Casas atingidas por projéteis, chão ensanguentado e até um portão depredado. Esse foi o cenário mostrado pelo ator Marcos Henrique Jr., que integra o elenco das séries "Arcanjo Renegado", do Globoplay, e "Impuros", da Disney+, após a operação da Polícia Militar no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Em vídeos publicados nas redes sociais, o artista, que mora na comunidade, relatou que os confrontos entre policiais e criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP) começaram por volta de 1h15 desta segunda-feira (28).
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"Ninguém dormiu aqui na Maré. A operação policial começou 1h15 da manhã, com muitas pessoas na rua. Eu desci aqui agora, porque deu uma acalmada, mas [foi] muito tiro", disse o ator.
Nos vídeos, Marcos Henrique mostrou projéteis espalhados pelo chão e marcas deixadas pelos disparos nas paredes das casas. Em outro momento, é possível ver um corredor entre as residências com uma grande quantidade de sangue no chão.
Segundo o ator, um dos disparos atingiu o parapeito de uma janela e perfurou a parede da casa. Preocupado com os vizinhos que precisaram sair para trabalhar em meio ao tiroteio, ele fez um alerta nas redes sociais. "Quem conseguiu sair da comunidade, tenha muito cuidado ao retornar. Quem permanece dentro, fique atento e evite circular sem necessidade. Apesar de o clima estar mais tranquilo, ainda podem haver confrontos a qualquer momento", avisou.
Segundo a PM, a operação começou nas primeiras horas da manhã com o objetivo de combater a atuação de criminosos e reprimir atividades relacionadas ao tráfico de drogas e à circulação de armas na região.
A ação reuniu cerca de 200 policiais militares de unidades especializadas. Durante a incursão, foram apreendidos 12 fuzis, oito pistolas, além de granadas, munições e 42 carregadores. Os policiais também recuperaram seis veículos e apreenderam uma grande quantidade de drogas.
Ao todo, 16 criminosos foram presos, sendo oito deles feridos e socorridos. Três suspeitos morreram em confronto. Um adolescente deu entrada no Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde foi atendido e liberado. Um policial militar também ficou ferido durante a ação.
O policiamento permanece reforçado na região.
Retaliação
Em retaliação à ação policial, criminosos do TCP sequestraram dois ônibus escolares e os usaram como barricadas na Linha Vermelha, perto do acesso à Rodovia Washington Luís, na altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Os alunos eram da Escola Eleva, da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, e seguiam para uma excursão em Vassouras, no Sul Fluminense.
Peixão pode estar por trás de ordem
A polícia investiga se a represália foi ordenada pelo criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa, o "Peixão". Essa não foi a primeira vez que o nome do criminoso é relacionado a ocorrências dessa natureza na cidade do Rio. Em outubro do ano passado, a Polícia Civil abriu mais um inquérito contra Álvaro Malaquias para investigar se ele cometeu terrorismo. O tiroteio na Avenida Brasil, no dia 24 daquele mês, motivou a abertura de mais uma investigação contra o chefe do tráfico de drogas do Complexo de Israel. Na ocasião, três inocentes foram baleados e mortos em uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro.
Contra Peixão constam 20 mandados de prisão por crimes como homicídio, tortura, associação ao tráfico, roubos e ocultação de cadáver. Ele atualmente é considerado foragido da Justiça.
À época, segundo a Polícia Militar, criminosos comandados por Álvaro Malaquias teriam recebido ordens para atirar contra a Avenida Brasil durante uma operação no Complexo de Israel. O objetivo era tirar o foco dos PMs envolvidos na incursão ao conjunto de comunidades. A estratégia dos traficantes fez a PM recuar.
A reportagem tenta localizar a defesa de Álvaro Malaquias. O espaço está aberto para manifestação.
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