Terceiro dia da greve dos rodoviários registra longas filas no Terminal GentilezaReginaldo Pimenta/Agência O DIA

Rio – Longas filas, horas de espera e terminais lotados voltaram a marcar a manhã desta quarta-feira (1º) no terceiro dia seguido da greve dos rodoviários no Rio. Em meio aos transtornos, passageiros tentam chegar ao trabalho com apenas 1.650 ônibus circulando nas ruas.


Em relação ao BRT, a Mobi-Rio informou que dos 541 veículos projetados para operar na hora pico (entre 6h e 7h), um total de 502 estavam em circulação. Esse número representa 92% da operação programada. De acordo com a determinação da Justiça, 80% da frota deveria estar em funcionamento.

No Terminal Gentileza, a moradora da Vila do João, Maria das Graças, contou que esperava o coletivo para ir trabalhar no Andaraí, na Zona Norte.

“Eu trabalho em uma lavanderia e costumo chegar 8h lá ou até antes. Mas agora, é todo dia essa luta. Depois dessa greve, a gente está chegando tudo atrasado no serviço. Em vez de pegar cedo, a gente só pega mais ou menos 10h. Ontem cheguei às 10h porque meu patrão foi buscar a gente na fila do ônibus. Na volta, ele não queria trazer, mas resolveu nos deixar lá no Campo de Santana para pegar o VLT. E ele disse que temos que ir, não importa se vamos chegar 10h ou 11h, então estou aqui”, disse.

Outra passageira, Beatriz Félix, de 26 anos, enfrenta dificuldades desde o Terminal de Deodoro, na Zona Oeste.

"Segunda e terça foram os piores dias desde lá de Deodoro, sem BRT. A gente achou que fosse só a greve dos ônibus daqui, do 606, mas acabou afetando tudo. E o trem está extremamente lotado, VLT também, sem condições. Hoje eu consegui chegar até aqui, até o Terminal Gentileza, mas já estou aqui mais duas horas pra tentar pegar esse 606, que geralmente chega de cinco em cinco minutos", explicou.
Assembleia decidirá rumos da greve
Na terça-feira (30) rodoviários votaram para manter a greve por tempo indeterminado após uma audiência no Tribunal Superior do Trabalho terminar sem acordo.
Nesta quarta-feira (1º), uma nova assembleia foi agendada para às 11h. Logo em seguida, o presidente do sindicato, Sebastião José, vai convocar uma reunião geral da categoria na sede social da entidade, na Estrada do Otaviano, em Rocha Miranda, na Zona Norte, para apresentar a proposta do patronal e assim retomar as atividades e o atendimento aos usuários.
Inicialmente, as reivindicações dos rodoviários não foram aceitas e o Rio Ônibus ofereceu apenas 4,39% de reajuste salarial, afirmando que não haveria contraproposta, citando dificuldades financeiras e a perda de subsídios que impedem um valor maior.
Veja quais são as reivindicações

- Salário de R$ 5 mil para motoristas que dirigem articulados
- Salário de R$ 4 mil para os demais motoristas
- Fim do contrato temporário e contratação pela CLT para os profissionais do BRT
- Tíquete alimentação de R$ 1 mil
- Jornada de trabalho 5x2,
- Manutenção do passe livre para a categoria
- Indenização dos 30 minutos do intervalo almoço
- Plano de saúde e odontológico