Mudança de comportamento na pandemia

Com os humanos em casa por mais tempo e o convívio intenso, o comportamento dos animais sofreu alterações

Por O Dia

O cachorrinho Mike teve o comportamento alterado durante a pandemia
O cachorrinho Mike teve o comportamento alterado durante a pandemia -
Assim como os tutores, os bichinhos de estimação foram afetados com a mudança abrupta de rotina, em decorrência das medidas restritivas para frear o avanço da covid-19. Com os humanos em casa por mais tempo e o convívio intenso, o comportamento dos animais mudou. Esse é o caso do yorkshire Mike, de 9 anos, que exige com latidos insistentes que seu dono, Jorge Moura, faça carinhos durante o seu jantar.
"O Mike passou a ficar estranho depois que comecei a ficar mais tempo em casa, por conta da quarentena. Ele exige a minha presença ao lado do recipiente da ração, para vê-lo comendo no horário da janta. No almoço, colocamos a comida e ele almoça numa boa. Mas na hora da ração, ele faz questão da minha presença. Então ele fica latindo e se eu não levantar da cama e ir pro lado dele, o Mike não janta", explica Jorge.
O veterinário Mauricio Dias, do Hospital Popular de Medicina Veterinária, explica que a mudança de comportamento varia conforme a espécie, humor do bichinho e estilo de vida da família. "Há cães que vão ficar mais felizes porque a família está mais próxima, e isso faz com que fiquem mais tranquilos e entusiasmados, mas outros cães já preferem mais sossego. E ainda tem os que eram mais ativos, viviam na rua e hoje estão mais estressados, com comportamento inadequado dentro de casa, porque estão com excesso de energia".
"Os gatos também sentiram a presença da família em casa, porque eles gostam de sossego e de dormir bastante durante o dia, então pode ser estressante o movimento constante nos locais onde eles costumavam descansar. Mas tem as exceções dos gatos que gostam da presença do tutor e curtem estar mais perto", explica. 
O especialista dá dicas de como tirar o seu bichinho do tédio durante o isolamento: "Os animais precisam encontrar no seu lar um estímulo, com brincadeiras e enriquecimento ambiental, por exemplo, que é colocar os petiscos escondidos".   

Lavínia e seus lindos olhos azuis

Lavínia, a gatinha da família Matheus - Arquivo pessoal

Por trás do porte elegante e os belos olhos azuis, herança do papai siamês, Lavínia adora uma brincadeira, segundo Vitor, de 20 anos, que batizou a irmã felina, adotada ainda bebê, há um ano. "Eu e meu pai brincamos bastante com ela", diz. Mas a gata é imprevisível: "Em determinado momento, Lavínia está bastante quieta; em outro, dispara pela casa feito uma bala, fora os saltos. Gosta muito de correr, se esconder e ficar alerta, pra pular e dar susto na gente", conta o rapaz, rindo.

Doenças do frio que atingem cães e gatos

Cuidado com doençs de inverno nos bichinhos - Shutterstock

Não são só os humanos que sofrem com a queda das temperaturas. Cães e gatos também podem adoecer nesta época. Por isso, a saúde dos bichinhos merece atenção especial do tutor nesse período. De acordo com o veterinário Pedro Teles, o frio pode conduzir à diminuição das barreiras de defesa, seja por perda da integridade da pele, por desnutrição ou ate desidratação. As principais doenças que surgem são relacionadas aos sistemas respiratório, cutâneo e articular.

Maltratou? Vai levar multa!

Animais dométsicos: maus tratos vai gerar multa - Blanka Satranová/Pinterest

Na cidade do Rio, quem maltratar animal doméstico - como gato, cachorro e cavalo, entre outros - será multado. Os valores variam entre entre R$ 500 e R$ 40 mil. Denúncias podem ser feitas pela Central de Atendimento 1746, aplicativo móvel ou pelo portal www.1746.rio. A central funciona todos os dias.

Leishmaniose nos pets requer atenção durante pandemia

Perigos da Leishmaniose nos cães - Divulgação/Hopspital Veterinário Santa Inês
Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das mais perigosas doenças tropicais, a leishmaniose não ataca só os seres humanos. Nossos pets também podem ser afetados, e requerem atenção para essa enfermidade.

