Rio - A Polícia Civil realiza, na manhã desta segunda-feira (31), uma operação contra um grupo suspeito de negociar um imóvel de forma fraudulenta. As investigações identificaram uma estrutura para movimentar e ocultar dinheiro ilegal, com objetivo de dificultar o rastreamento dos valores.
fotogaleria
Agentes da 38ª DP (Brás de Pina) estão nas ruas para cumprir 12 mandados de busca e apreensão contra os alvos em endereços em Botafogo, na Zona Sul; Campo Grande, na Zona Oeste; Irajá, na Zona Norte; Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; e Maricá, na Região Metropolitana.
As apurações começaram após os agentes encontrarem indícios de que um imóvel, que havia sido alugado, teria sido negociado de forma fraudulenta por uma mulher. Durante a investigação, as equipes descobriram sinais que os envolvidos teriam utilizado uma pessoa como "laranja" para ocultar patrimônio e movimentar valores ilícitos. A estratégia teria como objetivo dificultar a identificação da titularidade de bens e recursos.
"A suspeita alugava o imóvel e se apropriava de forma ilegal. Ela alienava esse imóvel para uma terceira pessoa, mas os documentos eram falsificados. Ela realizava um documento de cessão de posse para possibilitar a alienação do bem", disse o delegado Bruno Ciniello, titular da 38ª DP.
Com o avanço das diligências, os policiais levantaram informações, analisaram movimentações patrimoniais e cruzaram dados relacionados aos alvos e ao imóvel.
A 38ª DP encontrou suspeitas de envolvimento do ex-policial militar Daniel da Silva Manzouque, de 45 anos, no esquema. De acordo com o apurado, o homem não comprovou o pagamento de aquisição de um imóvel de alto padrão, avaliado em, aproximadamente, R$ 800 mil. O ex-PM foi assassinado a tiros em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no último dia 11. Endereços ligados a Daniel também são alvos durante a operação.
Os indícios obtidos justificaram a representação de medidas cautelares contra os suspeitos, posteriormente autorizadas pela Justiça.
"A operação de hoje tem como objetivo comprovar o conluio entre as pessoas. Quando foi adquirido, o imóvel foi registrado em nome de uma outra pessoa interposta e não no desse ex-PM, revelando que existem outras pessoas envolvidas no esquema. A suposta autora já tem antecedentes de condutas semelhantes anteriormente, na parte criminal quanto na parte cível", completou Ciniello.
A suposta autora já tem antecedentes de condutas semelhantes anteriormente, na parte criminal quanto na parte cível. As investigações vão prosseguir para tentar identificar todos os envolvidos.
Nesta segunda, as equipes da 38ª DP cumprem os mandados em endereços relacionados à investigação. As buscas têm como objetivo localizar documentos, aparelhos eletrônicos e registros que possam contribuir no esclarecimento da negociação do imóvel, da movimentação financeira e da eventual ocultação do dinheiro.
Execução de ex-PM
O homicídio de Daniel Manzouque aconteceu no bar do Campo da Fundrep, no bairro Engenho do Porto. Imagens que circulam nas redes sociais mostram que a vítima morreu enquanto estava sentada em uma cadeira, o que indica ausência de tentativa de reação.
Segundo a Polícia Militar, testemunhas relataram a policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) que um ocupante de uma moto atirou, entrou no estabelecimento e recolheu os pertences da vítima, fugindo em seguida.
A PM informou que a exclusão de Daniel dos quadros da corporação ocorreu em dezembro de 2023 e que ele tinha três anotações criminais. Conforme consta em processo no Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), o homem chegou a ser condenado, em 2025, pelos crimes de usura (também conhecido como agiotagem) e extorsão.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga o caso.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.