Representantes das polícias Civil, Militar e Federal se encontraram na tarde de ontem, no CICC - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Representantes das polícias Civil, Militar e Federal se encontraram na tarde de ontem, no CICCDaniel Castelo Branco / Agência O Dia
Por JONATHAN FERREIRA
Publicado 16/01/2018 03:00 | Atualizado 16/01/2018 09:07

Rio - As rajadas de tiros disparadas por policiais civis de uma aeronave que sobrevoava a comunidade do Jacarezinho, no domingo, não tiveram nenhuma explicação ontem, mesmo após uma reunião com representantes das forças de segurança do Rio. Apesar de ter feito a convocação, o secretário Roberto Sá não participou do encontro, que ocorreu no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). A assessoria de imprensa também não se pronunciou sobre a atuação da polícia e limitou-se a informar, por nota, que determinou à Corregedoria a instalação de procedimento para apurar os fatos.

A ação da polícia civil na comunidade foi criticada por especialistas em segurança por colocar a vida dos moradores e de PMs da UPP em risco. De acordo com o ex-capitão do Bope, Paulo Storani, falta uma norma institucional para definir qual a finalidade do uso de aeronaves em operações policiais.

"É preciso definir se os helicópteros serão usados como plataforma de observação ou de tiro", ressaltou. Storani afirmou que os policiais civis cometeram um erro técnico ao disparar da aeronave e lembrou que os tiros poderiam ter atingido inocentes. "O tiro tem que ser dado quando a possibilidade de atingir terceiros seja mínima. Para efetuar o disparo existem condições, e uma uma delas é a necessidade de estar em uma postura estabilizada, para diminuir o erro", explicou.

As operações no Jacarezinho começaram na sexta, após o assassinato do delegado Fábio Monteiro, de 38 anos. Storani defendeu a necessidade de operações para identificar e capturar os suspeitos pelo crime. "Tem que ser feito algo dentro da ordem, e não dessa forma que vimos no helicóptero", ressaltou. O ex-comandante-geral da PM e coordenador de segurança humana do Viva Rio, Ubiratan Ângelo, criticou a falta de integração entre as policias. "Isso é fruto de uma ação não coordenada pela secretaria de segurança".

Na reunião realizada ontem, entre membros da Secretaria de Estado de Segurança e das polícias Civil, Militar e Federal, foi definido que haverá reforço no policiamento na área coberta pelo 3ª BPM (Méier), responsável por 22 bairros da Zona Norte, incluindo o Jacarezinho. Sobre a ausência de Sá ao encontro, a assessoria de imprensa alegou que ele estava cumprindo outra agenda.

Ontem, a gerência da Clínica da Família Anthídio Dias da Silveira, no Jacarezinho, informou que a unidade foi alvejada por tiros no domingo. No ocasião, a clínica estava fechada. Equipes de manutenção estiveram no local para avaliar possíveis danos estruturais.

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