Mitsubishi Pajero Sport - Fernando Miragaya
Mitsubishi Pajero SportFernando Miragaya
Por Fernando Miragaya

Poços de Caldas (MG) - O mundo automotivo só quer utilitários esportivos. É SUV para tudo quanto é lado e de todos os tamanhos. A maioria adotou comportamento de sedã e serve só para ir ao shopping. No máximo, para encarar aquela rua levemente alagada em alguma chuva torrencial. Por esta razão, com o novo Pajero Sport, a Mitsubishi teve de injetar altas doses de tecnologia e conforto. Mas quer provar que ainda preza pelas raízes 'off-road'.

Isso significa que nada de estrutura monobloco. O SUV médio usa chassi baseado na picape L200 para manter a robustez característica da marca japonesa. Isso ficou claro no trajeto de quase 500 km - e mais de cinco horas - para avaliação entre Mogi-Guaçu (SP) e Poços de Caldas (MG), por trechos esburacados, com terra, lama e pedra - e uma vista deslumbrante no Pico do Gavião, no sul de Minas.

SUV médio da Mitsubishi usa chassi da picape L200 - Fernando Miragaya

O Pajero Sport continua sólido para vencer vias inóspitas. A força vem do motor Mivec 2.4 turbodiesel de 190 cv, o mesmo da L200, só que com a caixa automática de oito marchas - em vez da de cinco que equipa a picape. O SUV médio está mais ágil, com engates rápidos e algumas relações mais curtas, o que é uma boa para o fora de estrada.

Obviamente, tudo em conjunto com o sistema de tração Super Select II, com quatro modos. Ao pegar o primeiro trecho de terra, acionamos o modo 4H no botão giratório do console central. Ele alterna a força entre os eixos dianteiro e traseiro, conforme a necessidade.

Quando a rota fica com terreno mais fofo e de baixa aderência, é hora de colocar em modo 4HLc. Esse bloqueia o diferencial central e distribui a tração até uma proporção de 40% na frente e 60%, atrás. Basta manter a aceleração constante que o jipão dá suas sambadas divertidas, mas não faz qualquer menção de ficar naquele lamaçal.

Modelo mantém robustez e agora vem com sete lugares - Fernando Miragaya

A mudança no raio de giro da direção com assistência hidráulica também ajuda. Com 5,6 m, o motorista faz as manobras com mais facilidade e sem precisar esterçar demais o volante. Além disso, a precisão da direção em baixas velocidades ajuda naquele desvio surpresa de alguma pedra ou buraco.

O sistema de tração ainda pode ser otimizado de acordo com o tipo de terreno que o sujeito vai encarar. São quatro opções: Gravel, Mud/Snow, Sand e Rock. Se o negócio for sério, tem a reduzida 4LLc, aconselhável para aquele verdadeiro charco. E se você conseguir atolar esse jipe, há o botão no painel que bloqueia o diferencial traseiro e promete te tirar até de areia movediça.

Desenho traseiro é esquisito e controverso, principalmente devido às lanternas - Fernando Miragaya

Para provar essa capacidade, bancamos trilheiros malucos em uma pista 'off-road' em Mogi-Guaçu, antes do test-drive para Minas, colocando o Pajero em inclinações laterais surreais de 35 graus - suporta até 45 graus. Também enfiamos o veículo nas caixas de ovo (buracos profundos alternados), o que só confirmou o que se espera de um Pajero.

O que mudou é que esse Pajero Sport está algo mais amigável para o uso no dia a dia no asfalto. A tal ponto que chega da Tailândia em versão única por R$ 265.990, mais caro que o Pajero Full, até então o topo de toda a linha da Mit no país, que custa R$ 237 mil na configuração diesel quatro portas.

Luzes diurnas de leds e cromados na frente - Fernando Miragaya

No asfalto, a percepção de desempenho é outra. O motor tem respostas mais lentas e graduais. Você pisa e o Pajero Sport parece um Jumbo pesadão saindo do chão. Nesta situação, o SUV é mais utilitário do que esporte mesmo. A boa é que aquela transmissão automática que melhorou a performance lameira, também ajuda no conforto na cidade, com trocas e rodar suaves.

