Em entrevista ao DIA, Augusto Caldeira contou que, desde a compra do item, em 2009, em uma residência na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, a tromba era exposta regularmente em leilões e lojas físicas, sempre à vista do público e de especialistas, sem que houvesse qualquer questionamento ou impedimento.
"Gostaria de esclarecer e apresentar o histórico real da peça para que não restem dúvidas sobre sua procedência e trajetória. Este item foi adquirido por mim em 2009, em uma residência na Praia da Cocota, como parte de um lote maior que incluía mesas, bancos e cadeiras. O histórico de origem da peça indica que ela está no Brasil desde 1940", afirmou.
Augusto também disse ter se surpreendido com a repercussão do caso tantos anos depois. "Causa-nos surpresa que somente agora, com a visibilidade proporcionada pela internet e pelas redes sociais, essa situação tenha ganhado repercussão. Nosso histórico com o item sempre foi pautado pela transparência, pela exposição pública de longa data e pela boa-fé", disse o antiquarista. Em tom descontraído, ele completou: "Parece aquela música que diz que um elefante incomoda muita gente".
Falta de documentação motivou apreensão da PF
A ação foi realizada após a corporação receber informações sobre a possível comercialização do objeto, que seria parte de um animal silvestre exótico protegido por normas internacionais de controle e comércio. Durante a fiscalização, os agentes verificaram que não havia documentação capaz de comprovar a origem legal da peça, sua importação regular para o Brasil ou autorização dos órgãos competentes para sua posse e comercialização. Diante dos indícios de irregularidade, o material foi apreendido e encaminhado para perícia.
Segundo a Polícia Federal, os exames técnicos vão confirmar se o objeto é realmente uma tromba de elefante asiático e apontar outras características que possam ajudar na investigação. A corporação também apura os crimes de contrabando e receptação, sem descartar a possibilidade de outros delitos serem identificados ao longo das investigações.
Os policiais também vão tentar esclarecer a origem da peça, como ela entrou no país, quem foram seus proprietários e se existe algum registro oficial relacionado à sua importação ou comercialização.
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