A nível de... lambendo os beiços

Decidimos dar o grito da rebeldia e assinar compromisso de saborear e comemorar o Dia Internacional da Cerveja

Por O Dia

Tudo começou com aquele papo furado, passando pelas amenidades, falando da família, de esportes, das reuniões em torno da churrasqueira (de campanha), das comidas preferidas e das bebidinhas também - o Fred, o suíço, estava presente - até chegar ao ponto G: bolas - estávamos em videoconferência - quando, onde e como nos encontraremos? O porquê, não tem importância e nem queremos saber.

O Ibiapina, segundo declarou, estava de saco cheio com o 'home drink'. Ele mora em apartamento (um horror morar em apartamento). O Fred chegou ao ponto de preparar e assar pão em casa. Confessou, sem medo, que já havia esgotado as receitas culinárias de Aargau, lá do seu cantão na Suíça.

Eles dois já estão aposentados. Eu, pobre mortal, ainda trabalho. De preferência, quando o tempo permite, fico no quintal. Preso na minha caverna com wi-fi incerto, instável e pouco confiável, vou mandando pautas, notícias e a coluna semanal para ODIA. Tudo pelo zap. Já virei robô, sem GPS. Triste fim, sem os encontros no bar da esquina nas manhãs de sábado, com hora marcada para não dar motivo de reclamações das patroas.

Mas o isolamento-confinamento tá nos deixando velhos ranzinzas. Estamos (bem ou mal?) ainda acostumados com a liberdade (mesmo que vigiada) de ir e vir. Detalhe importante: Ibiapina é o 'caçula' do trio. Tem menos uns 5, 8, 9 ou 10 anos... Fred e Ibiapina são - eram - motoqueiros. Venderam as possantes e ficaram com os automóveis. Sim, eram como chamávamos os nossos veículos, de quatro rodas. Eu, depois de inúmeras quedas e colisões, vendi a minha motoneta em 1963.

Mas, ainda na videoconferência de ontem, depois de mais de 50 minutos de lero-Oi-lero, decidimos dar o grito da rebeldia e assinar (?) o compromisso de saborear, e deglutir, algo sólido e substancioso. Marcamos para hoje, ao cair da tarde, claro, de maneira presencial e regado a cerveja de barril. Com chuva, sol ou lua. Além de tudo, ontem, dia 7, foi comemorado mais um Dia Internacional da Cerveja.

Decidimos, também, que para enfrentar a fúria das caras metades respectivas, teríamos um motivo único e indiscutível: Fred e euzinho, completaremos em poucos dias (se a covid deixar) a idade do 'juízo' (lembrei que, no jogo de víspora, chama de "dois machados em um pau só"). Sacaram? Isso, 77, que horror! Então, passamos a elaborar o cardápio e a parte líquida do encontro explosivo.

Descartamos churrasco, peixada, bacalhoada, cozido à moda portuguesa, macarronada, cassoulet ou mesmo os tradicionais caldos. Ficaríamos no tira-gosto. O resto, (resto?), só líquidos gasosos ao gosto germânico ou dos antigos e espertos Faraós - Ibiapina é de Petrópolis e Fred, suíço, lembram?, eu sou apenas a minoria.

Tudo acertado, encomendamos os líquidos e sólidos e, hoje, ao entardecer, estaremos em algum lugar secreto desse imenso Brasil, longe do maldito vírus, dos curiosos, fofoqueiros e penetras indesejáveis. Não conto pra ninguém o "local do crime". Mas, amigas e amigos, vai ser de lamber os beiços, como diziam nossos avós!

PS: já temos acertado uma ambulância, com paramédicos, contratados para o plantão preventivo. Fizemos o juramento do silêncio. Ah, os testamentos foram feitos via internet, para alguma coisa mais séria. Afinal, temos juízo...(ou, ainda teremos). Caso sobrevivamos, contarei alguns poucos detalhes, outro dia. Se eu lembrar, é claro.

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