Rosângela Nascimento morreu em março de 2023Arquivo Pessoal

Rio - A Justiça do Rio começa, na tarde desta quarta-feira (17), o júri popular de Elton Hilton Herculano de Lima, acusado de matar asfixiada a namorada Rosângela da Silva Santos do Nascimento, de 41 anos, no Cachambi, na Zona Norte, em março de 2023. O laudo de necrópsia também apontou que a médica do Exército foi intoxicada.
O crime aconteceu em um apartamento na Rua Ferreira de Andrade. Durante as investigações, realizadas pela 23ª DP (Méier), os agentes identificaram elementos que apontaram que o homem asfixiou a vítima e montou um cenário indicando que ela teria se matado.
Em depoimentos, familiares e vizinhos destacaram que Rosângela tinha um relacionamento conflituoso com o acusado, marcado por brigas, ofensas e ameaças. A médica teria manifestado uma vontade de terminar a relação, mas tinha medo por ser ameaçada pelo companheiro.
Inicialmente, Elton alegou que Rosângela havia tentado suicídio. O laudo de necropsia apontou que a vítima morreu por asfixia e intoxicação exógena. Segundo o documento, um exame toxicológico encontrou duas substâncias no corpo que levam à depressão respiratória central, o que explica a intoxicação. O corpo também tinha sinais de asfixia na região cervical, correspondendo a constrição externa no pescoço.
De acordo com o inquérito, o réu teria forjado a morte de Rosângela para se apropriar dos bens da militar. Algumas das ações do homem, como a ida em um cartório para registrar a união estável unilateral pós morte e a requisição de pensão do Exército, levantaram as suspeitas para a família de Rosângela.
Elton está preso desde setembro de 2024. Ele responde pelo crime de feminicídio.
Esperança por justiça
Ao DIA, Roberta Ferreira, cunhada de Rosângela, contou que deseja que o júri reconheça a gravidade do crime e que a sentença honre a memória da médica.
"Aguardamos que o julgamento seja conduzido com todo o rigor que a lei exige. Feminicídio não pode ser minimizado. É um crime bárbaro que ceifou uma vida que tanto valia. A Rosângela não era apenas nossa familiar, era uma capitã médica do Exército brasileiro, uma mulher forte, dedicada e amada. Sua vida merece mais do que palavras. Merece justiça. Que o julgamento mostre que nenhuma vida feminina pode ser tirada sem consequências", destacou.
Rosângela trabalhava no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, na Zona Norte. Ela era capitã médica e fazia pós-graduação para oficiais médicos em Anestesiologia.
A reportagem tenta localizar a defesa de Elton. O espaço está aberto para manifestação.