Famílias da Ocupação Luiza Mahin aguardam liberação para voltar ao prédioReginaldo Pimenta

Famílias da Ocupação Luiza Mahin, que tiveram seu prédio atingido por um incêndio neste sábado (10), no Rio Comprido, na região central da capital, aguardam liberação da Defesa Civil Municipal para voltar ao edifício. O grupo está recebendo doações de alimentos, roupas e colchonetes.
Na manhã deste domingo (11), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), responsável pela ocupação, informou que as famílias recusaram os abrigos disponibilizados por assistentes sociais, pois os locais seriam moradias temporárias e enfrentariam problemas de insalubridade. Os ocupantes desejam continuar no prédio.
Enquanto não recebem liberação para retornar ao local, as pessoas se abrigam na calçada e em um imóvel anexo ao edifício.
Nas redes sociais, o MLB pediu a ajuda da população com doações de alimentos, água e colchonetes. Neste domingo (11), populares entregaram às famílias galões de água, pães e roupas. As contribuições também podem ser feitas por PIX, utilizando o e-mail lutanosbairrosrj@gmail.com, divulgado pelo movimento.
A área do prédio foi interditada pela Defesa Civil Municipal. Agentes estiveram no local neste domingo para uma nova avaliação e mantiveram o prédio interditado. A assessoria do MLB informou que engenheiros de movimentos sociais se reuniram para ter um consenso justo e seguro para todos.
A reportagem enviou um e-mail para a Defesa Civil, às 8h14, mas ainda não recebeu retorno. O espaço está aberto para manifestação.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e a Polícia Civil também foram procuradas, em e-mails enviados às 8h16 e 8h15, respectivamente. As instituições também não responderam até o momento.
Ainda não há informações sobre a causa do incêndio.

Relembre o caso

O incidente ocorreu por volta das 16h, na Rua Santa Alexandrina. Segundo o Corpo de Bombeiros, equipes controlaram as chamas cerca de uma hora e meia depois. Não houve registro de vítimas.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram fumaça saindo de pavimentos superiores e fogo na parte interna do edifício. O prédio pertence à União e já foi usado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

A ocupação Luiza Mahin começou em 7 de agosto deste ano, quando cerca de 100 famílias ligadas ao MLB passaram a viver no local. O movimento afirma que a iniciativa busca oferecer moradia a quem enfrenta dificuldades para pagar aluguel ou que não conseguem acesso a programas habitacionais.
Apesar de ser conhecido como antigo prédio do Inmetro, o imóvel não pertence ao instituto. De acordo com esclarecimento publicado pelo próprio órgão, o edifício era cedido para uso da instituição desde 1992 e foi devolvido à Secretaria do Patrimônio da União em 2022, que é a proprietária do espaço.

O edifício também esteve no centro de uma disputa judicial após a ocupação. Em agosto, a Justiça Federal determinou a reintegração de posse, sem autorizar a retirada imediata dos moradores. O Ministério Público Federal solicitou à Polícia Federal a abertura de investigação sobre episódios de ocupação e possíveis danos ao patrimônio.