Policiais atuaram na região de Água Santa, na Zona Norte do RioReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Os policiais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e na Região dos Lagos. A corporação também solicitou à Justiça o bloqueio de valores e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, a operação integra a Operação Contenção, ofensiva do Governo do Estado voltada ao combate à expansão territorial da facção criminosa Comando Vermelho. A ação conta ainda com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia da Baixada Fluminense (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
As investigações começaram após dirigentes do clube social Marabu, no bairro Encantado, denunciarem que estavam sendo ameaçados para deixar a administração da entidade e entregar o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico, o Jean Carlos do Nascimento Santos, conhecido como Jean do 18. Conforme a apuração, as intimidações teriam partido da liderança da organização criminosa na região. Além da tentativa de assumir a gestão do local, os criminosos exigiam o pagamento mensal de R$ 6 mil para que o clube continuasse funcionando sem sofrer represálias.
Durante as diligências, os agentes identificaram indícios de um esquema semelhante em outro clube recreativo, apontado como principal alvo da operação: o Várzea Country Club. Segundo a investigação, pessoas de confiança da organização passaram a administrar informalmente o estabelecimento, controlando eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com a instituição.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, Amauri Paixão Ferreira, Rayane Ferreira Santos de Souza Paixão e Átila Paixão Ferreira - integrantes de um mesmo núcleo familiar - eram responsáveis pela gestão financeira paralela do clube. Os investigadores apontam que Amauri atuava como principal operador financeiro da organização, enquanto Rayane administrava o espaço de forma paralela. Átila, que exercia funções de gestão, movimentou cerca de R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, embora não possuísse atividade empresarial formal compatível.
As apurações também indicam que Jonathan Paixão Baptista realizou aproximadamente 40 transferências via PIX, que somaram R$ 240 mil, para o seu primo Átila. Segundo a corporação, ele responde a cerca de 20 procedimentos policiais, muitos deles relacionados a roubos de carga. Já Michele Arnoso movimentou aproximadamente R$ 2,2 milhões no período de seis meses, apesar de declarar renda mensal de cerca de R$ 3,2 mil como recepcionista. Ainda conforme a investigação, ela recebeu R$ 253 mil de um dos alvos em seis transferências. Ao todo, sete pessoas são investigadas por participação no esquema, sendo que duas não tiveram identificações divulgadas.
A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) apontou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, além de intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via PIX.
Os policiais também identificaram a ligação do grupo com uma pousada em Armação dos Búzios que, segundo a investigação, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro do tráfico. O estabelecimento, de nome Menino do Rio, possui 16 quartos, cinco funcionários e diárias em torno de R$ 540 durante a alta temporada. Apesar da estrutura considerada de pequeno porte, teria movimentado cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses, além de registrar mais de 600 depósitos em espécie, que totalizaram aproximadamente R$ 955 mil.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que o grupo utilizava pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir valores obtidos com o tráfico de drogas na economia formal. Somadas, as movimentações financeiras identificadas ultrapassam R$ 11 milhões e, de acordo com os investigadores, apresentam características típicas de lavagem de dinheiro.



















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