De acordo com a médica veterinária Adriana Maria Lopes Vieira, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo, esta época é propícia ao aumento de casos e, com a atual pandemia do novo coronavírus, há chance de se propagar mais facilmente.

“Especialmente nas regiões endêmicas, com alto índice de transmissão, as pessoas têm que seguir com os cuidados e orientações das autoridades de saúde”, afirma Adriana, que diz que as pessoas estão esquecendo da doença.

Os pets contraem a leishmaniose por meio da picada de um mosquito-palha infectado pelo protozoário da espécie Leishmania. "O cão positivo para a doença serve de reservatório para o vetor, o que aumenta o risco de transmissão para os humanos e outros cães. É importante ressaltar que o animal não transmite a doença diretamente para o tutor", explica Priscila Brabec, médica veterinária da Ceva Saúde Animal.

A doença age silenciosamente no organismo dos animais, e por isso, mesmo infectados, os cães podem demorar anos para apresentar sinais clínicos. Entre os mais comuns estão: lesões de pele, emagrecimento, anemia, crescimento anormal das unhas, insuficiência renal e alterações oculares. Além das manifestações visíveis, a doença pode gerar uma série de complicações e dependendo da evolução do quadro clínico, levar o animal ao óbito.

Como não tem cura parasitológica, tanto para os pets, como para os humanos, a prevenção é a maneira mais eficaz de conter os avanços da doença. “Evitar que o vetor infecte os cães continua sendo a melhor forma de controle da leishmaniose, por isso, os animais precisam estar protegidos”, afirma Priscila.

Cuidados recomendados
Coleiras repelentes são eficientes para a não contaminação pela zoonose. A deltametrina é o elemento químico recomendado pela Organização Mundial da Saúde para impedir o contato dos animais com o mosquito transmissor.
Barreiras físicas, como o revestimento de janelas e portas de canis ou viveiros com redes e telas, também são efetivas na prevenção. Como o inseto se alimenta no período noturno, em regiões quentes e com incidência de leishmaniose é recomendável manter os animais abrigados após o fim de tarde.
Limpeza e higiene são as melhores medidas de prevenção contra a leishmaniose. Como o mosquito-palha se reproduz em locais com matéria orgânica, é preciso manter quintais limpos e evitar o acúmulo de lixo e água parada.
Inseticidas podem ser aplicados nas paredes de domicílios e abrigos de animais. No entanto, a indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos ou em surto de leishmaniose visceral.
Exames periódicos e consultas regulares ao médico veterinário podem identificar a doença com maior agilidade.
Além das medidas protetivas para os pets é preciso investir em estratégias para mitigar o desenvolvimento do vetor. “O vetor se reproduz em matéria orgânica, como restos de folhas e frutas no chão, fezes, entre outras. Por isso, não deixar acumular esse tipo de material e higienizar corretamente os ambientes é essencial para evitar a reprodução do vetor transmissor”, finaliza Priscila.

Gato beberrão: mau sinal

Se o seu bichano começou a beber mais água que
o de costume, fique atento: esse pode ser o sinal de que ele não está bem. O gatinho pode estar com doença renal, diabetes ou até mesmo com alteração nas glândulas tireóides. 

Os Indefesos

A ONG Indefesos avisa: as adoções, que normalmente aconteciam na Barra, por enquanto são feitas on-line. Quer conhecer seu próximo amigão? Entre no Instagram @osindefesos ou na página de mesmo nome, no Facebook.

Roupinhas para eles

Roupinhas pra cães - Reprodução Pinterest

As roupinhas são recomendáveis para os bichos: nem sempre a pele e os pelos são capazes de protegê-los o suficiente. Mas fique de olho no comportamento deles. Se o bichinho adora se abrigar debaixo de mantas ou outras cobertas quentinhas, esta deve ser a opção. Mas se o animal não parece sentir tanto a necessidade de algo externo para se proteger, ou se ele se incomodar com o acessório, melhor não forçar.

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