Pandemônio da pandemia

Afinal, quem se lembra da água contaminada da Cedae no início de 2020? Eu me lembro. Lembro que escrevi no dia 8 de fevereiro, quando comprávamos água mineral nos supermercados e biroscas da vida, reclamando da situação

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É. A pandemia é um pandemônio. Na vida e na alma de todos nós que atualmente habitamos o planeta Terra. Já pode até ter dado uma trégua lá na China, onde tudo começou, e na Europa, que tem registrado cada vez menos mortes. Mas aqui na América ainda sofremos com o novo coronavírus, que envelhece a cada dia, mas que não deixa de nos tirar o sossego.

O pandemônio da pandemia, por sinal, faz até com que a gente se esqueça dos problemas de outrora. Afinal, quem se lembra da água contaminada da Cedae no início de 2020? Eu me lembro. Lembro que escrevi no dia 8 de fevereiro, quando comprávamos água mineral nos supermercados e biroscas da vida, reclamando da situação:

"Desde janeiro que somente vejo poluição de geosmina e resíduos industriais e coliformes. A última - será a última? - é de detergente que jogaram na já poluída água do rio. Deu até polícia no caso da água que é enviada para a população consumir. Atentado? Sabotagem? Manobra para dificultar a venda da empresa que cuida da água? Isso me fez pensar em tentar achar saída para ajudar a resolver o problema do abastecimento. A Região Serrana é rica em nascentes. Mangaratiba, idem. Até mesmo temos um município, aqui pertinho, Cachoeiras de Macacu, cujo nome já diz tudo. O aquífero da Serra dos Pretos Forros pode ajudar e ainda temos nascentes no Alto da Boa Vista e Jacarepaguá", escrevi na ocasião.

Mas, aí, veio o novo coronavírus arrasando quarteirão. E bota quarteirão nisso. Arrasando os continentes, para ser mais preciso. Meu Deus! E, em tempos de isolamento, pois de quarentena já se passaram mais de 40 dias, vou recordando. Assim como a televisão reprisa novelas e grandes jogos, lembrei de uma outra crônica, esta escrita no finzinho do ano passado, em 28 de dezembro.

Nela, me recordava de um ano bom da vida: 1962. Quando exaltei nosso futebol e cinema. "Foi Nélson Rodrigues que, após se encantar com a exibição do jogador Amarildo, durante a Copa do Mundo de 1962, no Chile, lançou o adjetivo 'O Possesso'. Pelé, contundido, desfalcou a seleção brasileira. Ganhamos o bicampeonato com gols de Amarildo, Zito e Vavá, derrotando a seleção da Tchecoslováquia por 3 a 1, no Chile. Mas, amigos, um mês depois, João Goulart, então presidente da República, emplacou a lei que criou o 13º salário no país. Alegria geral na nação. Chiadeira, somente de alguns patrões. E não parou aí: o Santos Futebol Clube ganhou o campeonato mundial de futebol de clubes, da Fifa, dando um 'chocolate' no poderoso time do Benfica, pelo placar de 5 a 2, em Lisboa. Foi o primeiro time brasileiro a ganhar o campeonato mundial de clubes. Muita felicidade geral na nação. Quase que deixei passar em branco: fundada a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. E o 'Pagador de Promessas', filme de Anselmo Duarte (lembram dele?), ganhou a Palma de Ouro, em Cannes, na França. Eita ano dos bons. Eu era jovem, feliz e nem sabia".

De lembrança em lembrança, recordo ainda de outros tempos, vividos. Como fiz na crônica de 26 de outubro passado, relembrando personagens e fatos marcantes. "...bateu aquela nostalgia. Cadê a TV Rio? E, lá no Leme, onde andará - viva ou morta - a Lindaura, que nos servia o caldo verde no Beco da Fome? Pensei até no Ibrahim Sued, com seu caderninho na pérgola do Copacabana Palace. Soltei o freio e deixei a mente vagar. As musas que passaram pelo Copa, Gina Lolobrigida, Kinn Novak. A TV Tupi, na Urca, a Continental, em Laranjeiras, a Excelsior, em Ipanema. A Globo estava nascendo... Caramba, quase esqueci do Verão da Lata, do Pier de Ipanema, dos motéis da Barra, do bar do Osvaldo. O milésimo gol do Pelé, no Maraca transbordando de gente. As pernas tortas do Mané Garrincha...".

Fato é mesmo que o isolamento nos faz lembrar de tanta coisa que até me esqueço. Mas aviso: fiquem em casa até o pandemônio da pandemia passar.

 

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