Fiscalização acabou com mais de 10 festas  - Sabrina Sá
Fiscalização acabou com mais de 10 festas Sabrina Sá
Por Renata Cristiane
O Carnaval em Cabo Frio foi marcado por ações ostensivas de repressão a aglomerações nas ruas. A cidade contou com 100% do efetivo municipal na rua realizando ações de ordenamento, fiscalização e combate a aglomerações. Até o último balanço, mais de 50 comércios, como bares, restaurantes, casas noturnas e similares foram notificados sob as infrações de horário de funcionamento indevido, poluição sonora, aglomerações e uso indevido de espaço público.

Três casas particulares foram notificadas por realização de festas clandestinas com venda de ingressos. Todos os eventos ilegais foram interrompidos, os proprietários dos imóveis serão notificados e multados em caso de reincidência.

Na madrugada de segunda, a Ronda Ostensiva Municipal (Romu) precisou ser acionada para dispersar aglomeração na orla da Praia do Forte. A ação teve até agentes do município e da polícia jogando bomba de efeito moral nos presentes. Apesar de uma parcela da população ter achado truculenta a ação da polícia para dispersar a população, muita gente elogiou o ato.

O prefeito José Bonifácio (PDT), disse com exclusividade ao O Dia, que as situações do fim de semana causaram estranheza. Mas fez questão de dizer que é uma crítica construtiva.

"Não abro mão da presença da Polícia Militar. No réveillon recebemos viaturas e policiais militares de vários municípios para reforçar nossa segurança. Eles se posicionaram em pontos estratégicos da cidade, orlas, centro da cidade e outros locais, dando mais tranquilidade à população. No Carnaval, ao invés de virem com o mesmo esquema, fomos surpreendidos com uma presença ostensiva. Eu passei pelo Malibu à noite (no fim de semana) e percebi várias viaturas do batalhão de choque, que é muito utilizado em confronto com o tráfico de drogas, por exemplo. Achei estranho várias viaturas paradas com os pneus traseiros em cima da calçadas da orla e na parte da pista que estava interditada para veículos. E aí no dia seguinte recebi as imagens dessa operação, o que acabou tendo repercussão negativa para a cidade. Não sei como tudo aquilo começou, mas manifestei minha estranheza, principalmente em relação à mudança desse esquema de segurança (que colocou tropa de choque). Foi uma crítica construtiva", ponderou Zé Bonifácio.

Para o feriado da Semana Santa, o prefeito de Cabo Frio disse que quer conversar com o comandante do 25º BPM, coronel Rodrigo Ibiapina para saber se a segurança poderá ser feita como foi no feriadão de Ano Novo. "Cabo Frio não precisa de batalhão de choque, pelo menos nesse tipo de ordenamento. Nessa correria de dispersão, como aconteceu nesse Carnaval, pode acontecer coisa pior", ponderou Zé.

O grupamento marítimo e ambiental fiscalizou embarcações de passeio, os responsáveis foram advertidos no Boulevard Canal. Os agentes também atuaram nas praias da cidade, orientando banhistas sobre prática esportiva em locais proibidos e permanência indevida de animais na faixa de areia.

A fiscalização municipal apreendeu ainda material sem licença para comercialização, coibiu a atuação de flanelinhas na Praia do Forte, assim como o funcionamento indevido de barracas. A ação resultou em multa e uma suspensão da licença de funcionamento.

Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Juarez Lopes, além da falta de consciência de muitos moradores e turistas, a mudança no perfil de ocupação da cidade durante feriado e alta temporada colaborou para aumentar a dificuldade em coibir esse tipo de problema como a aglomeração em tempos de pandemia. "Não tem muita gente na rua, mas as praias estão lotadas, os bares lotados. Mudou o perfil do ocupante", pontuou.

E acrescentou: "Uma cidade com um estrutura operacional capenga para 200 mil habitantes ter que enfrentar 600 mil é difícil. É a mesma coisa que um xerife ter que enfrentar 15 pistoleiros com armas maiores que a dele", comparou Lopes, que monitorou a movimentação do período de Carnaval todos os dias.

Além das ações de dispersão na Praia do Forte ocorridas nos últimos dias, os agentes também encontraram dificuldades nos circuitos de bares e gastronomia, pois mesmo com avisos e notificações bastavam os fiscais virarem as costas para tudo acontecer novamente.

"Atuamos muito, foi doideira. Na Passagem mesmo, um bar que a gente já tinha notificado na sexta-feira por causa da aglomeração, fechou e continuou vendendo bebida pela grade. Naquele dia a polícia chegou e usou até spray de pimenta para conseguir dispersar", contou o secretário.

"A gente atuou naquilo que a gente viu. Nosso disque-denúncia não parou de tocar. Essa questão da poluição sonora e da aglomeração é uma epidemia, não só em Cabo Frio, em todo lugar está acontecendo isso, como as festas clandestinas. Virou uma febre isso", lamentou Juarez Lopes.

A atuação das equipes municipais, em parceria com a Polícia Militar, segue até o término do feriado. O balanço geral da atuação em todo o município será divulgado nesta quinta-feira (18).