O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visita a Base Regional Sudeste da Força Nacional do SUS.Reginaldo Pimenta
Segundo o Ministério da Saúde, a nova base permitirá reduzir drasticamente o tempo de resposta em casos de enchentes, deslizamentos, ondas de calor, incêndios florestais, epidemias e outras situações de crise. A estrutura conta com equipamentos de comunicação via satélite, drones, posto médico avançado, veículos e suporte para deslocamento de equipes especializadas.
A unidade do Rio é a terceira do país. As outras duas funcionam em Porto Alegre (RS) e Salvador (BA). Até o fim do ano, outras seis bases deverão ser instaladas em diferentes regiões do Brasil.
“Vamos aumentar em 20 vezes a capacidade de resposta”
Durante a cerimônia, o ministro Alexandre Padilha afirmou que a descentralização da Força Nacional do SUS representa um avanço importante na preparação do país para os efeitos das mudanças climáticas.
“Com essa base, aumentamos em 20 vezes a capacidade de pronta resposta da Força Nacional do SUS. Agora conseguimos chegar a qualquer localidade da Região Sudeste em até 12 horas”, afirmou.
Padilha destacou que os impactos climáticos já representam um desafio crescente para a saúde pública.
“A crise climática é, acima de tudo, uma crise de saúde pública. Um em cada quatro óbitos no mundo está relacionado direta ou indiretamente aos efeitos das mudanças climáticas. Precisamos nos preparar para enfrentar essa realidade”, disse.
O ministro também ressaltou estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que apontam mais de 120 mil mortes relacionadas aos impactos climáticos no Brasil nas últimas duas décadas.
“Não estamos falando apenas de enchentes e deslizamentos. O aumento da temperatura média provoca agravamento de doenças crônicas, aumenta a vulnerabilidade dos idosos e está associado até ao crescimento de nascimentos prematuros”, acrescentou.
“O novo normal são os extremos climáticos”, diz coordenador da FN-SUS
Coordenador da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli afirmou que o país precisa se adaptar a uma nova realidade marcada por eventos climáticos cada vez mais severos.
“O novo normal são os extremos climáticos. O Brasil está enfrentando situações que não faziam parte da nossa rotina há algumas décadas. Precisamos estar preparados para responder rapidamente e proteger a população”, declarou.
Segundo ele, a instalação das bases regionais permitirá uma atuação mais próxima dos estados e municípios.
“Estamos construindo uma rede capaz de oferecer soluções rápidas para restabelecer os serviços de saúde quando ocorrerem emergências. A preparação é tão importante quanto a resposta”, afirmou.
Stabeli lembrou ainda que a Força Nacional do SUS foi criada em 2011, após a tragédia climática da Região Serrana do Rio, que deixou mais de mil mortos.
“Estamos completando 15 anos da Força Nacional em um momento de fortalecimento e modernização. É um sonho institucional que se torna realidade”, disse.
Prefeitura destaca integração entre clima e saúde
Representando a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, Rodrigo Prado destacou que a capital fluminense já desenvolve ações de monitoramento climático voltadas à área da saúde.
“O Rio de Janeiro avançou muito na integração de dados climáticos com informações da rede de saúde. Temos hoje uma capacidade maior de previsão e planejamento, mas sabemos que a resposta rápida continua sendo fundamental”, afirmou.
Segundo ele, a presença da base regional fortalece a capacidade de atuação conjunta entre os diferentes níveis de governo.
“Ter essa resposta próxima da gente fará muita diferença nos próximos eventos que enfrentaremos. Estamos prontos para trabalhar de forma integrada e tornar essa resposta mais ágil e eficiente”, acrescentou.
“Os desastres estão se tornando mais frequentes. Precisamos garantir capacidade de resposta em tempo oportuno para quem mais precisa”, disse. Quem representou a ANS na inauguração foi o diretor de Gestão substituto, Chico D`Angelo.
Fiocruz ressalta importância da ciência na preparação
Presidente da Fiocruz, Mario Moreira afirmou que a articulação entre ciência, tecnologia e gestão pública será essencial para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“O Brasil está mais preparado do que estava há alguns anos. A criação dessas bases amplia significativamente nossa capacidade de resposta e fortalece a cooperação entre União, estados e municípios”, afirmou.
Segundo ele, o país precisa continuar investindo em monitoramento, pesquisa e planejamento.
“Nosso desafio é grande, mas também é grande a capacidade do SUS de responder quando há coordenação e integração entre as instituições”, declarou.
Plataforma para mobilização de voluntários
Durante o evento também foi lançada a plataforma digital SouForça, desenvolvida em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). A ferramenta reunirá dados de profissionais voluntários interessados em atuar em emergências sanitárias e desastres.
A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar a mobilização de equipes especializadas e facilitar a gestão dos cerca de 70 mil voluntários cadastrados pela Força Nacional do SUS.
A nova base regional integra o AdaptaSUS, plano nacional voltado à adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas. A iniciativa prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035 para fortalecer a capacidade de resposta do SUS diante dos impactos provocados por eventos extremos em todo o país.



















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