Rio terá novo modelo de calçadas

Prefeitura garante manutenção das pedras portuguesas e abrirá escola para formação de calceteiros

Por FRANCISCO EDSON ALVES

No meio do caminho tinha uma pedra portuguesa. Solta. Uma não, muitas. Os incontáveis buracos que a cada dia aparecem nos passeios do Rio de Janeiro expõem cariocas e turistas, especialmente idosos, deficientes visuais e cadeirantes, a riscos iminentes de quedas e fraturas. E refletem falhas na manutenção dos mais de 1,2 milhão de metros quadrados desse tipo de calçamento o maior do mundo trazido de Portugal pelo prefeito Pereira Passos em 1906.

Os problemas acarretados pelas crateras em uma das belezas arquitetônicas mais tradicionais da cidade que são, em alguns trechos, como na Avenida Atlântica, tombadas como patrimônio histórico fizeram o governo municipal anunciar duas medidas: a criação de um novo modelo de calçada para o município, e a abertura de uma escola para formar calceteiros especializados em pedras portuguesas.

A Praça Serzedelo Correa, em Copacabana, será a primeira a ganhar piso em blocos pré-moldados intertravados de concreto, que deverá ser copiado nos 36 milhões de metros quadrados de pavimentos para pedestres nos bairros. A ideia é polêmica. Críticos e historiadores temem que a prefeitura passe como um rolo compressor sobre o centenário e famoso conjunto de mosaicos.

O secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), Rubens Teixeira, garantiu que a pasta vai poupar as pedras portuguesas. O secretário adiantou, porém, que áreas "já descaracterizadas" ganharão o novo padrão. A iniciativa é fruto de um Termo de Cooperação Técnica entre a Seconserma e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

"Temos grande preocupação com a questão. Faremos campanha de conscientização para que cada um entenda e assuma sua responsabilidade na manutenção de calçadas", adiantou Rubens.

O historiador Milton Teixeira sugere que associações de moradores e entidades de defesa do patrimônio arquitetônico fiscalizem de perto. "O calçamento de pedras portuguesas já está descaracterizado em muitos endereços. Sendo assim, vão meter cimento sobre artes que ajudam a contar a história do município?", questiona.

Outro historiador, Nireu Cavalcanti lembra que foi no fim dos anos 1960, que a Avenida Atlântica passou por sua última e definitiva reforma. "O artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx triplicou o tamanho das calçadas e o desenho de ondas, antes perpendicular, passou a ser paralelo à praia".

Cadeirante, a funcionária pública Monique Pegado, 33, se acidentou num buraco, em Copacabana, e machucou a testa. "Bastou um segundo de distração", lamentou. Antes, um grave acidente com a atriz Beatriz Segall, que teve o rosto todo machucado, aos 87 anos, em uma calçada da Gávea, em 2013, já chamava a atenção para o mau estado da pavimentação.

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A prefeitura tem 30 profissionais especializados na manutenção das famosas calçadas de pedras portuguesas, como a da Avenida Atlântica, símbolo da cidade e que está cheia de buracos. Para ajudar a suprir esta demanda por mão de obra, o município decidiu abrir uma escola de calceteiros. Daniel Castelo Branco
As famosas calçadas de Pedra Portuguesa estão cheias de buracos e desníveis, sem manutenção. Local: calçada em frente a Biblioteca Parque no Centro do Rio. Daniel Castelo Branco
Calçamento de pedras portuguesas está cheio de buracos na Avenida Atlântica, em Copacabana. Claudio de Souza
Buracos nas pedras portuguesas do calçadão de Copacabana Claudio de Souza

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