Cerimônia aconteceu na casa da baluarte Tia Surica (E)Divulgação

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro concedeu, nesta quarta-feira (23), a Medalha de Reconhecimento Chiquinha Gonzaga à Tia Surica, da Portela. A honraria é destinada a mulheres que se destacam em causas democráticas, humanitárias, artísticas e culturais. Aos 85 anos, a matriarca da escola de samba e cantora tem uma trajetória marcada pela dedicação à azul e branca e à preservação do samba.
Cerimônia aconteceu na casa de Tia Surica, local conhecido pelos mais íntimos como Cafofo da Tia Surica - Divulgação
Cerimônia aconteceu na casa de Tia Surica, local conhecido pelos mais íntimos como Cafofo da Tia SuricaDivulgação


“Receber essa medalha é uma alegria muito grande. A Portela e o samba fazem parte da minha vida desde menina. Divido essa homenagem com as mulheres que vieram antes de mim, que cantaram, cuidaram das nossas escolas e abriram caminho para tanta gente. É uma história que a gente precisa continuar contando”, afirma Tia Surica.
Iranette Ferreira Barcellos, conhecida como Tia Surica, nasceu em Madureira, em 17 de novembro de 1940. Ela começou a desfilar pela Portela aos quatro anos de idade, acompanhada da família. Em 1966, participou do desfile que garantiu o título à Portela, dando voz ao samba-enredo "Memórias de um Sargento de Milícias", de Paulinho da Viola. A partir de 1980, passou a fazer parte da Velha Guarda da Portela, participando de apresentações e gravações ao lado do grupo.

Segundo o presidente da Portela, Júnior Escafura, a homenagem celebra uma trajetória que se confunde com a própria história cultural do Rio.

“Tia Surica ajudou a construir a Portela que o mundo conhece. Ver essa trajetória reconhecida é motivo de orgulho para cada portelense e reforça a importância de valorizar as mulheres que sustentam a história do samba”, diz.
A cerimônia aconteceu na casa de Tia Surica, conhecida como "Cafofo da Tia Surica", espaço de referência para a cultura carioca. O local já recebeu grandes nomes da música brasileira, como Teresa Cristina, Marisa Monte, Zeca Pagodinho e Clara Nunes, amiga íntima de Tia Surica. 
Cerimônia aconteceu na casa de Tia Surica, local conhecido pelos mais íntimos como Cafofo da Tia Surica - Divulgação
Cerimônia aconteceu na casa de Tia Surica, local conhecido pelos mais íntimos como Cafofo da Tia SuricaDivulgação


Mais do que receber artistas consagrados, o Cafofo se tornou um espaço de convivência, música e celebração do samba, onde encontros e rodas ajudaram a revelar e fortalecer talentos. A entrega da Medalha Chiquinha Gonzaga na própria casa de Tia Surica deu um significado especial à cerimônia, realizada no espaço que acompanha parte da trajetória da artista e da história do samba carioca.

O evento contou com roda de samba e apresentação da bateria da Portela. Criada em 1999, a Medalha de Reconhecimento Chiquinha Gonzaga leva o nome da compositora e maestrina brasileira, considerada uma referência do pioneirismo feminino na música. A honraria reconhece a contribuição de mulheres para a sociedade e a cultura.