Flávia Lyra estreia como rainha de bateria da Imperatriz

'Sou pé no chão!', diz bombeira e estudante de direito

Por Gabriel Sobreira

Flávia Lyra, a rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense
Flávia Lyra, a rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense - Reprodução

Rio - Flávia Lyra, 29 anos, jura que nunca se imaginou no posto de rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, escola na qual desfila há seis anos como componente de carro. Mas na madrugada de hoje para amanhã, à 1h35, a 1º tenente do Corpo de Bombeiros pisa na passarela do samba à frente da Swing da Leopoldina - como é conhecida a bateria da agremiação.

"Estou contando os minutos, os segundos. Sou ansiosa por natureza. Já tive até insônia por causa de desfile. Fico pensando em como vou apresentar a bateria na frente dos jurados, como vai ser sambar com a fantasia, cujo costeiro é um pouco grande, mas é muito elegante e imponente. Não está mostrando demais e é sensual", antecipa a rainha. "Não vai ser gigante, nem pequena e será ligada ao enredo ('Uma Noite Real no Museu Nacional'). A fantasia é uma das partes que as pessoas mais gostam de visitar no Museu Nacional", entrega, aos risos, em tom misterioso.

CRIA DA COMUNIDADE

Moradora de Olaria ("Fica perto da quadra", diz), Flávia comemora o fato de a agremiação ter escolhido uma pessoa da comunidade. O posto de rainha de bateria já foi ocupado por nomes como Luiza Brunet, Luciana Gimenez e Cris Vianna. A jovem diz que tem um peso de responsabilidade, mas não se abala. "Olho com tanta admiração e orgulho que fica mais leve. As pessoas sabem quem foram as rainhas, e não quero fazer feio. Elas deixaram uma marca, uma elegância. Quero manter tudo isso e colocar um pouco da comunidade, do samba intenso, mas respeitando esse legado que elas deixaram que irei perpetuar o máximo que eu puder", torce Flávia, que é casada com o bombeiro Fernando Ferreira. "Eu achei que ele não era ciumento. Ou melhor, ele não era ciumento até virar rainha de bateria (risos). Agora, descobri que ele é. Eu também sou ciumenta. Tem que cuidar", diz, apaixonada.

AGENDA CHEIA

A rotina de compromissos de uma rainha de bateria é intensa. Compromissos com entrevistas, ensaios, programas de TV, desfiles, festas, visitas às escolas irmãs, selfies, muitas selfies. "Ser rainha é difícil para caramba. Mas estou amando. Mesmo quando o pé está machucado. O amor pela escola supera. Ainda bem que estou de férias na faculdade e tirei 15 dias de férias no trabalho", afirma Flávia, que está no terceiro período da faculdade de Direito. "Gosto do conhecimento jurídico. Acho que é importante. Sou muito pé no chão. As pessoas querem logo ser juiz. Eu quero fazer a faculdade bem feita e não empurrar com a barriga", salienta Flávia, que é musa fitness e até venceu um concurso de fisiculturismo.

BOMBEIRA

Quando não está estudando, malhando ou representando a Imperatriz Leopoldinense, Flávia dá expediente no quartel do Corpo de Bombeiros. Ela é oficial do quadro de combate e trabalha tanto no operacional quanto no administrativo. "Dos eventos que atendemos, é muito emocionante atender incêndio. Fazer varredura, tirar pessoas. É um dos que mais gosto. Fico toda encardida, descabelada, e o cabelo fica com cheirinho de incêndio", entrega. Flávia diz que, certa vez, foi atender um evento em uma comunidade. Uma kombi perdeu o freio, bateu em um poste, e ficaram feridos e presos nas ferragens o motorista e a passageira. Ele conseguiu sair com mais facilidade, mas a moça ficou mais tempo no veículo. "Ela estava muito desesperada e isso não ajuda em nada. Além de fazer o nosso serviço, tinha que acalmar a pessoa. Quando tiramos a menina, era tanta gente nos aplaudindo. Eles nos chamavam de heróis. Isso acontece com alguma frequência. As crianças gostam muito quando veem uma bombeira", diverte-se ela, que é filha, irmã e sobrinha de militares. "Desde criança eu queria ser militar", acrescenta.

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Flávia Lyra, a rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense Reprodução
Flávia Lyra, a rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense Reprodução

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