O turista mexicano pulou sobre o capô do carro para tentar evitar a fuga dos vagabundos, mas o motorista acelerou, e ele caiu e bateu a cabeça Reprodução
De acordo com a decisão, Guilherme exercia a função de motorista da quadrilha que abordou a vítima e outros dois amigos. Na ocasião, ele dirigia um Chevrolet Onix preto e teria buscado os comparsas Lucas Ferreira Sousa, no acesso ao Complexo do Chapadão, na Zona Norte, e Alexandre de Brito Pires, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em seguida, os três seguiram para a Pedra do Sal, onde costumavam roubar frequentadores da região.
Na ocasião, ao avistarem três jovens turistas estrangeiros caminhando, Lucas e Alexandre desembarcaram do veículo e se aproximaram das vítimas, simulando uma abordagem amistosa, abraçando os alvos e dançando antes de roubar celulares e outros pertences deles.
Ao perceber o roubo, Carlos entrou na frente do carro e subiu no capô na tentativa de impedir a fuga dos criminosos. Na sequência, Lucas entrou no banco traseiro e Alexandre no banco dianteiro, mandando Guilherme arrancar com o automóvel.
“O custodiado Guilherme, mesmo ciente da presença da vítima debruçada sobre o capô do veículo, efetuou arrancada brusca em alta velocidade, ‘cantando pneus’, projetando com extrema violência o ofendido contra o pavimento asfáltico. Em decorrência do violento impacto, a vítima Carlos bateu a cabeça contra o solo e sofreu graves lesões encefálicas, vindo a óbito no Hospital Municipal Souza Aguiar”, diz um trecho da decisão.
Após o roubo, o grupo fugiu até a comunidade da Maré para tentar comercializar os bens roubados e retornaram ao centro da cidade, momento em que foram abordados por agentes federais na esquina da Rua Sacadura Cabral com a Rua Edgar Gordilho. Alexandre e Lucas fugiram a pé, enquanto Guilherme acabou preso enquanto dirigia o automóvel.
Segundo o laudo pericial, Carlos morreu em decorrência de “hemorragia subaracnóidea por traumatismo craniano”, causada por “ação contundente”, após bater a cabeça no chão.
Na delegacia, Guilherme detalhou sua participação no crime. Segundo o depoimento, ele permaneceu ao volante enquanto os comparsas abordavam os turistas e admitiu ter acelerado o veículo depois que Carlos subiu no capô, provocando a queda da vítima. Ele também relatou que o grupo seguiu para o Complexo da Maré na tentativa de vender os celulares roubados e afirmou já ter participado de outras cinco ou seis ações semelhantes. Ele revelou ainda que recebia R$ 500 por ação, durante as quais o grupo costumava roubar entre oito e nove celulares por dia.

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