Rio - O candidato ao governo do estado William Siri (PSOL) discutiu temas como segurança pública, saúde, educação, transporte e tarifas tributárias durante o primeiro dia das
sabatinas promovidas pelo O DIA e pela Fecomércio RJ, em parceria institucional com a Firjan e a ACRJ, nesta terça-feira (8).
Segurança públicaNo quesito Segurança Pública, o candidato criticou a gestão do governador Cláudio Castro e defendeu o reforço da fiscalização nas fronteiras, portos e aeroportos para combater a entrada de armas, drogas e munições no estado.
"Armas, drogas e munições não são fabricadas nas favelas, a gente olha as favelas e periferias como territórios inimigo. Mas primeiro, temos que acabar com esse fluxo de entrada. Em Campo Grande, por exemplo, tem uma cabine da PRF, mas eu nunca fui parado; não é nem culpa dos policiais, é porque não tem uma política do estado para fazer cooperação com a PRF, então nós vamos fazer isso para acabar com esse fluxo de entrada", disse.
Siri também defendeu uma maior integração entre os órgãos de fiscalização e a criação de um grupamento marítimo. "A maior operação para apreender fuzis foi no Galeão, então temos que fazer cooperação com a Receita Federal e PRF. Também vou fazer fiscalizações, principalmente, nos portos da Baía de Guanabara e Sepetiba", relatou.
Ao abordar o combate aos roubos de cargas e a estrutura das forças de segurança, o candidato criticou os investimentos em inteligência e apontou um déficit no efetivo das polícias Militar e Civil. Segundo ele, a solução passa pela realização de novos concursos públicos.
Durante a sabatina, Siri ainda citou a prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar pela Polícia Federal e defendeu mudanças na estrutura de comando das polícias. "Eu acho que a gente hoje tem uma política no Rio de Janeiro em que o crime dominou. Se não tivesse a PF prendendo o Rodrigo Bacellar, a gente teria um governador que comanda o CV. Hoje o batalhão X ou delegacia Y, quem estava indicando eram os deputados. Eu vou colocar tudo numa secretaria só, ligado ao meu gabinete como governador, porque essa indicação vai acabar. Também precisamos valorizar os PMs que têm um salário muito ruim, vamos fazer uma corregedoria externa para punir os maus policiais", disse.
Por fim, o candidato destacou o fortalecimento das corregedorias e a ampliação do efetivo policial.
InfraestruturaAo falar sobre infraestrutura, Siri acrescentou a criação de complexos produtivos em diferentes regiões do estado e uma maior integração entre universidades, pesquisa e desenvolvimento econômico.
"O que nós precisamos fazer são complexos produtivos para o estado do Rio. O estado tem que focar em estradas, hoje se quer ônibus e caminhões conseguem chegar às empresas porque está tudo esburacado. A infraestrutura é fundamental", frisou.
Siri também mencionou a produção agrícola no Noroeste Fluminense e criticou a falta de integração entre os produtores da região e o mercado consumidor do estado. "Não tem Ceasa hoje no Noroeste, o produtor está vendendo tomate para São Paulo, desarticularam o setor do Noroeste. Nosso comércio, a gente compra do Espírito Santo, a gente tem que comprar de comerciantes locais, fazer comércios produtivos."
Em outro momento, o candidato reforçou investimentos em rodovias, ferrovias e portos como parte de um projeto de reindustrialização do estado. "A infraestrutura é fundamental, já temos cinco portos, mas as rodovias precisam de uma restauração para que os municípios estejam interligados e precisamos de ferrovias. Os desenhos da SuperVia são dos século 19, só que ninguém está falando sobre isso, pra gente desenvolver o estado precisamos passar pela ampliação das ferrovias. No passado, nós tínhamos trens de Campos para a cidade do Rio e perdemos isso”, citou.
