Márcio Canella era prefeito de Belford Roxo até abril quando se desincompatibilizou do cargoReprodução/Redes Sociais

Rio – O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) anunciou nesta segunda-feira (3) que não disputará mais uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o político informou sua candidatura a um novo mandato de deputado estadual, cargo exercido por três mandatos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
A mudança de rota eleitoral acontece menos de um mês após o ex-prefeito ter sido preso na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.

Durante a ação, realizada em julho, agentes encontraram um fuzil calibre 5.56 dentro de um veículo utilizado por Canella em um condomínio na Barra da Tijuca.

Sobre a mudança de planos, Canella disse que a decisão surgiu após conversas com aliados e integrantes de seu grupo político. No pronunciamento, ele agradeceu o apoio recebido durante o período em que manteve a pré-candidatura ao Senado e afirmou que pretende continuar atuando em pautas ligadas à Baixada Fluminense.

“É com o coração cheio de responsabilidade e de amor pelo nosso povo, em especial de Belford Roxo e de toda a Baixada Fluminense, que compartilho uma decisão amadurecida com muita reflexão ao lado do nosso grupo político. Sei que milhares de cariocas e fluminenses vinham depositando em mim a confiança para disputar uma vaga ao Senado. A todos que me colocaram na liderança em praticamente todas as pesquisas, deixo o meu agradecimento do fundo do coração. Essa confiança vou carregar para sempre. Mas Belford Roxo e a Baixada não podem esperar. Precisam de parlamentares dispostos a lutar por segurança, saúde e educação. Por isso, disputarei um novo mandato de deputado estadual”, declarou.

Canella também afirmou que a região precisa de representantes comprometidos com áreas como segurança pública, saúde e educação.
Na mesma operação Unha e Carne, no mês de julho, policiais também apreenderam armas, munições e relógios de luxo em um imóvel ligado ao político. As investigações apontam Canella como suposto braço político de um grupo investigado por movimentar cerca de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos anos.

A defesa alegou que o armamento pertencia a um policial militar responsável por sua segurança e negou qualquer participação em atividades ilícitas.

Após passar alguns dias preso, Canella deixou a cadeia por decisão judicial. Inicialmente, ele passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou todas as restrições impostas ao ex-prefeito.

Eleito vereador de Belford Roxo em 2012, Canella conquistou uma cadeira na Alerj em 2014 e permaneceu no Parlamento estadual por três mandatos consecutivos. Em 2024, venceu a disputa pela Prefeitura de Belford Roxo, mas renunciou ao cargo em abril deste ano para viabilizar sua candidatura ao Senado.

Com a desistência, Canella retorna ao cenário eleitoral estadual e aumenta a indefinição em torno das alianças da direita e do campo bolsonarista para a disputa das duas vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro.