O turista mexicano pulou sobre o capô do carro para tentar evitar a fuga dos vagabundos, mas o motorista acelerou, e ele caiu e bateu a cabeça Reprodução

A Justiça do Rio converteu em preventiva a prisão de Guilherme do Nascimento Pinto, um dos envolvidos na morte do turista mexicano Carlos Hernandez Ortiz, de 28 anos, ocorrida na região da Pedra do Sal, no Centro, na madrugada da última terça-feira (29). Segundo as investigações, o grupo tinha o costume de praticar roubos na localidade e vender os pertences no Complexo da Maré, na Zona Norte.

De acordo com a decisão, Guilherme exercia a função de motorista da quadrilha que abordou a vítima e outros dois amigos. Na ocasião, ele dirigia um Chevrolet Onix preto e teria buscado os comparsas Lucas Ferreira Sousa, no acesso ao Complexo do Chapadão, na Zona Norte, e Alexandre de Brito Pires, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em seguida, os três seguiram para a Pedra do Sal, onde costumavam roubar frequentadores da região.

Na ocasião, ao avistarem três jovens turistas estrangeiros caminhando, Lucas e Alexandre desembarcaram do veículo e se aproximaram das vítimas, simulando uma abordagem amistosa, abraçando os alvos e dançando antes de roubar celulares e outros pertences deles.

Ao perceber o roubo, Carlos entrou na frente do carro e subiu no capô na tentativa de impedir a fuga dos criminosos. Na sequência, Lucas entrou no banco traseiro e Alexandre no banco dianteiro, mandando Guilherme arrancar com o automóvel.

“O custodiado Guilherme, mesmo ciente da presença da vítima debruçada sobre o capô do veículo, efetuou arrancada brusca em alta velocidade, ‘cantando pneus’, projetando com extrema violência o ofendido contra o pavimento asfáltico. Em decorrência do violento impacto, a vítima Carlos bateu a cabeça contra o solo e sofreu graves lesões encefálicas, vindo a óbito no Hospital Municipal Souza Aguiar”, diz um trecho da decisão.

Após o roubo, o grupo fugiu até a comunidade da Maré para tentar comercializar os bens roubados e retornaram ao centro da cidade, momento em que foram abordados por agentes federais na esquina da Rua Sacadura Cabral com a Rua Edgar Gordilho. Alexandre e Lucas fugiram a pé, enquanto Guilherme acabou preso enquanto dirigia o automóvel.

Segundo o laudo pericial, Carlos morreu em decorrência de “hemorragia subaracnóidea por traumatismo craniano”, causada por “ação contundente”, após bater a cabeça no chão.

Na delegacia, Guilherme detalhou sua participação no crime. Segundo o depoimento, ele permaneceu ao volante enquanto os comparsas abordavam os turistas e admitiu ter acelerado o veículo depois que Carlos subiu no capô, provocando a queda da vítima. Ele também relatou que o grupo seguiu para o Complexo da Maré na tentativa de vender os celulares roubados e afirmou já ter participado de outras cinco ou seis ações semelhantes. Ele revelou ainda que recebia R$ 500 por ação, durante as quais o grupo costumava roubar entre oito e nove celulares por dia.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.