Rosângela Nascimento foi encontrada morta em apartamento no CachambiArquivo Pessoal
Após adiamento, júri de acusado de matar namorada ocorre nesta quinta
Elton Hilton Herculano de Lima está preso pelo feminicídio da médica e capitã do Exército, Rosângela da Silva Santos do Nascimento
Após ser adiado por pedido da defesa em junho, o júri popular de Elton Hilton Herculano de Lima, acusado de matar a namorada Rosângela da Silva Santos do Nascimento, começará na manhã desta quinta-feira (24). De acordo com laudo de necrópsia, a vítima, que era médica e capitã do Exército, foi asfixiada e intoxicada.
Ao O DIA, Roberta Ferreira, cunhada de Rosângela, contou que deseja uma resposta positiva dos jurados. "Não é só sobre punir o responsável por tirar uma vida de forma brutal. É sobre o recado que a Justiça vai dar para a sociedade. O silêncio não é uma opção quando se trata de feminicídio. É a memória da capitã Rosângela que exige justiça", destacou.
O julgamento está marcado para começar às 10h, na 4° Vara Criminal do Tribunal do Júri, no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), no Centro do Rio.
O júri popular ia acontecer em junho desse ano, mas foi adiado por um pedido da defesa do réu, que alegou a impossibilidade de comparecimento de uma das testemunhas. A justificativa foi que o marido passaria por uma cirurgia no mesmo dia do julgamento. Apesar da possibilidade de participação por videoconferência, a defesa solicitou o adiamento da sessão.
O crime aconteceu em um apartamento na Rua Ferreira de Andrade, no Cachambi, na Zona Norte do Rio, em março de 2023. As investigações, realizadas pela 23ª DP (Méier), encontraram elementos que indicaram que o homem asfixiou a companheira e montou um cenário como se tivesse tirado a própria vida.
Em depoimentos, familiares e vizinhos destacaram que Rosângela tinha um relacionamento conflituoso com o acusado, marcado por brigas, ofensas e ameaças. A médica teria manifestado uma vontade de terminar a relação, mas tinha medo por ser ameaçada pelo namorado.
Inicialmente, Elton alegou que Rosângela havia tentado suicídio. O laudo de necropsia apontou que a vítima morreu por asfixia e intoxicação exógena. Segundo o documento, um exame toxicológico encontrou duas substâncias no corpo que levam à depressão respiratória central, o que explica a intoxicação. O cadáver também tinha sinais de asfixia na região cervical, correspondendo a constrição externa no pescoço.
De acordo com o inquérito da 23ª DP, o réu teria forjado a morte da mulher para se apropriar dos bens da militar. Algumas das ações do homem, como a ida em um cartório para registrar a união estável unilateral pós morte e a requisição de pensão do Exército, levantaram as suspeitas da família de Rosângela.
A vítima trabalhava no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, na Zona Norte do Rio. Ela era capitã médica e fazia pós-graduação para oficiais médicos em Anestesiologia.
Elton está preso desde setembro de 2024. Ele responde pelo crime de feminicídio. A reportagem não localizou a defesa do réu. O espaço está aberto para manifestação.

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