Macacos não transmitem febre amarela. Por medo da doença, animais estão sendo mortos.  - Reprodução internet
Macacos não transmitem febre amarela. Por medo da doença, animais estão sendo mortos. Reprodução internet
Por MARIA INEZ MAGALHÃES

Nesta manhã de quarta, dia 21, a Vigilância Sanitária lançou a campanha “O macaco não é só vítima, mas um grande aliado no combate à febre amarela”, para conscientizar a população carioca sobre o perigo que a cidade corre se a matança dos macacos continuar. O evento foi no Parque da Catacumba, na Lagoa. Veterinários estão no local orientando visitantes e moradores do entorno sobre o comportamento dos primatas e a importância de não agredi-los.

É que os macacos estão sendo mortos por medo da doença, no entanto, eles não são os transmissores da febre amarela, que é transmitida por mosquitos. Os primatas funcionam como um alerta para o problema. Um macaco encontrado morto pode significar que na área onde estava tenha o mosquito responsável pela doença. Isso pode evitar a disseminação da doença e facilitar a elaboração de medidas de controle e prevenção, como a vacinação e o combate ao vetor.

Cerca de 70% dos macacos encontrados mortos no Estado do Rio têm sinais de espancamento ou de envenenamento - DIVULGAÇÃO

Segundo a Vigilância Sanitária, já são 170 primatas encontrados mortos no município e 325 em todo o estado, sendo 53,5% vítimas de agressão humana, como espancamento e envenenamento. O número já ultrapassa a metade de todo o ano passado, quando foram encontrados 602 animais mortos, sendo 41% vítimas de agressão. Por meio desse monitoramento, realizado pelas equipes de zoonoses da Vigilância Sanitária, o vírus ainda não entrou no município. Mas se a matança de primatas continuar, não haverá animais para serem monitorados, o que aumenta o risco de entrada do vírus no Rio.

 

Matar animais é crime ambiental

Matar animais é crime ambiental previsto em lei com pena de prisão e multa. Além de alertar sobre a matança dos animais, a campanha também orienta sobre a importância de não tocar em primatas encontrados mortos e acionar, imediatamente, os técnicos da área de zoonoses do órgão, por meio da central de atendimento 1746, para recolhê-los e evitar a contaminação de doenças virais que pode acontecer mesmo com o animal sem vida.

A campanha conta com placas, cartazes e folhetos para serem distribuídos à população e afixados em parques e trilhas da cidade, orientando a não matar os animais e nem tocá-los, bem como informativo com orientações para profissionais que trabalham nesses locais.

Primatas não humanos frequentemente morrem por causas diversas, como traumas, doenças infecciosas e parasitárias. Mas a febre amarela é hoje o grande desafio para a saúde pública e essas ações do órgão, com a finalidade de detectar precocemente a circulação viral, enquanto apenas animais silvestres são acometidos, previnem que chegue aos seres humanos.

 

Sobe o número de casos de febre amarela no estado

Subiu para 77 o número de casos de febre amarela silvestre em humanos registrados no estado do Rio de Janeiro desde janeiro deste ano, com 34 óbitos. Os dados foram divulgados nesta terça pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Foi confirmada a presença do vírus da febre amarela em macacos encontrados nas cidades de Niterói, Angra dos Reis (na Ilha Grande), Barra Mansa, Valença, Miguel Pereira, Volta Redonda, Duas Barras, Paraty, Engenheiro Paulo de Frontin e Araruama.

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