William Siri (PSOL) e Coronel Busnello (Missão) no primeiro dia de sabatinas apresentado pela Fecomércio RJCarlos Elias Junior/ Agência O Dia

Rio - Teve início nesta terça-feira (8) a série de sabatinas com candidatos ao Governo do Rio nas eleições de 2026, realizada pelo O Dia e promovida pela Fecomércio RJ. William Siri (PSOL) abriu a programação, às 11h, seguido por Coronel Busnello (Missão), que participou às 14h.

Os dois postulantes responderam a perguntas feitas pelas jornalistas Mariana Procópio e Aline Pacheco. Entre os temas abordados estiveram segurança pública, saúde, educação, mobilidade, desenvolvimento econômico, geração de empregos, infraestrutura e políticas sociais.
A iniciativa faz parte da 8ª edição do Movimento Rio em Frente, em parceria institucional com a Firjan e a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
"O Movimento Rio em Frente é uma oportunidade para aproximar o setor produtivo dos candidatos ao Governo do Estado e colocar em discussão propostas concretas para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. Acreditamos que o diálogo é fundamental para compreender diferentes visões e contribuir para a construção de um ambiente mais favorável aos negócios, à geração de empregos, ao empreendedorismo e à melhoria da qualidade de vida da população. Nosso objetivo é ouvir, apresentar as demandas do comércio de bens, serviços e turismo e contribuir para que as decisões do próximo governo estejam alinhadas às necessidades de quem produz, trabalha e investe no estado. Em suma: trata-se de uma contribuição para um saudável processo democrático", disse Antonio Florêncio de Queiroz Junior, presidente da Fecomércio. 
Confira agora os destaques das sabatinas:
William Siri (PSOL)
No quesito Segurança pública, o candidato criticou a gestão do governador Cláudio Castro e defendeu o reforço da fiscalização nas fronteiras, portos e aeroportos para combater a entrada de armas, drogas e munições no estado.

Siri também defendeu uma maior integração entre os órgãos de fiscalização e a criação de um grupamento marítimo. "A maior operação para apreender fuzis foi no Galeão, então temos que fazer cooperação com a Receita Federal e PRF. Também vou fazer fiscalizações, principalmente, nos portos da Baía de Guanabara e Sepetiba", relatou.

Ao abordar o combate aos roubos de cargas e a estrutura das forças de segurança, o candidato criticou os investimentos em inteligência e apontou um déficit no efetivo das polícias Militar e Civil. Segundo ele, a solução passa pela realização de novos concursos públicos.

Durante a sabatina, Siri ainda citou a prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar pela Polícia Federal e defendeu mudanças na estrutura de comando das polícias. "Eu acho que a gente hoje tem uma política no Rio de Janeiro em que o crime dominou. Se não tivesse a PF prendendo o Rodrigo Bacellar, a gente teria um governador que comanda o CV. Hoje o batalhão X ou delegacia Y, quem estava indicando eram os deputados. Eu vou colocar tudo numa secretaria só, ligado ao meu gabinete como governador, porque essa indicação vai acabar. Também precisamos valorizar os PMs que têm um salário muito ruim, vamos fazer uma corregedoria externa para punir os maus policiais", disse.

Por fim, o candidato destacou o fortalecimento das corregedorias e a ampliação do efetivo policial.

Infraestrutura

Ao falar sobre infraestrutura, Siri acrescentou a criação de complexos produtivos em diferentes regiões do estado e uma maior integração entre universidades, pesquisa e desenvolvimento econômico.

"O que nós precisamos fazer são complexos produtivos para o estado do Rio. O estado tem que focar em estradas, hoje se quer ônibus e caminhões conseguem chegar às empresas porque está tudo esburacado. A infraestrutura é fundamental", frisou.

Siri também mencionou a produção agrícola no Noroeste Fluminense e criticou a falta de integração entre os produtores da região e o mercado consumidor do estado. "Não tem Ceasa hoje no Noroeste, o produtor está vendendo tomate para São Paulo, desarticularam o setor do Noroeste. Nosso comércio, a gente compra do Espírito Santo, a gente tem que comprar de comerciantes locais, fazer comércios produtivos."

Em outro momento, o candidato reforçou investimentos em rodovias, ferrovias e portos como parte de um projeto de reindustrialização do estado. "A infraestrutura é fundamental, já temos cinco portos, mas as rodovias precisam de uma restauração para que os municípios estejam interligados e precisamos de ferrovias. Os desenhos da SuperVia são dos século 19, só que ninguém está falando sobre isso, pra gente desenvolver o estado precisamos passar pela ampliação das ferrovias. No passado, nós tínhamos trens de Campos para a cidade do Rio e perdemos isso”, citou.

Tarifa zero nos transportes

Ao tratar da mobilidade, Siri criticou o estado de conservação dos trens e defendeu investimentos no transporte público. "Desde que me entendo por gente a Avenida Brasil é um horror, o Eduardo Paes foi prefeito quatro vezes e não resolveu isso. Hoje, no trem, vivemos um sucateamento, eu andei mais de uma década no trem e sei como é essa vivência, então vamos intervir nos Trens RJ, temos dinheiro para isso. Vamos começar a pegar o orçamento do estado e colocar efetivamente onde dá condição ao trabalho e isso é importante tanto para o trabalhador, quanto para o comércio", disse.

