D. Pedro e a quarentena

A quarentena, que voltou à moda com o coronavírus, pegou brasileiros desprevenidos

Por O Dia

A quarentena, que voltou à moda com o coronavírus, pegou brasileiros desprevenidos. Para a maioria, deveria ser algo em torno dos quarenta dias de isolamento total, mas logo descobriram que não era bem assim. E foi na Ilha Grande, aqui no Rio de Janeiro que, em 1896, foi inaugurado o Lazareto, nosso primeiro local de quarentena no Brasil - e na América do Sul. Uma obra espetacular, em estilo clássico, com um tudo de mais moderno que havia na época: vitrais franceses, escadarias de mármore carrara, celas com paredes de quase dois metros de espessura. Um mimo. Ideia de Dom Pedro II. O Imperador conheceu a Ilha Grande uns anos antes - ele foi de navio até a Costa Verde - acho que o Imperador foi dar uma espiadinha no fim do Caminho Real, em Angra dos Reis - e deu uma esticada até onde hoje é a Vila do Abraão. Achou o local ideal para construir o isolamento para viajantes e mandou construir o Lazareto. O prédio, com a parte administrativa em destaque no alto e enfermarias, mais abaixo. Chamava a atenção de quem navegava na Baía da Ilha Grande. No subsolo da edificação, celas para os doentes mais graves e com males contagiosos. Tudo em uma esquina, ou foz, de córrego onde encontra o mar, ao lado da Praia Preta.

Um aqueduto - ainda está lá - foi construído também e servia para trazer a água limpa para o Lazareto. Mas, as chamadas águas servidas (esgoto) eram lançadas ali pertinho, no mar, através do córrego.

Amigos, as instalações, porém, eram um luxo que atendia tripulantes e passageiros (até prisioneiros) que chegavam doentes da Europa e África com doenças da ocasião, tipo escorbuto, cólera e outros males que, principalmente,eram adquiridas durante as longas viagens. Até hoje as ruínas estão lá para quem quiser ver.

O Lazareto depois serviu também como quartel de fuzileiros navais e até mesmo como presídio comum. Eu conheci o que sobrou do prédio e das celas. Estive por lá, a primeira vez, no fim de 1945 e vi o que sobrou.

Muitos anos após, depois que muita gente saqueou o que podia, desde as telhas até os degraus e corrimão, além de espelhos e uns poucos móveis feitos de alvenaria, quando fui visitar meu velho, preso no Instituto Penal Cândido Mendes, recém-construído na Praia Dois Rios, do outro lado da Ilha Grande. O presidente Dutra mandou prender todos os envolvidos com a jogatina no país e viraram hóspedes oficiais do estado.

Quarentena, hoje em dia, depende do caso e da doença. A que estamos vendo nesses dias é a de 14 dias. Mas poderia ser de dez, de trinta ou mesmo de quarenta.

Agora, amigas e amigos, imaginem a turma de brasileiros que chegou da China, no fim de fevereiro, com suspeita de portarem o coronavírus, confinada na Ilha Grande... Aa autoridades sanitárias têm o bom senso de manter os suspeitos, e os doentes leves, com o vírus, confinados em suas casas. Lavem as mãos com água corrente - sem bacilos ou mesmo sem a geosmina - com sabão.

Evitem os beijinhos e os abraços carinhosos. Será que as "saliências" mais profundas devem ser evitadas? As pessoas que vivem do sexo estão com faturamento prejudicado? Lembrei do meu tempo no Exército. Quem adquirisse doença venérea ia para a cadeia. E quem trouxesse vírus da gripe? Ou de outras doenças? Oh dúvida cruel.

Bem, quando fui incorporado na tropa, em 1962, recebi um medicamento injetável - até hoje não sei qual - que, entre nós, os recrutas, era para os males de queda de avião. Quase esqueci de lembrar - esqueci de lembrar, é terrível - a China já mandou coisas melhores para o mundo: o macarrão.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia

Comentários