Tarifa zero nos transportesAo tratar da mobilidade, Siri criticou o estado de conservação dos trens e defendeu investimentos no transporte público. "Desde que me entendo por gente a Avenida Brasil é um horror, o Eduardo Paes foi prefeito quatro vezes e não resolveu isso. Hoje, no trem, vivemos um sucateamento, eu andei mais de uma década no trem e sei como é essa vivência, então vamos intervir nos Trens RJ, temos dinheiro para isso. Vamos começar a pegar o orçamento do estado e colocar efetivamente onde dá condição ao trabalho e isso é importante tanto para o trabalhador, quanto para o comércio", disse.
O candidato destacou que o transporte público não deve ser tratado apenas como fonte de lucro e defendeu a ampliação do metrô até Itaboraí, na Região Metropolitana. "Temos dinheiro, o que falta é priorizar o que a população precisa."
SaúdeNa área da saúde, Siri apresentou a realização de concursos públicos e a revisão dos contratos mantidos pelo governo estadual. "Vou ter um limite de cargo, vamos fazer concursos públicos, concursados bem remunerados. O último foi feito em 2014. De lá para cá foi um absurdo, uma farra dos contratados e comissionados. O servidor público que é a solução. Vamos continuar com essa auditoria nas secretarias e autarquias, estamos fazendo uma análise de recursos fiscais", relatou.
Em outro momento, o candidato afirmou que pretende acabar com as Organizações Sociais (OS) na saúde e revisar contratos de terceirização. "No estado do Rio não pode mais ter OS, temos a Fundação Saúde com vários contratos de terceirização e quarteirização que tem muitas fraudes, a gente não tem mais concurso público. Temos que acabar com essa fila do SISREG, os donos da saúde do Rio tem ser o povo, temos que dar mais transparência; tecnologia para as coisas funcionarem, temos que acabar com essa história de contratos, vamos colocar concursos."
Siri também anunciou a proposta de construção de dois novos hospitais de média e alta complexidade. "Vamos criar dois novos hospitais, um em Itaperuna, que não temos, para pegar a região do Norte e Noroeste. E outro na Rio-Santos em Itaguaí, para pegar boa parte da Baixada Fluminense, Costa Verde e Zona Oeste", destacou.
"Esse turismo é muito precário porque não chega, por exemplo, na Pedra de Guaratiba, também podemos fazer uma integração no interior e na Região Serrana, porque até para gente chegar às estradas são capengas, o estado do RJ é lindo e não pode se fazer apenas do cartão postal para gerar renda."
Siri voltou a defender a expansão ferroviária para o interior, tanto para atender trabalhadores quanto para incentivar o turismo.
Considerações finais
Nas considerações finais, destacou mais uma vez a questão da tarifa zero nos transportes. Ele afirma que pretende começar pelos trens, mas pretende atingir todos os modais.
"No longo prazo, nosso objetivo é fazer com que todo o estado tenha tarifa zero. Isso já foi colocado em estudos pelo presidente Lula, que ele quer convocar nacionalmente. Então, eu quero ser um governador que efetivamente seja um dos líderes para que isso aconteça no Brasil", afirmou.
Além disso, o candidato também citou que pretende retirar a privatização da Cedae. "Hoje, não só o comércio, mas a população depois do roubo da Cedae, as concessionárias quebraram suas calçadas, colocaram o hidrômetro e está todo mundo pagando uma fortuna de água, vamos entrar com um processo de reestatização, porquê pagamos uma fortuna de saneamento básico e as vezes nem tem. O saneamento básico e água são serviços essenciais, não da para colocar isso como dinheiro na mão de empresários", relatou.
Por fim, ao O DIA, o candidato apontou a sabatina como um importante ato para democracia. "Eu acho que é importante para a nossa democracia e para o Estado do Rio de Janeiro, o eleitor conhecer cada vez mais as propostas dos candidatos. Eu fiquei muito feliz por ter sido convidado aqui e colocar o que nós estamos pensando", frisou.
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