Arte coluna Bispo 26 junhoArte Paulo Márcio

No imaginário popular, quando pensamos em uma pessoa forte, logo às memórias da infância nos arremetem aos super-heróis.
Na vida, entendemos que uma pessoa é forte quando enfrenta de cabeça erguida as dificuldades, não se desequilibra e mantém-se firme mesmo quando todos desabam.
Em razão disso, na maioria das vezes, assumimos lugares que os interesses dos outros nos colocam. E acabamos nos convencendo de que somos aquilo que os outros querem que a gente seja. Faz bem ao nosso ego. Porém, aos poucos, vamos nos perdendo de quem somos de verdade, passamos a viver o desejo dos outros.

Ter alguém que é forte para dar conta de tudo, que se responsabiliza pelo bem-estar de todos e assume o lugar de cuidador na família, é muito cômodo. O que não percebemos é que enchemos nosso ego; almejando ser imprescindível naquele contexto, sem nos dar conta de que podemos ser apenas "massa de manobra", para que outros não precisem se esforçar.

O considerado forte, geralmente é sobrecarregado pelas demandas dos outros, pois, para se manter nessa posição, ele não sabe selecionar as batalhas. Se ele não fizer, quem fará? Ele mesmo chama a si a responsabilidade.

Há ainda àqueles que desenvolvem a chamada “síndrome do super-herói”, que é uma condição emocional caracterizada por uma necessidade intensa de ajudar, salvar ou cuidar dos outros. Essas pessoas não medem esforços, chegando facilmente a um nível patológico de entrega, pois em nome dessa “bondade” não vivem a própria vida. É uma espécie de fuga da própria existência.

Preste atenção nesse lugar de "forte" que você ostenta porque todos dizem que você é! Tem muita gente que se aproveita, mas só fazem isso porque seu ego é acariciado, portanto você permite.
"A verdade é que colecionamos momentos em que tomamos decisões para agradar outras pessoas. E, no final, teremos que fazer o balanço dessas escolhas.” Essa afirmação da médica e escritora Ana Cláudia Quintana Arantes, se refere ao que ocorre no final da vida daqueles que não se importaram em agradar a si mesmos, mas basearam suas escolhas no desejo dos outros.

O que o motiva a ser forte e ocupar esse lugar na vida das pessoas? É por amor ou é para você se sentir bem? Foi você quem escolheu ou você ocupa para não desapontar alguém?
Vale lembrar que apenas o amor recompensa: “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria”, 1Co 13.3.

Pelo amor, somos renovados, pelo ego vivemos desgastados e frustrados. Pense nisto.

Deus abençoe a tua semana