Familiares e amigos se despediram dos irmãos Douglas e Caio Nogueira na tarde desta segunda-feira (28), no Cemitério São Francisco XavierCarlos Elias Junior

Em meio à dor da despedida, familiares e amigos deram o último adeus aos irmãos Douglas Nogueira, 26 anos, e Caio Nogueira, 17, na tarde desta segunda-feira (28), no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária. Os dois foram mortos a tiros na última sexta-feira (25), em Curicica, Zona Sudoeste, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Durante o sepultamento, a mãe dos jovens, Tânia Nogueira, fez um apelo por justiça e afirmou que os filhos não tinham qualquer ligação com atividades criminosas. Bastante emocionada, ela classificou o crime como uma "covardia" e cobrou uma apuração rigorosa das circunstâncias que levaram às mortes.

"Fizeram uma covardia com os dois. Eu espero que a justiça seja feita. Eu não posso fazer justiça, mas as autoridades podem. Meus filhos eram pessoas direitas, trabalhadoras. Nossa vida sempre foi trabalhar", disse.

Segundo Tânia, a família mantinha uma lanchonete na região e os filhos ajudavam no negócio desde pequenos. Douglas trabalhava com entregas e divulgação do estabelecimento, enquanto Caio conciliava os estudos com as atividades da família.

"Ele entregava comida, entregava lanche, fazia propaganda da loja. Sempre foi assim. O Caio estava estudando. A professora dele veio ao enterro e contou que ele tinha passado de ano. Ele estava feliz", relatou a mãe.

A comerciante também comentou os rumores de que os irmãos teriam sido confundidos com integrantes da milícia por traficantes do Comando Vermelho, hipótese que circula entre moradores da região. Ela preferiu não apontar responsáveis, mas reforçou que cabe às autoridades esclarecer o caso.

"Eles foram confundidos. Cabe às autoridades fazer a investigação. Eu não posso ficar apontando ninguém. Moro em comunidade, preciso continuar trabalhando e levando meu sustento", afirmou.

O ataque aconteceu por volta das 17h de sexta-feira, na Rua André Rocha, nas proximidades da comunidade Dois Irmãos. Tânia contou que estava dentro da lanchonete quando ouviu os disparos. Os filhos conversavam do lado de fora.

"Foi tudo muito rápido. Eu estava trabalhando quando ouvi os tiros. Quando olhei, vi meu filho mais novo caído. Não tive reação. Fiquei paralisada", lembrou.

Além dos irmãos, uma criança de 12 anos teve a mochila atingida por um disparo e um homem identificado como George de Lima Passos, de 60 anos, ficou ferido. O menino não sofreu ferimentos e já recebeu alta. George permanece internado no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, com estado de saúde estável.

De acordo com relatos de testemunhas, criminosos chegaram em um carro amarelo e abriram fogo contra os irmãos antes de fugir.

Ao falar sobre a perda dos filhos, Tânia também chamou atenção para a violência enfrentada por moradores de comunidades e cobrou mais investimentos em segurança pública.

"Está tudo muito perigoso. As autoridades precisam olhar mais para as pessoas humildes. Quantas famílias passam por isso todos os dias? Quantas mães perdem seus filhos? Isso precisa parar", desabafou.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) conduz as investigações. Segundo a Polícia Civil, diligências seguem em andamento para identificar os autores do ataque e esclarecer a motivação do crime. Até o momento, nenhuma linha de investigação foi descartada.
*Colaborou Carlos Elias Júnior