Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) Reprodução/ redes sociais

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comparou o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o do também ex-presidente Fernando Collor de Mello para criticar a transferência do pai para a Papudinha. A medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nesta quinta-feira (15).
Nas redes sociais, o filho do ex-chefe do Executivo defendeu que o pai cumpra pena em regime domiciliar, assim como ocorreu com Collor desde o ano passado. Bolsonaro cumpre a pena de 27 anos e três meses por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
"A todo custo, Moraes quer que ele (Bolsonaro) não tenha influência nas eleições deste ano. Esse é o motivo real, o motivo político pelo qual Moraes não cede em enviar Bolsonaro para uma prisão domiciliar", disse.
"O que já seria injusto por si só, em virtude de outros casos muito mais leves (de saúde que Bolsonaro), como o do ex-presidente Fernando Collor estar em prisão domiciliar, por decisão de Moraes, por ter apneia do sono", acrescentou.
A defesa de Bolsonaro entrou com um novo pedido de concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente. O requerimento lembra que Moraes concedeu prisão domiciliar a Collor, alegando situação similar envolvendo comorbidades e necessidade de tratamento permanente.
Collor está em prisão domiciliar desde maio de 2025, após ser condenado pelo STF a oito anos e seis meses em um processo da Operação Lava-Jato. O ex-presidente cumpre a pena em uma cobertura na orla de Maceió, capital de Alagoas.
O ministro autorizou a mudança de regime após a defesa comprovar, com mais de 130 exames, que Collor tem Parkinson desde 2019 e sofre de outras comorbidades, como privação crônica de sono e transtorno bipolar. Além de usar tornozeleira eletrônica e ter restrições de visitação, ele também teve passaportes apreendidos e está proibido de deixar o país.
Transferência para a Papudinha
Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF) no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha. No novo local, ele está em uma sala de Estado-Maior com 54,7 metros quadrados, além de uma área externa de 10 metros quadrados — espaço cerca de cinco vezes maior do que a cela de aproximadamente 12 m² onde estava na PF.
Segundo o STF, a sala comporta até quatro pessoas, mas será utilizada exclusivamente por Bolsonaro. A estrutura inclui quarto e banheiro, além de sala, cozinha e lavanderia. O ambiente é equipado com geladeira, chuveiro com água quente, armários, cama de casal e televisão.

O banho de sol ocorre na área externa da própria cela, com privacidade e sem controle de horário, o que permite a prática de exercícios físicos. Enquanto estiver no 19º BPM, o ex-presidente terá direito a cinco refeições diárias — café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia — com possibilidade de ajustes no cardápio em razão de dieta especial.

A unidade dispõe ainda de posto de saúde com dois médicos clínicos, três enfermeiros, dois dentistas, um assistente social, dois psicólogos, um fisioterapeuta, três técnicos de enfermagem, um psiquiatra e um farmacêutico. O complexo fica a pouco mais de 8 quilômetros da UPA de São Sebastião e a cerca de 16 quilômetros de hospitais particulares.

O Núcleo de Custódia da Polícia Militar (NCPM), onde está a Papudinha, é destinado a militares estaduais com vínculo com a corporação, presos militares que aguardam eventual condenação e civis com direito à Sala de Estado-Maior, conforme previsto em lei. O prédio tem capacidade para 60 internos e, até o início de novembro, abrigava 52 pessoas.

O batalhão conta com oito alojamentos coletivos, todos reformados em 2020, segundo a PMDF. As celas são ventiladas e passam por higienização diária. Os internos podem receber itens de higiene, limpeza, enxoval e roupas definidos pela administração penitenciária, além de ter acesso a televisores e ventiladores, conforme o regramento da unidade.

Os detentos têm direito a visitas duas vezes por semana, com calendário único para a Papudinha, e a visita íntima segue as regras da execução penal. A unidade também oferece área de esportes e pista de caminhada exclusiva para os internos.
De acordo com a Polícia Militar (PM), há atendimento médico periódico, possibilidade de remição de pena por leitura e trabalho, além de atuação diária da Capelania da PM e do Corpo de Bombeiros. A corporação afirma que o tratamento é humanizado e preserva a integridade física, moral e psicológica dos custodiados.