Jorge Felippe Neto: Pacote Pezão 2.0: Uma nova má ideia

Todos deveriam discordar da venda da Cedae, não por questão ideológica, mas por existir uma opção

Por O Dia

Rio - O ‘Pacote Pezão 2.0’ traz uma novidade ao contribuinte: a venda da Cedae. O governador, que antes se disse contrário à operação, hoje não vem a público defender seu pacote. Todos deveriam discordar da venda, não por questão ideológica, mas por existir uma opção.

A Dívida Ativa (montante que os contribuintes devem ao estado por suas dívidas vencidas) seria perdida nessa negociação. Estamos falando de cerca de R$ 60 bilhões, dos quais, se recuperados R$ 3 bilhões, já valeriam mais que as ações da Cedae.

Outra razão: a experiência nos mostra que as últimas privatizações no Rio foram deslavadas e sem limites. Na verdade, ocorreram ‘negócios da China’ para os amigos do poder. Não se pode mais admitir isso antes de passarmos o Brasil a limpo.

É uma novela que se repete desde Cabral: “Vamos reduzir corrupção privatizando”, diz parte relevante do povo, que ao fim acaba com a conta mais cara, sem a melhoria do serviço e, em geral, com a empresa saqueada. Queremos isso novamente às vésperas de 2018?

Ainda que superados os argumentos acima e o pacote passe na Alerj, restam quatro novelas. A primeira no STF, a quem o governo pede por liminar que se autorize suspender a Lei de Responsabilidade Fiscal para que o Rio se afunde em mais empréstimos com a União. Coitado o futuro governador.

A segunda junto aos 64 municípios que devem concordar com a venda da Cedae para que a garantia do empréstimo seja válida. Se um deles discordar, o presidente Temer e o ministro Henrique Meirelles ficam na desconfortável posição de decidir cumprir um acordo violado, podendo gerar a ciumeira de outros estados.

A terceira são os funcionários do estado, que, ao que tudo indica, não receberão nem o minguado parcelamento nos próximos tempos. Farão toda pressão junto aos políticos, mídia e povo.

A última mais parece um pesadelo assombroso aos corruptos, as operações Lava Jato e Calicute, que ameaçam todo e qualquer capital político do governo. Ainda dá pra corrigir um capítulo dramático, mas se depender dessa nova má ideia para não sair do governo, Pezão está com sérias dificuldades.

Jorge Felippe Neto é deputado estadual pelo DEM

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