Pesquisadores brasileiros fazem novas descobertas sobre a doença de Alzheimer

Estudos no exterior buscam formas de diagnóstico antes do aparecimento dos primeiros sintomas

Por Bernardo Costa

O doutor Adriano de Assis, da Universidade de Pelotas, realiza pesquisas sobre a Doença de Alzheimer
O doutor Adriano de Assis, da Universidade de Pelotas, realiza pesquisas sobre a Doença de Alzheimer -

Rio - O Alzheimer atinge 1,2 milhão de pessoas no país, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer. Com o aumento da expectativa de vida nos próximos anos, a tendência é que os casos aumentem, já que a doença costuma afetar quem tem mais de 65 anos. No campo científico, pesquisadores brasileiros estão obtendo destaque internacional em estudos que buscam diagnosticar os primeiros sintomas. Eles fazem a ponte entre universidades do Brasil, dos EUA e da Suíça, onde estão sendo feitas novas descobertas.

Lea Grinberg, do Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral da USP, lidera uma equipe de estudiosos que detectou as áreas iniciais do cérebro afetadas pela doença. A região, explica a doutora, regula o sono e as emoções. "Isso representa uma mudança de paradigma, pois acreditava-se que as alterações no sono e a depressão fossem fatores de risco. Mas mostramos que são sintomas da doença de Alzheimer em sua fase inicial, antes da manifestação da perda da memória e desorientação", explica a pesquisadora, que chegou à constatação após a análise de mais de 2 mil cérebros doados à USP.

O próximo passo é o diagnóstico. Essa etapa do estudo está sendo feita na Universidade da Califórnia, nos EUA. "O objetivo é encontrar uma forma de identificar essas lesões iniciais por exame simples de ressonância magnética. Assim, pode ser que os medicamentos testados em fases posteriores do Alzheimer, que não deram certo, possam surtir efeito", diz a pesquisadora Lea Grinberg.

Cientistas da USP trabalham no Biobancopara Estudos no Envelhecimento: mais de 2 mil cérebros foram analisados desde 2015 - Divulgação

Adriano de Assis, da Universidade Católica de Pelotas, está de malas prontas para a Suíça. Em novembro, ele tentará demonstrar que o déficit de energia nos neurônios pode ser o primeiro passo para o desenvolvimento da doença. "Vamos deletar in vitro os transportadores de energia para as células cerebrais. Se houver depósito das proteínas tóxicas que causam Alzheimer, conseguiremos provar nossa teoria", conta Adriano de Assis.

Maíra Bicca, que atua na Northwestern University, nos EUA, identificou que a proteína TRPA1 aparece em grande volume no cérebro de pessoas com Alzheimer. "Precisamos ainda de mais estudos. Mas é possível que, como essa proteína está aumentada no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer, se possa detectá-la por imagem, com utilização de sonda. Isso vai ajudar os médicos a chegarem a um diagnóstico mais certeiro", explica a doutora.

Nesta quarta-feira, confira matéria sobre os primeiros sinais da doença, e dicas sobre como lidar com pessoas com Alzheimer 

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O doutor Adriano de Assis, da Universidade de Pelotas, realiza pesquisas sobre a Doença de Alzheimer Rita Witch/Divulgação
Letícia P. Rabelo e Gabriela Oda, alunas de iniciação científica da faculdade de medicina no laboratório de envelhecimento fazendo manipulação de encéfalos no banco de encéfalos. foto Cecília Bastos Divulgação
Cientistas da USP trabalham no Biobancopara Estudos no Envelhecimento: mais de 2 mil cérebros foram analisados desde 2015 Divulgação
A doutora Lea Grinberg lidera grupo de pesquisadores da USP que apontou as primeiras regiões do cérebro atingidas pela doença Divulgação
A pesquisadora Maíra Bicca descobriu que a proteína TRPA1 aparece em grande quantidade no cérebro de pessoas com a doença de Alzheimer Divulgação

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