O candidato destacou que o transporte público não deve ser tratado apenas como fonte de lucro e defendeu a ampliação do metrô até Itaboraí, na Região Metropolitana. "Temos dinheiro, o que falta é priorizar o que a população precisa."

Saúde

Na área da saúde, Siri apresentou a realização de concursos públicos e a revisão dos contratos mantidos pelo governo estadual. "Vou ter um limite de cargo, vamos fazer concursos públicos, concursados bem remunerados. O último foi feito em 2014. De lá para cá foi um absurdo, uma farra dos contratados e comissionados. O servidor público que é a solução. Vamos continuar com essa auditoria nas secretarias e autarquias, estamos fazendo uma análise de recursos fiscais", relatou.

Em outro momento, o candidato afirmou que pretende acabar com as Organizações Sociais (OS) na saúde e revisar contratos de terceirização. "No estado do Rio não pode mais ter OS, temos a Fundação Saúde com vários contratos de terceirização e quarteirização que tem muitas fraudes, a gente não tem mais concurso público. Temos que acabar com essa fila do SISREG, os donos da saúde do Rio tem ser o povo, temos que dar mais transparência; tecnologia para as coisas funcionarem, temos que acabar com essa história de contratos, vamos colocar concursos."

Siri também anunciou a proposta de construção de dois novos hospitais de média e alta complexidade. "Vamos criar dois novos hospitais, um em Itaperuna, que não temos, para pegar a região do Norte e Noroeste. E outro na Rio-Santos em Itaguaí, para pegar boa parte da Baixada Fluminense, Costa Verde e Zona Oeste", destacou.
Benefícios fiscais

Ao abordar a política tributária, o candidato citou uma revisão das renúncias fiscais e uma fiscalização dos contratos mantidos pelo estado. "Vai ter um governador que vai continuar fiscalização e fazer um pente fino e as renúncias fiscais vão seguir com os empresários que estão entregando no Rio. Hoje a gente não tem um projeto no Rio. O Sebrae pode ser muito mais investido para as empresas, nós podemos olhar para dar crédito barato aos pequenos e médios empresários porque o dinheiro vem daí. Esse é o nosso grande incentivo."

Educação

Na educação, Siri destacou a ampliação do ensino integral e a valorização dos profissionais da área. "Temos uma educação precária, eu defendo uma educação em ensino integral. Hoje a gente poderia ter o jovem dentro da escola, tendo quatro refeições, lazer, cultura, música, saúde. Eu como vereador fiz relatórios e ouvi de uma professora que se você mudar a escola, em curto e médio prazo você vai ver essa diferença", ressaltou.

O candidato também criticou a infraestrutura das escolas municipais e estaduais. "A gente vê escolas municipais sucateadas, precisamos valorizar os educadores, o Rio tem o menor salário, vamos colocar o piso nacional que hoje não é cumprido; fazer novos concursos em todas as secretarias e qualificar uma educação de qualidade que é uma possibilidade de termos mais jovens qualificados para Faetec, que também está sucateada. Vamos colocar ensino integral."

Turismo

No turismo, Siri afirmou que é necessário melhorar a infraestrutura para ampliar o acesso a regiões fora dos principais cartões-postais do estado.
"Esse turismo é muito precário porque não chega, por exemplo, na Pedra de Guaratiba, também podemos fazer uma integração no interior e na Região Serrana, porque até para gente chegar às estradas são capengas, o estado do RJ é lindo e não pode se fazer apenas do cartão postal para gerar renda."

Siri voltou a defender a expansão ferroviária para o interior, tanto para atender trabalhadores quanto para incentivar o turismo.

Considerações finais

Nas considerações finais, destacou mais uma vez a questão da tarifa zero nos transportes. Ele afirma que pretende começar pelos trens, mas pretende atingir todos os modais.

"No longo prazo, nosso objetivo é fazer com que todo o estado tenha tarifa zero. Isso já foi colocado em estudos pelo presidente Lula, que ele quer convocar nacionalmente. Então, eu quero ser um governador que efetivamente seja um dos líderes para que isso aconteça no Brasil", afirmou.

Além disso, o candidato também citou que pretende retirar a privatização da Cedae. "Hoje, não só o comércio, mas a população depois do roubo da Cedae, as concessionárias quebraram suas calçadas, colocaram o hidrômetro e está todo mundo pagando uma fortuna de água, vamos entrar com um processo de reestatização, porquê pagamos uma fortuna de saneamento básico e as vezes nem tem. O saneamento básico e água são serviços essenciais, não da para colocar isso como dinheiro na mão de empresários", relatou.

