Produtos de Valença estão no mercado nacionalFoto: Secretaria de Agricultura, Pesca e Pecuária

Por trás de cada queijo artesanal de qualidade reconhecida e de cada doce de leite que conquista novos consumidores, existe um trabalho de inspeção sanitária e regularização da produção. Em Valença, essa atuação tem como um de seus principais pilares o Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal (SIMPOA), vinculado à Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Pecuária (SMAPP). O resultado já pode ser medido: 38 produtos do município receberam numeração nacional dos selos de identificação artesanal, e o trabalho integrou a base técnica que levou Valença a vencer a etapa estadual do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora em 2026.
O serviço é conduzido pelo médico-veterinário Fábio Antônio de Barros Vicente, que também é subsecretário municipal de Agricultura, Pesca e Pecuária. O SIMPOA responde pelo registro, pela inspeção e pela fiscalização dos estabelecimentos e produtos de origem animal sob competência municipal, o que inclui leite e derivados, carnes, pescado, ovos, mel e outros produtos das abelhas.
Os selos ARTE e Queijo Artesanal ampliam as possibilidades comerciais dos produtores. Quando cumprem os requisitos, os alimentos certificados podem ser vendidos em todo o território nacional, o que permite chegar a feiras, lojas especializadas, restaurantes e consumidores de outras regiões. O Selo ARTE contempla diferentes alimentos artesanais de origem animal, como queijos, doces de leite, produtos cárneos, pescado e derivados das abelhas. Já o Selo Queijo Artesanal é voltado exclusivamente aos queijos feitos por métodos tradicionais, com vínculos territoriais, regionais ou culturais.
Para obter as certificações, os estabelecimentos precisam estar registrados em serviço oficial de inspeção, comprovar boas práticas de fabricação, identificar a origem das matérias-primas e documentar os processos produtivos. “O SIMPOA participa verificando a regularidade sanitária, avaliando as condições de fabricação, emitindo os documentos de sua competência e analisando a documentação que demonstra a artesanalidade”, explica Fábio Antônio de Barros Vicente. O trabalho conta com a parceria de instituições como EMATER-RJ, SEBRAE-RJ, SENAR-RJ, FAA/UNIFAA e CEFET, campus Valença.
Em 2025, cinco agroindústrias valencianas conquistaram o Selo ARTE para 17 produtos, sendo 14 queijos e três doces de leite, por meio dos Despachos MAPA nº 143 e nº 144, assinados em 10 de julho daquele ano. Em 2026, outros 21 produtos foram contemplados, elevando o total para 38. Do conjunto, 26 têm numeração do Selo ARTE e 12 do Selo Queijo Artesanal.
Entre os reconhecimentos mais recentes, o Sítio Vale do Vento, de Lucas Hipolito Machado, obteve o Selo ARTE para seis produtos, entre eles Queijo Minas Frescal, Queijo de Coalho, Ricota e Doce de Leite. A Queijaria Latte Buono, de Eduardo Henrique Lo Buono Moreira, teve cinco produtos contemplados, incluindo os queijos Barão de Juparanã e Princesa da Serra e a Mozzarella de Búfala. O Capril do Lago, de Fabrício Le Draper Vieira, teve reconhecidos cinco produtos de leite de cabra, e a Queijaria Esperança, de Rosangela Pinheiro Seabra, conquistou numeração para cinco queijos, como o Conservatória e o Locomotiva 206.
O trabalho serviu de base para o projeto “Valença Capital do Queijo: Empreendedorismo Rural e Turismo”, vencedor da etapa estadual da 13ª edição do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, na categoria Empreendedorismo Rural, em 16 de abril de 2026. Os selos ajudaram a demonstrar a organização dos produtores, a evolução da regularização sanitária e o potencial dos alimentos locais para alcançar novos mercados.
Além do aspecto comercial, a inspeção protege a saúde do consumidor. A fiscalização acompanha desde a procedência das matérias-primas até a fabricação, o armazenamento e a expedição, avaliando instalações, higiene, temperaturas de conservação, rotulagem e registros de produção. A rastreabilidade permite agir rapidamente caso algum problema seja identificado. A atuação é amparada pela Lei Municipal nº 2.827/2014 e pelo Decreto Municipal nº 217/2023. Ao comprar queijos, doces de leite e outros produtos de origem animal, o consumidor deve observar o selo de inspeção, a identificação do produtor, o prazo de validade e as condições de conservação.
Para os próximos passos, a perspectiva é estender o trabalho a outras cadeias, como charcutaria, embutidos, mel e derivados das abelhas, que poderão buscar o Selo ARTE se cumprirem os critérios. Também estão previstas a ampliação da regularização dos estabelecimentos, a continuidade das capacitações em boas práticas, o aperfeiçoamento dos controles de produção e da rastreabilidade e a preparação do SIMPOA para solicitar equivalência ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA). Essa última etapa depende do cumprimento dos requisitos e da avaliação pelos órgãos competentes.