Família afirma que Emanoel foi preso injustamenteArquivo pessoal

Rio - De acordo com a família de Emanoel Gonçalves Carpaccio, de 77 anos, que teria sido preso injustamente durante uma operação da Polícia Civil na sexta-feira (14), no bairro Amendoeira, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, o idoso tomava conta da perfumaria de um amigo para complementar a renda. Aposentado, ele receberia uma diária de R$ 60 para ficar no estabelecimento de Marcílio Barbosa Rangel. Segundo a filha de Emanoel, ele não tinha qualquer envolvimento com o esquema da drogaria clandestina.
As investigações da Polícia Civil apontaram que a perfumaria mantinha um comércio clandestino de medicamentos de controle especial e anabolizantes. Durante a vistoria no estabelecimento, agentes da 72ª DP (São Gonçalo) encontraram diversos anabolizantes, medicamentos controlados com validade vencida e armazenados de forma inadequada, além de seringas, ampolas e receitas médicas em branco acompanhadas de carimbos de profissionais de saúde.

O local não possuía autorização dos órgãos competentes para o comércio de fármacos nem contava com responsável técnico farmacêutico. De acordo com a Justiça do Rio, Emanoel disse aos policiais que Marcílio era o dono da perfumaria e que trabalhava no lugar dele porque o amigo se recuperava de uma cirurgia.

Após permitir a entrada dos agentes no local, o idoso chegou a entrar em contato com Marcílio, mas ele teria dito que não iria à loja ou à delegacia, mesmo sabendo que Emanoel seria preso em flagrante.

Segundo uma das filhas de Emanoel, Andréa Carpaccio, o idoso é aposentado e aceitou a oferta do amigo como uma forma de complementar a renda. A família nega qualquer tipo de envolvimento dele com o esquema criminoso.

“Ele só foi ali para poder ganhar um dinheirinho, uma diária, para ajudar na aposentadoria, porque minha mãe é doente, toma muito remédio e o salário dele não dá para muita coisa. Ele foi esse dia justamente só pensando no dinheirinho que ia ganhar. Ele é aposentado, sempre trabalhou. Ocioso, ele gostava de ficar ali na perfumaria e fazendo recarga de celular”, conta ao DIA.

“Meu pai mora no bairro há 54 anos. É casado com a minha mãe há 54 anos. Ele é um excelente pai, tio, avô, amigo de todo mundo, ajuda todo mundo e é sempre prestativo. Trabalhou em várias drogarias ali no bairro, todo mundo conhece ele. Minha mãe está à base de calmantes. Estamos sofrendo muito”, diz.

No sábado (15), o idoso, que está na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte, passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva convertida em flagrante. Na decisão, a juíza negou o pedido de liberdade provisória e o pedido de prisão domiciliar.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), há um pedido da Defensoria Pública para revogação da prisão, nesta segunda-feira (17), que foi encaminhado pela 2ª Vara das Garantias do TJRJ de Niterói para o Ministério Público, que irá se pronunciar. Ainda não houve decisão.

Por meio de nota, a Polícia Civil disse que, durante a ação de inteligência, Emanoel foi localizado no estabelecimento irregular e se apresentou como responsável pelo local e pela venda dos produtos ilícitos durante a ausência do proprietário.

Segundo Andréa, o idoso não sabia das ilegalidades. “Meu pai não tinha conhecimento dessas irregularidades porque não ficava na parte da prateleira, ficava mais no interior da perfumaria. Esse proprietário às vezes chamava meu pai para abrir, fechar e ficar para ele na perfumaria. Ele não apareceu. Nós ligamos várias vezes pedindo, pelo amor de Deus, para ele tirar meu pai de lá. Ele falou que não poderia ficar no lugar do meu pai porque estava operado”, explica.

O DIA não localizou a defesa de Marcílio Barbosa Rangel até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.