Por fim, ao O DIA, o candidato apontou a sabatina como um importante ato para democracia. "Eu acho que é importante para a nossa democracia e para o Estado do Rio de Janeiro, o eleitor conhecer cada vez mais as propostas dos candidatos. Eu fiquei muito feliz por ter sido convidado aqui e colocar o que nós estamos pensando", frisou.
Coronel Busnello (Missão)
O candidato ao governo Coronel Busnello (Missão) foi o segundo entrevistado. Com 33 anos de atuação na Polícia Militar, ele já integrou o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), onde atuou como atirador de elite. Ao longo da sabatina, o candidato defendeu mudanças estruturais na administração estadual e apresentou propostas voltadas para o combate ao crime organizado, redução de gastos públicos e ampliação dos investimentos em áreas consideradas estratégicas.

A segurança pública foi o tema mais explorado durante a entrevista. Busnello afirmou que pretende adotar uma política de "tolerância zero" contra organizações criminosas e prometeu ampliar a presença do Estado em comunidades dominadas por facções.

Segundo ele, a estratégia passa por investigações financeiras para enfraquecer economicamente os grupos criminosos e por uma ocupação planejada dos territórios. "O cidadão precisa ser libertado do domínio do tráfico. Nós vamos atingir essas organizações na parte financeira e ocupar essas áreas de forma permanente, levando serviços públicos e a presença efetiva do Estado", afirmou.

Questionado sobre a proposta de "desfavelização", o candidato explicou que não pretende remover moradores, mas promover a regularização fundiária e a urbanização das comunidades. "O objetivo é transformar esses locais em bairros formais da cidade. As pessoas precisam receber o título de propriedade e ter acesso a saneamento, infraestrutura e serviços públicos", disse.

Busnello também afirmou que seu gabinete funcionaria dentro de uma comunidade caso seja eleito. "Meu gabinete não será no Palácio Guanabara. Quero estar onde os problemas acontecem para levar a estrutura do Estado para perto da população."

Gestão
Na área administrativa, o candidato defendeu uma redução significativa da estrutura do governo estadual. Segundo ele, o número de secretarias seria reduzido de 32 para algo entre 15 e 18 pastas. Busnello não disse quais áreas gostaria de retirar da máquina pública mas afirmou que a medida ajudaria a diminuir gastos com cargos comissionados e permitiria direcionar mais recursos para áreas essenciais.

"Não teremos funcionários fantasmas nem excesso de cargos políticos. O Estado precisa ser mais enxuto para investir mais em saúde, educação e segurança", declarou. O candidato também prometeu fortalecer órgãos de fiscalização e controle. "Teremos corregedoria, ouvidoria e controladoria independentes para combater a corrupção e fiscalizar contratos públicos."

Desenvolvimento econômico
Ao abordar o desenvolvimento econômico, Busnello destacou o potencial dos portos do Açu e de Maricá e defendeu investimentos em logística para impulsionar a economia fluminense. Segundo ele, o estado precisa aproveitar melhor sua posição estratégica e ampliar investimentos em ferrovias, rodovias e infraestrutura portuária. "O Rio tem vocações econômicas extraordinárias. Temos potencial na agricultura, na energia, na indústria naval, no turismo e na economia do mar. Precisamos integrar tudo isso."

O candidato também citou a Ferrovia EF-118, projeto que pretende ligar o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, como uma obra importante para aumentar a competitividade econômica.

Mobilidade urbana
Na área de mobilidade urbana, Busnello criticou a situação do transporte público e afirmou que pretende investir na integração entre os diferentes modais. Entre as propostas apresentadas estão a implantação da Linha 3 do Metrô, ligando Maricá a Cachoeiras de Macacu, passando por Niterói, Itaboraí, entre outras cidades, além da expansão do transporte aquaviário.

"O Rio ficou para trás. O metrô de São Paulo cresceu enormemente enquanto o nosso continua praticamente estagnado. Precisamos integrar metrô, trem, barcas e rodovias."

O candidato também defendeu a criação de uma polícia rodoviária estadual mais estruturada, com uso de scanners e equipamentos de fiscalização para combater o tráfico de armas e drogas.

Turismo 
Busnello também afirmou que o turismo pode ser uma das principais ferramentas para impulsionar a economia fluminense. Segundo ele, o estado ainda recebe menos visitantes do que poderia, apesar do potencial turístico existente na capital e no interior. "O Rio tem praias, montanhas, turismo rural, histórico, ecológico e cultural. Temos condições de ser uma potência turística, mas precisamos oferecer segurança e infraestrutura."

O candidato citou destinos como Costa Verde, Região Serrana, Vale do Café e Norte Fluminense como regiões que poderiam receber mais investimentos para atrair visitantes.

Educação, saúde e concursos públicos

Durante a entrevista, Busnello criticou o modelo atual da educação pública e defendeu o fortalecimento das escolas em tempo integral e das escolas cívico-militares. Ele também prometeu realizar concursos públicos para recompor quadros da saúde, educação e segurança pública. "O professor precisa ser valorizado. Não podemos continuar pagando salários baixos e esperando resultados diferentes."

Na saúde, o candidato afirmou que pretende revisar contratos, reduzir desperdícios e ampliar os investimentos utilizando recursos economizados por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).