Itaperuna: em busca de identidade

Vocações podem ser conhecidas em lugares mais afastados do estado a partir de propostas de eventos

Por O Dia

Rio - A terceira maior produção de charque do país. O leite, que representa 27% da fabricação do estado. As quatro estações de água mineral do distrito de Raposo, que atraem pessoas da terceira idade de todo o país para os 580 apartamentos nos hotéis da região. A extensa fabricação do distrito de Boaventura, conhecido como a capital da bermuda. As feiras de atacado, que atraem sacoleiros para a cidade. E ainda há a forte influência da culinária mineira, devido à proximidade com o estado vizinho em um município onde é comum ver homens a cavalo em meio aos veículos na rua.

São algumas das vocações da região apontadas pelo Mapa Estratégico do Comércio, do Sistema Fecomércio RJ. O evento terminou ontem, deixando como legado a necessidade de agrupar essas ideias em torno de um projeto voltado para o crescimento local, como a criação de um calendário de eventos. A iniciativa surgiu em meio às discussões entre representantes locais em um grupo de trabalho, coordenado pela FGV Projetos, que participa da elaboração do Mapa.

Mapa destacou a necessidade agrupar ideias para crescimento local%2C como criação de calendário de eventosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Até mesmo o perfil dos envolvidos chamou a atenção dos pesquisadores. “Além de empresários e representantes do poder público, havia a participação de professores universitários, interagindo e querendo ajudar. Porque eles estão formando o profissional que pode intervir. Foi um grupo com um perfil que trouxe diferentes perspectivas”, analisa Claudio Osias, consultor da FGV Projetos.

Outra ideia que apareceu foi a proposta de criar um roteiro turístico voltado ao ciclismo. “Esse tipo de ideia pode ajudar a envolver todo o município num só projeto. É uma grande sacada, porque não é só mobilidade. E traz todas as vocações da cidade, desconhecidas em lugares mais afastados. O ciclista vem aqui, mas não sabe do queijo e do leite. Aí, pode ir a uma fazenda e consumir esses produtos, num projeto maior. Se Itaperuna ficar conhecida como a cidade do queijo e do leite, o crescimento econômico pode ser considerável. E cria uma identidade para essa cidade”, argumenta Osias.

O empresário Edmilson Ladeira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Itaperuna, também defende essa ideia. Foram apresentadas 145 propostas. Com a soma das ideias levantadas nas outras etapas, já são 892 sugestões, numa média superior a 111 ideias por município. O Mapa já passou por Angra dos Reis, Miguel Pereira, Três Rios, Volta Redonda, Barra do Piraí, Valença e Teresópolis.

O resgate do médico de família

Itaperuna tem uma população flutuante de cerca de oito mil universitários de outros municípios. Mas há um dado mais curioso, que ajuda a firmar uma identidade de formação profissional de médicos. Entre as cidades do interior do país, só Itaperuna e Vitória da Conquista (BA), possuem duas faculdades de Medicina.

A primeira a chegar foi a Universidade Iguaçu (Unig), há duas décadas. A Faculdade Redentor foi inaugurada há 14 anos. Mas o curso de Medicina só começou no segundo semestre de 2015, com uma filosofia de educação que deve auxiliar a economia nos próximos anos.

“Queremos resgatar a proposta do médico de família. Os nossos alunos não estão no hospital. Eles estão tratando das suas patologias nas casas das pessoas. A ideia é ajudar a desonerar o SUS”, argumenta André Raeli, diretor da Faculdade Redentor.

Em cinco anos, a estimativa é que 160 médicos se formem por ano. A metade será da Faculdade Redentor, onde há alunos do ProUni e do Fies, programas federais de acesso ao Ensino Superior privado. “Queremos alavancar potencialidades regionais”, projeta Raeli.

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