Rafael Maia Cardoso foi encontrado no Jardim Botânico, na Zona SulReprodução
Suspeito de induzir morte de filha de colecionador de arte é preso
Rafael Cardoso morava no mesmo imóvel de Sabine Boghici, que foi acusada de aplicar golpe milionário e morreu ao cair de prédio, em 2023
Rio - A Polícia Civil prendeu, na tarde desta segunda-feira (3), Rafael Maia Cardoso por suspeita de induzir e instigar a morte de Sabine Coll Boghici, de 49 anos, ocorrida em 2023. A mulher, que chegou a ficar presa por envolvimento em um golpe milionário contra a própria mãe, morreu após cair do quinto andar de um prédio na Lagoa, na Zona Sul.
Investigações da 9ª DP (Catete) descobriram que Sabine era submetida - frequentemente - a maus-tratos, agressões físicas, intenso sofrimento psicológico e até restrição de liberdade, dentro do apartamento onde morava.
De acordo com a Polícia Civil, depoimentos, registros audiovisuais e laudos periciais apontaram indícios que a mulher vivia em situação precária.
Ainda segundo a corporação, os elementos colhidos no decorrer do inquérito sobre a morte fundamentaram o indiciamento de Rafael pelo crime de induzir ou instigar alguém ao suicídio. O homem, que seria genro da namorada de Sabine, morava no mesmo imóvel da vítima.
Agentes da 9ª DP (Catete) encontraram o suspeito no Jardim Botânico, na Zona Sul. Contra ele, foi cumprido um mandado de prisão preventiva.
A reportagem não localizou a defesa de Rafael. O espaço está aberto para manifestação.
Golpe milionário
Em agosto de 2022, a Polícia Civil realizou a Operação Sol Poente, cujo objetivo era prender integrantes de uma quadrilha que roubou cerca de R$ 725 milhões - entre obras de artes, joias e dinheiro - de Geneviève Boghici, na época com 82 anos. A idosa é viúva de Jean Boghici, considerado um dos maiores negociadores de obras de arte do Brasil, que morreu em 2015.
A operação ocorreu depois da vítima ter sido enganada por falsas videntes, que ofereceram um tratamento espiritual para sua filha Sabine, em troca de vultuosos pagamentos. A extorsão começou em 2020.
Ao desconfiar que fosse um golpe, a idosa não quis mais pagar os altos valores exigidos e passou a ficar em cárcere privado, no próprio apartamento, entre fevereiro de 2020 e abril de 2021. Sabine seria responsável por manter a mãe presa.
As investigações descobriram que, durante o cárcere, a vítima era agredida, privada de comida e até chegou a ter uma faca colocada em seu pescoço para realizar a transferência de dinheiro. Posteriormente, a idosa descobriu que todo o golpe havia sido articulado pela própria filha, que passou a vender as obras de arte para uma galeria em São Paulo.
Entre as obras comercializadas estavam 'O Sono', de Tarsila do Amaral; 'O Menino', de Alberto Guignard; 'Mascaradas', de Di Cavalcanti; 'Maquete para o Meu Espelho'; de Antônio Dias; e 'Elevador Social'; de Rubens Gerchman.
Na época, a Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (DEAPTI), intimou o responsável pela galeria em São Paulo, que devolveu os quadros que não haviam sido vendidos, o que fez a idosa reaver cerca de 40% do valor desviado.
Sabine foi presa junto com a namorada, Rosa Stanesco Nicolau, em agosto de 2022. Ela estava em liberdade provisória desde março de 2023. Meses depois, ela morreu ao cair do quinto andar de um prédio na Lagoa.




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