Você está na nuvem e eu, também

O telefone, fixo, o móvel e seus dispositivos que, atualmente, interligam os aparelhos à conversas entre duas ou mais pessoas, além de redes sociais, sociais?

Por O Dia

O telefone, fixo, o móvel e seus dispositivos que, atualmente, interligam os aparelhos a conversas entre duas ou mais pessoas, além de redes sociais, sociais? - é claro, a Internet - mostram a cada dia que passa que são vulneráveis e perigosas e se tornam faca de dois gumes. Tanto por hackers, tanto pelos "arapongas" ou mesmo com a temida "autorização da Justiça", fica fácil saber de tudo que se fala, ou se filma, nessa vida cercada de satélites e, digamos fofoqueiros da atualidade. E as pessoas continuam falando e mostrando o que devem e, na maioria da vezes, o que não devem. Dilma, Lula, Sarney, Queiroz, Temer, Dallagnol, Eduardo Cunha, Flávio Bolsonáro, e outros senadores, deputados, vereadores, prefeitos, gente do povo, você, seu vizinho e outros tantos, além dos e-mails das grandes empresas capturados pelo Lava Jato da vida estão aí, mostrando as intimidades, pecados, crimes e vaidades dos outros. Repararam que os paparazzos sumiram? Todos espionam todos! Será que tem espiões espiando os espiões? Creio que sim.

Lembro de equipamentos - sofisticados para a época - para escuta de conversas por telefones, outros com antenas tipo parabólicas para ouvir o que se falava a mais de 100 metros (muito usados por detetives particulares) no início dos anos 60. Eram mostrados em anúncios de jornais e revistas como "de última geração" e que atraíam clientes dos detetives de alcova, que buscavam provas de traições amorosas. Uns sacripantas. Espionagem militar, industrial, comercial, política, governamental ( Dilma, então presidente, foi espionada pelos americanos e o Obama chegou a enviar desculpas... lembram?) sempre foram de altíssimas qualidades. Até o Trump entrou nessa de ser "escutado". Até o falecido COAF, bisbilhotava - ainda bisbilhota com outro nome, Unidade de Inteligência Financeira - as contas dos clientes bancários e outras "transações". E os bandidos que postam fotos e vídeos nas chamadas redes sociais? E as pessoas que esbanjam riquezas nas mesmas redes? Tudo é espionado, escutado, grampeado, arquivado, fuçado, esmiuçado... e aproveitado.

Quantos casos de separação conjugal causada pelo (mal) uso do celular? Brigas, porradas e até mortes! Incrível. O tal do WhatsApp já fez muito estrago pela vida. Mas, muito antes, na década de 50, lembro do meu velho, o Antenor. Ele era um mulherengo de dar gosto. Certa vez, discou o número do telefone para nossa casa, e tão logo minha velha atendeu. Ele foi logo falando, sem dar tempo de verificar quem estava do outro lado da linha. Ligou errado. Pô, amigos, ele tentava ligar para a amante - hoje em dia a gente diz que é namorada - deu maior bode da história. Tudo porque o velho não deveria, nem tentar, falar "coisas" ao telefone.

Outro caso - chamo isso de acidente de trabalho - foi o de um detetive, famoso nos anos 60, que era chamado por um determinado jornal para atuar em vários casos de repercussão nacional. Um padre, que ficou badalado por abrigar em seus sermões de paróquia na Zona Sul, artistas, colunáveis ilustres desconhecidos, e etc e tal, foi assediado pela filha desse investigador. E a jovem acabou fugindo de casa. Kacetada! Deu uma encrenca danada. O caso saiu na imprensa. Mas, o investigador particular, com toda a parafernália eletrônica que usava, não achou a filha. Foi o próprio padre, que acabou crucificado, que entregou a jovem à família. E os jornais quase acabaram com a fama de perdigueiro do detetive. Ah, e ainda temos as câmeras de vigilância... e, pasmem, homessa, o tal do reconhecimento facial! Oh santos e santos. Chore ! (não sorria). Você está sendo vigiado. Se possível, até nas particulares (?) dos banheiros. E, ainda, tem a tal da nuvem - que pode se tornar uma tempestade, furacão ou desastre. Lembrem: você está na nuvem !Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Já faz muito tempo, amigas e amigos, bem mais de 50 anos, Tancredo Neves e Tenório Cavalcante, em várias ocasiões, durante entrevistas que consegui com eles ao longo da vida, sempre me alertavam : nada de importante se fala ao telefone. Só pessoalmente e, mesmo assim, no pé do ouvido!

 

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