Júri do caso Fernando IggnacioBruno Dantas/TJRJ
A sentença foi proferida pelo juiz Thiago Portes após dois dias de julgamento. Pedro Emanuel foi condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão, enquanto Otto Samuel recebeu pena de 31 anos, 5 meses e 6 dias. Os dois cumprirão a pena inicialmente em regime fechado.
Na decisão, o magistrado destacou a violência da ação criminosa e o fato de Pedro Emanuel, então policial militar, ter utilizado conhecimentos técnicos adquiridos na corporação para auxiliar na execução do crime. O juiz também levou em consideração o sofrimento causado à família da vítima, já que a esposa de Fernando Iggnácio presenciou o ataque. Após a leitura da sentença, os advogados dos irmãos informaram que irão recorrer da condenação nas instâncias superiores.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que o homicídio foi resultado de uma ação planejada e executada por pessoas treinadas. A promotora Andréa Fava afirmou aos jurados que o crime contou com a participação de ex-agentes de segurança ligados ao esquema criminoso investigado.
Um dos principais pontos da acusação foi o chamado voo de reconhecimento realizado por Pedro Emanuel três dias antes do assassinato. Segundo o delegado Moyses Santana Gomes, responsável pelas investigações, o réu percorreu de helicóptero o mesmo trajeto que Fernando Iggnácio faria entre Ilha Grande e o Rio de Janeiro pouco antes de ser morto.
O coordenador de voo da Heli-Rio, André Ribeiro Guerra, confirmou em depoimento que Pedro esteve no local dias antes do crime. Já o policial civil Luciano Konig afirmou que análises de dados telefônicos e telemáticos indicaram que os preparativos para a execução vinham sendo realizados meses antes do atentado.
Também prestaram depoimento o zelador Jorge Alexandre Ferreira, o técnico Eduardo Amâncio e a perita Maria Laura Almeida Barbosa. Os jurados ainda acompanharam vídeos com os relatos do piloto Diego Tichetti e da administradora da Heli-Rio, Vanessa Mouzo.
Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, foi morto em 10 de novembro de 2020 logo após desembarcar de um helicóptero em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes. De acordo com as investigações, os atiradores ficaram escondidos em uma área de mata próxima ao estacionamento e efetuaram disparos de fuzil contra a vítima.
Outro acusado pelo crime, o ex-PM Rodrigo Silva das Neves, foi condenado em abril deste ano a mais de 32 anos de prisão. Apontado como mandante da execução, o contraventor Rogério Andrade responde ao processo em separado e segue preso em uma unidade federal.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.