O tratamento no conjunto como um todo também prioriza o conforto. O nível de vibração é bem mais baixo que na geração anterior. A suspensão independente traseira, com três braços e barra estabilizadora, em nada lembra o SUV desengonçado do passado. Mas é um veículo em cima de picape, e em quebra-molas e buracos, os passageiros de trás ainda sentem os solavancos.

Sistema de tração versátil e robusto é um dos destaques do Pajero Sport - Fernando Miragaya

Mesmo assim, e com uso de aços de ultra resistência na arquitetura, o Pajero é um veículo para se trafegar sem exageros no 'on road'. Em curvas mais fechadas a carroceria ainda torce bastante. E acima dos 100 km/h a direção começa a ficar meio anestesiada.

O modelo justifica ser o mais caro Mitsubishi do país por ter incorporado uma penca de itens de série avançados, inclusive de condução semi-autônoma. O principal é o controle de cruzeiro adaptativo, que freia e acelera o carro sozinho conforme os veículos à frente, e também o sistema de frenagem automática, que tenta parar o SUV ao perceber uma iminente colisão. Preste atenção na capa transparente sobre a logo dianteira com três diamantes da marca, lá na grade frontal: ali está o radar principal para tais dispositivos.

O logo frontal esconde os sensores que atuam com os sistemas semi-autônomos do SUV - Fernando Miragaya

Vem ainda com sensor de ponto cego com alertas sonoros e visuais de veículos fora do campo de visão do motorista, e controle eletrônico de descida, que segura o jipão em declives íngremes e o faz descer aos poucos, atuando em conjunto com o ABS dos freios.

Outro item bacana é o Sistema de Prevenção de Aceleração Involuntária. Você já deve ter visto algum vídeo de um carro cujo motorista achou que tinha engatado a ré e meteu o pé no acelerador, invadindo um restaurante ou batendo no muro com força. Esse dispositivo monitora o ambiente ao redor e reduz a potência do motor em acelerações bruscas para evitar que você vá parar no YouTube.

Bancos são confortáveis, acabamento melhorou, mas assoalho elevado ainda cansa - Divulgação

Completam o pacote a nova central multimídia com tela de 7” e espelhamento de celular, câmera de ré, tomada de três pinos no console central, regulagens elétricas do banco do motorista, lavador de faróis e freio de estacionamento eletrônico. Deve uma chave presencial - a partida é na ignição e “a la Porsche”, à esquerda do volante.

O conforto melhorou, mas a proposta fora de estrada ainda significa assoalho alto e joelhos dos ocupantes bastante articulados. Apesar da espessura e formato extremamente confortáveis dos bancos, essa posição cansou no longo trecho de avaliação.

Modelo chegam em versão única da Tailândia por R$ 265.990 - Fernando Miragaya

Já o ar-condicionado automático tem 10 saídas, sendo as traseiras no teto para otimizar o resfriamento. Inclusive lá na terceira fila. Sim, o Pajero Sport é para sete, mas só coloque nos banquinhos extras pessoas que você odeie muito. O sujeito com 1,70 m de altura vai ficar quase numa posição de emergência de avião, além do acesso pelo banco da segunda fila ser ruim.

Pior mesmo só o desenho traseiro do SUV, que parece uma mescla esquisita de estilos. Nas luzes verticais que margeiam o vidro traseiro, é como se lanternas da Volvo e dos antigos Citroën C5 e C6 estivessem em guerra. Para piorar, a asa do conjunto que invade as laterais faz com que o Pajero Sport pareça estar com lordose lombar. Esse 'design' transforma a janela traseira numa escotilha de visão ruim para o motorista.

A Mit quer vender umas 250 unidades do Pajero Sport por mês. E aqui no Brasil quer mirar em dois modelos específicos. O Chevrolet Trailblazer 2.8 turbodiesel, que começa em R$ 231.990, e o Toyota SW4, também 2.8 turbodiesel, que chega a R$ 259.560 na configuração sete lugares. Nenhum deles tem esses equipamentos mais modernos. Nem a essência 'off road' da qual o Pajero não abriu mão.

Pajero Sport quer brigar com Trailblazer e Hilux SW4 - Fernando Miragaya

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