Rio - O candidato ao governo do estado Coronel Busnello (Missão) foi o segundo entrevistado nesta terça-feira (8) na série de sabatinas do Movimento Rio em Frente, promovida por O Dia em parceria com a Fecomércio RJ, a Firjan e a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Entrevistado pela jornalista Mariana Procópio, o candidato apresentou propostas para áreas como segurança pública, mobilidade, desenvolvimento econômico, turismo, educação e saúde.
Coronel Busnello tem 33 anos de atuação na Polícia Militar do Rio de Janeiro e integrou o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), onde foi atirador de elite. Esta é a terceira vez que disputa uma eleição. Em 2018, concorreu a deputado federal pelo PRTB e recebeu pouco mais de 15 mil votos. Já em 2022, tentou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD, obtendo menos de 800 votos.
Ao longo da sabatina, o candidato defendeu mudanças estruturais na administração estadual e apresentou propostas voltadas para o combate ao crime organizado, redução de gastos públicos e ampliação dos investimentos em áreas consideradas estratégicas.
'Vamos ocupar os territórios dominados pelo crime', prometeu
A segurança pública foi o tema mais explorado durante a entrevista. Busnello afirmou que pretende adotar uma política de "tolerância zero" contra organizações criminosas e prometeu ampliar a presença do Estado em comunidades dominadas por facções.
Segundo ele, a estratégia passa por investigações financeiras para enfraquecer economicamente os grupos criminosos e por uma ocupação planejada dos territórios.
"O cidadão precisa ser libertado do domínio do tráfico. Nós vamos atingir essas organizações na parte financeira e ocupar essas áreas de forma permanente, levando serviços públicos e a presença efetiva do Estado", afirmou.
Questionado sobre a proposta de "desfavelização", o candidato explicou que não pretende remover moradores, mas promover a regularização fundiária e a urbanização das comunidades.
"O objetivo é transformar esses locais em bairros formais da cidade. As pessoas precisam receber o título de propriedade e ter acesso a saneamento, infraestrutura e serviços públicos", disse.
Busnello também afirmou que seu gabinete funcionaria dentro de uma comunidade caso seja eleito.
"Meu gabinete não será no Palácio Guanabara. Quero estar onde os problemas acontecem para levar a estrutura do Estado para perto da população."
'Não teremos 32 secretarias'
Na área administrativa, o candidato defendeu uma redução significativa da estrutura do governo estadual. Segundo ele, o número de secretarias seria reduzido de 32 para algo entre 15 e 18 pastas.
Busnello não disse quais áreas gostaria de retirar da máquina pública mas afirmou que a medida ajudaria a diminuir gastos com cargos comissionados e permitiria direcionar mais recursos para áreas essenciais.
"Não teremos funcionários fantasmas nem excesso de cargos políticos. O Estado precisa ser mais enxuto para investir mais em saúde, educação e segurança", declarou.
O candidato também prometeu fortalecer órgãos de fiscalização e controle.
"Teremos corregedoria, ouvidoria e controladoria independentes para combater a corrupção e fiscalizar contratos públicos."
Logística, portos e desenvolvimento do interior
Ao abordar o desenvolvimento econômico, Busnello destacou o potencial dos portos do Açu e de Maricá e defendeu investimentos em logística para impulsionar a economia fluminense.
Segundo ele, o estado precisa aproveitar melhor sua posição estratégica e ampliar investimentos em ferrovias, rodovias e infraestrutura portuária.
"O Rio tem vocações econômicas extraordinárias. Temos potencial na agricultura, na energia, na indústria naval, no turismo e na economia do mar. Precisamos integrar tudo isso."
O candidato também citou a Ferrovia EF-118, projeto que pretende ligar o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, como uma obra importante para aumentar a competitividade econômica.
'O trem do Rio é precário'
Na área de mobilidade urbana, Busnello criticou a situação do transporte público e afirmou que pretende investir na integração entre os diferentes modais.
Entre as propostas apresentadas estão a implantação da Linha 3 do Metrô, ligando Maricá a Cachoeiras de Macacu, passando por Niterói, Itaboraí, entre outras cidades, além da expansão do transporte aquaviário.
"O Rio ficou para trás. O metrô de São Paulo cresceu enormemente enquanto o nosso continua praticamente estagnado. Precisamos integrar metrô, trem, barcas e rodovias."
O candidato também defendeu a criação de uma polícia rodoviária estadual mais estruturada, com uso de scanners e equipamentos de fiscalização para combater o tráfico de armas e drogas.
Turismo como motor da economia
Busnello também afirmou que o turismo pode ser uma das principais ferramentas para impulsionar a economia fluminense.
Segundo ele, o estado ainda recebe menos visitantes do que poderia, apesar do potencial turístico existente na capital e no interior.
"O Rio tem praias, montanhas, turismo rural, histórico, ecológico e cultural. Temos condições de ser uma potência turística, mas precisamos oferecer segurança e infraestrutura."
O candidato citou destinos como Costa Verde, Região Serrana, Vale do Café e Norte Fluminense como regiões que poderiam receber mais investimentos para atrair visitantes.
Educação, saúde e concursos públicos
Durante a entrevista, Busnello criticou o modelo atual da educação pública e defendeu o fortalecimento das escolas em tempo integral e das escolas cívico-militares.
Ele também prometeu realizar concursos públicos para recompor quadros da saúde, educação e segurança pública.
"O professor precisa ser valorizado. Não podemos continuar pagando salários baixos e esperando resultados diferentes."
Na saúde, o candidato afirmou que pretende revisar contratos, reduzir desperdícios e ampliar os investimentos utilizando recursos economizados por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Série de sabatinas
A entrevista com Coronel Busnello foi a segunda do primeiro dia da série de sabatinas com os candidatos ao Governo do Estado promovida por O Dia dentro da 8ª edição do Movimento Rio em Frente. Ao longo das próximas semanas, outros postulantes ao Palácio Guanabara serão entrevistados sobre temas como segurança pública, saúde, educação, mobilidade, desenvolvimento econômico, geração de empregos e infraestrutura.
Para o diretor de jornalismo de O Dia, Eduardo Caruso, a iniciativa busca aproximar os eleitores das propostas apresentadas pelos candidatos.
"Mais uma vez o jornal O Dia reafirma seu compromisso com a democracia com as sabatinas dos candidatos ao governo do Rio. Todos os candidatos foram convidados e confirmaram presença. É uma oportunidade para que o nosso leitor possa conhecer melhor os candidatos e suas propostas", afirmou.
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