Preso liderava esquema de abuso sexual de menoresReprodução/Polícia Civil

A Polícia Civil prendeu, no sábado (10), dois investigados por participação em uma organização criminosa suspeita de explorar sexualmente crianças e adolescentes. Apontado como líder do grupo, Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, foi localizado na Gávea, Zona Sul. Mariana de Oliveira Minas foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Uma terceira investigada, Ariane Minas, filha de Mariana, é considerada foragida.
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As prisões foram realizadas por agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), na segunda fase de uma operação que começou com a investigação do advogado e professor universitário Cordovil Antônio Nogueira Martins. O avanço das apurações levou os policiais a identificar outros suspeitos de integrar uma rede estruturada de aliciamento e exploração de menores.

Segundo a Polícia Civil, Luiz Alberto é funcionário público e teria atuado como um dos principais articuladores do esquema. Os investigados utilizariam aplicativos de mensagens para oferecer crianças e adolescentes de ambos os sexos em troca de dinheiro ou benefícios materiais, como celulares e financiamento de eventos.

A investigação também identificou festas nas quais, segundo os policiais, ocorriam abusos sexuais. Entre os episódios apurados estão relatos de violência contra crianças muito pequenas, inclusive um bebê de cinco meses.

Mães são investigadas por participação no esquema


A polícia apura ainda a suspeita de que mães tenham entregado as próprias filhas para exploração sexual em troca de pagamentos. De acordo com as investigações, as vítimas eram submetidas à prostituição e a diferentes formas de abuso.

Os três alvos de pedidos de prisão temporária expedidos pela Vara Especializada em Crianças e Adolescentes (Veca) são investigados por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa, conforme informações da delegada titular da DCAV, Maria Luiza Machado. Luiz Alberto também responde por suspeita de armazenamento de material de abuso sexual infantojuvenil.

Investigação começou com prisão de professor



O caso teve como um dos primeiros alvos Cordovil Antônio Nogueira Martins, de 78 anos, advogado e professor universitário de Direito Penal preso em março, no Grajaú, na Zona Norte. Em maio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o investigado por estupro de vulnerável, exploração sexual e produção e divulgação de material pornográfico.

Segundo a apuração divulgada anteriormente, Cordovil teria se aproveitado da confiança de famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica para aliciar crianças e adolescentes, oferecendo vantagens como lanches e presentes. Os crimes denunciados teriam ocorrido entre 2020 e 2025 e envolvido ao menos três vítimas, com idades entre 10 e 17 anos.

Na ocasião, investigadores informaram ter encontrado mais de oito mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes no celular do professor. Ele também é investigado por produção, armazenamento e compartilhamento desse tipo de material.

A Polícia Civil continua as diligências para localizar a terceira investigada e identificar outros possíveis integrantes e consumidores da rede. As acusações contra os suspeitos ainda são objeto de investigação e de procedimentos judiciais.
A reportagem de O DIA tenta contato com a defesa de Luiz Alberto Martins Sobrinho, Mariana de Oliveira Minas, Ariane Minas e de Cordovil Antônio Nogueira Martins. O espaço está aberto para manifestações