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Por Benedito Adeodato Sociólogo e decano do CCJP da Unirio
Publicado 08/01/2018 17:26 | Atualizado 08/01/2018 22:27

O Estado do Rio de Janeiro representa uma espécie de ícone para o turismo do país, pois é reconhecido mundialmente e porta de entrada para o visitante do país.

O Rio de Janeiro tem baseado sua atividade turística em uma intensificação do turismo de eventos, principalmente por ser mundialmente conhecido pelo carnaval, pelo Rock in Rio, e, nacionalmente, pelo réveillon, além de ter sido sede de vários megaeventos internacionais que movimentaram a cidade e promoveram visibilidade.

Há toda uma proposta formulada pelos empresários no sentido de o Rio de Janeiro criar um calendário que preveja eventos o ano inteiro. Essa, sem dúvida, é uma boa ideia. Entretanto, ela não rompe com a lógica estanque, evento independente após evento independente. O que se pretende é que eventos isolados sejam frequentes, mas que produzam uma cadeia integrada de entretenimentos que possam ser usufruídos permanentemente.

O turismo no Rio de Janeiro tem se baseado nos chamados grandes eventos, entre os quais o Carnaval é o maior exemplo, atraindo uma multidão por poucos dias, transformando a rotina da cidade, mas pouco contribuindo para as finanças públicas e para a geração de emprego e renda permanentes, se observarmos o potencial.

Esses grandes eventos acabam por envolver uma cadeia produtiva freelancer, ou mesmo informal, extremamente dependentes de atrações temporárias, que enriquecem o(s) principal(ais) produtor(es) mas que dada a informalidade e precariedade dos eventos não gera vínculos trabalhista, pecuniário, tributário e de infraestrutura mais permanentes capazes de justificar políticas públicas de primeira ordem e grandeza.

Não se quer dizer com isso que estes sejam ruins e que deveriam acabar ou serem restringidos. Ao contrário, o que se pretende é ampliar o alcance desses megaeventos atrativos. O carnaval, como principal destaque, deve ganhar estruturas produtiva e turística permanentes.

A proposição é que a indústria do Carnaval no Rio de Janeiro abandone a sua estrutura tradicional e informal, caracterizada pelo amadorismo de suas relações trabalhistas e empresariais, e venha a ocupar um lugar de destaque na produção de arte, conteúdo, emprego e negócios tipicamente capitalistas e seja um uma indústria desenvolvida sob a égide de uma ação empreendedora formal. Em outras palavras, o que se pretende é que a indústria do carnaval se estruture para produzir e ser consumida o ano inteiro, com estrutura física adequada, ergonômica, moderna e com relações trabalhistas formais.

Estamos falando de um conceito de parque industrial e temático ampliados, porque conjugados para servir não apenas às escolas de samba, seus fornecedores, artistas e produtores, mas também ao público em geral, alunos das escolas públicas e privadas, pesquisadores e turistas. Cariocas de nascimento e/ou alma, enfim...

Fábrica de produção de equipamentos, instrumentos, ornamentos e carros alegóricos, por exemplo, funcionando em instalações modernas, apoiadas por empresas de alta tecnologia, pequenos e médios fornecedores, convivendo com um Museu do Carnaval, atividades em que o público possa interagir permanentemente com essa produção, com reprodução animada de desfiles, alas, confecção, como se estivessem em um parque temático nos moldes internacionais, adaptado e com mais interação.

Imaginem um aluno de escola pública visitando o ambiente e aprendendo a tocar um instrumento, como se estivesse se preparando para o desfile, ou outra se divertindo como se fosse porta-bandeira; quem sabe um turista participando de um treinamento como partícipe de ala, ou bordando um adereço?; Ainda, um professor pesquisando estética in loco. Enfim, são inúmeras as possibilidades.

Hoje, quando se vai a Amsterdã, visita-se a "fábrica" da Heineken, observa-se como se produz cerveja e suas variações, prova-se o chope, acompanha-se a evolução dos equipamentos, entre outras atividades. O mesmo acontece, por exemplo, quando se visita à Disney. Os filmes ali desenvolvidos ganham vida real, pode-se ver como são produzidos e também como se inserir no ambiente daquela fantasia. Atrações turísticas lúdicas por excelência. Tanto um empreendimento como o outro funcionam o ano inteiro, produzem trabalho e renda formal, agregam cultura e entretenimento a experiências pessoais. Representam uma atividade econômica totalmente formal, integrada e pujante. Esse é o turismo que queremos!

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