintonia com o Ano Jubilar Franciscano, que marca os 800 anos da morte de São Francisco de Assis. O lema escolhido para a celebração é "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14).
A programação começou às 7h, com a confecção dos tradicionais tapetes de sal. Ao todo, foram montados 236 tapetes ao longo da Avenida Dr. Feliciano Sodré e da Rua Dr. Nilo Peçanha, transformando as principais vias do Centro em um grande corredor de fé e arte religiosa.
Ao longo do dia, os fiéis poderão participar de momentos de oração e apresentações musicais. A partir das 12h, haverá louvor com o Ministério Dom e Raiz. Já às 15h, será realizado o Terço da Misericórdia, conduzido pelo Ministério Louva Deus.
O ponto alto da celebração acontecerá às 16h, com a Santa Missa presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Niterói, Dom Geraldo de Paula. Após a celebração, os fiéis seguirão em procissão sobre os tapetes confeccionados ao longo do dia.
Além das atividades religiosas, a programação inclui a exposição gratuita "Corpus Christi – Celebração de Fé, História e Arte", na Casa das Artes. A mostra apresenta aspectos históricos, culturais e religiosos da festividade e ficará aberta para visitação até 4 de julho, oferecendo aos moradores e visitantes a oportunidade de conhecer mais sobre uma das mais importantes tradições católicas do país.
A celebração de Corpus Christi também ganhou um significado especial no Santuário Cristo Redentor. Neste ano, o tradicional tapete que ornamenta o local foi confeccionado com mais de 300 quilos de retalhos de tecidos reaproveitados, transformando resíduos em uma grande obra de arte, fé e inclusão social.
Com mais de 30 metros de extensão, o tapete foi produzido ao longo de cerca de dois meses em 25 oficinas colaborativas promovidas pelo Consórcio Cristo Sustentável. A iniciativa reuniu mulheres em situação de vulnerabilidade social atendidas por projetos sociais da instituição em diferentes regiões do Rio e da Região Metropolitana, como Rocinha, Cidade de Deus, Madureira, Irajá, Santa Teresa, Rio das Pedras, Nova Iguaçu, Seropédica e São Gonçalo.
A montagem da obra começou às 3h da manhã desta quinta-feira (4), antecedendo a Adoração e a Bênção do Santíssimo Sacramento, celebrada às 6h30 pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta.
Inspirado nos princípios da economia circular e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o projeto busca unir espiritualidade, preservação ambiental e transformação social. Segundo os organizadores, a iniciativa é considerada pioneira por utilizar integralmente a técnica do patchwork, arte de unir retalhos de tecidos para formar grandes composições, na confecção de um tapete de Corpus Christi.
Além de simbolizar a fé católica, o trabalho promove acolhimento, pertencimento e geração de renda para as participantes das oficinas. Após as celebrações, o tapete será preservado e levado para exposições em locais que ainda serão divulgados.
A ação dá continuidade às iniciativas sustentáveis realizadas pelo Santuário nos últimos anos. Em 2024, o tapete foi confeccionado com materiais como borra de café, serragem e cascas de ovos. Já em 2025, cerca de 460 quilos de tampinhas plásticas foram transformados em uma obra que, posteriormente, deu origem a mobiliário produzido com madeira plástica reciclada.
Promovida pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, por meio do Vicariato Episcopal para a Cultura, em parceria com a Prefeitura do Rio, a encenação utilizará música, teatro e elementos da religiosidade popular para refletir sobre a fé cristã.
"O Auto de Corpus Christi é uma oportunidade de traduzir, por meio da cultura e da arte, o profundo significado desta solenidade", afirmou o arcebispo do Rio, cardeal Orani João Tempesta.
Além do espetáculo, a programação inclui missa campal e procissão, reunindo milhares de fiéis em uma das mais tradicionais manifestações religiosas da cidade.












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