Para a Corte, os elementos que vinculam Val Ceasa ao TCP são suficientes para impedir a candidaturaÉrica Martin/Arquivo O Dia

Rio - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) decidiu, por unanimidade, cassar o registro da candidatura do deputado estadual Val Ceasa (PRD) à reeleição. O julgamento, realizado nesta terça-feira (1º), ocorreu em ação de impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE).

Para a Corte, os elementos reunidos no processo, que indicavam vínculo do parlamentar com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), eram suficientes para impedir o registro da candidatura. A análise foi restrita aos requisitos para participação no processo eleitoral e não representa condenação criminal.

O colegiado também determinou o envio de informações à PRE para apuração de eventual responsabilidade do Partido Renovação Democrática (PRD) na escolha do candidato, considerando que o pedido de registro foi apresentado após a retirada do sigilo das investigações. A medida não implica responsabilização automática da legenda, que dependerá de investigação própria.

No julgamento, o desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do TRE-RJ, destacou a atuação preventiva da Justiça Eleitoral para impedir que organizações criminosas exerçam influência sobre o processo eleitoral e ressaltou a responsabilidade dos partidos na escolha dos candidatos apresentados à sociedade.

A defesa pode entrar com recurso junto ao ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas redes sociais, sem citar a decisão, o deputado fez um post com o trecho de uma música gospel. “Seguimos cada vez mais forte, focados no nosso único objetivo: Continuar trabalhando pelo povo!”, escreveu.

"Recebi a notícia com indignação porque sou uma pessoa íntegra e nunca me envolvi em coisas erradas e vou provar na Justiça”, disse o parlamentar. A defesa informou que vai recorrer da decisão.
Deputado foi alvo de operação

Em junho, Val Ceasa foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) e da Polícia Civil que apurava a ligação de agentes públicos com a facção TCP.

Na ação, ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a Ceasa e outros pontos na capital e no Espírito Santo.

Segundo o MPRJ, a investigação teve início após indícios de que parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa destinada à demolição de imóveis utilizados pela organização criminosa em Parada de Lucas, região conhecida como Complexo de Israel, Zona Norte do Rio.

Um deles é o "resort" de luxo do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos líderes da facção. O imóvel contava com um lago artificial com carpas, piscina, academia e uma enorme área de lazer.
Ainda de acordo com a investigação, os agentes públicos teriam utilizado sua influência para argumentar que os imóveis eram destinados à prestação de serviços sociais, o que, segundo as apurações, não correspondia à realidade. Na ocasião, a ação policial acabou sendo adiada.

Na ocasião, Val Ceasa informou que pediu ao então prefeito Eduardo Paes para construir uma vila olímpica onde foi demolido o resort de Peixão.

"Nunca fui, nunca vi, mas os presidentes da associação falam que foram lá, derrubaram tudo, deixaram as crianças brincando dentro do esgoto, da lama, uma covardia. Eu fui no Eduardo Paes e falei: ‘faz uma vila olímpica lá para dar dignidade ao povo’. Eu pedi porque aquilo lá está abandonado, largado e o povo precisa. Hoje em dia, por a gente trabalhar em comunidade, a gente sofre essa perseguição política de adversário. O adversário, antes dele ir trabalhar, ajudar os menos favorecidos, eles ficam inventando história", disse.

*Com informações de Agência Brasil