Guardiões de quem?

Palavra está na parada de sucesso após prefeito Marcelo Crivella usar 'capangas' para atrapalhar trabalho jornalístico e dificultar a livre informação garantida pela Constituição

Por O Dia

A palavra guardiões estourou na mídia e está na parada de sucesso, na boca do povo, nas discussões, em grupos de 'zap' e nos noticiários policiais e, claro, políticos. Em meio a vários significados, incluindo a designação de guarda-costas, ou chefes de certas comunidades religiosas, ou mesmo marinheiro de posto imediatamente inferior ao de contramestre, lembrei de casos bem da antiga que passaram pela história brasileira ao longo dos anos.

Desde a guarda pessoal do ex-presidente Getúlio Vargas até a claque que rodeia nosso burgomestre Marcelo Crivella. E tome sinônimos para a coisa. Por exemplo: leão de chácara, que vem a ser segurança e que já foi staff, equipe de apoio ou outro nome que cada caso exige ou lhe convém. Por falar nisso, alguém aí ouviu falar, ou mesmo lembra, do Coice de Mula? Esse foi um dos mais criativos e tristes apelidos, ou alcunha, que ouvi em minha curta carreira como jornalista.

Pois foi o apelido de um leão de chácara que matou o repórter Nestor Moreira com um surra, em 1954, mais precisamente no mês de maio, em Copacabana, nas dependências da delegacia policial do bairro. Ih, amigas e amigos, tem mais de seis meses...

Entre tapas e beijos, na nossa atualidade, sobre o caso dos guardiões do nosso burgomestre, são bem remunerados. Trabalham muito. Ao que tudo indica, as folgas semanais são raras para alguns deles. Mas, em tempo de pandemia, salários acima de R$ 2 mil valem o sacrifício. Já quando têm que enfrentar missões difíceis e perigosas, deveriam conseguir o "adicional de periculosidade". Será que eles conseguem?

Imaginem essas claques — vez por outra têm que bater palmas, gritar vivas ao alvo em questão —  encarando outros leões de chácara contratados para afugentá-los em embates mais violentos. Suponhamos que uma determinada emissora de televisão contratasse seguranças para as equipes de jornalistas. Só para enfrentar e ou afugentar as claques ou guardiões. Chegariam até a lutas corporais? Tiroteio? Confronto carnal (tecnicamente, mútua agressão)?

Mas entre tantos nomes para designar os seguranças e guardiões, passamos até pela milícia — que já foi denominada de polícia mineira nos anos 1950 e 1960, assim como os leões de chácara — ou guarda pessoal (usados pelos ditadores, Saddam, Kadafi, Getúlio, Maduro, pelos presidentes do Estados Unidos e o GSI, no Brasil), e empresários de multinacionais (e nacionais, também), os mafiosos, contraventores e traficantes.

Ih, lembram dos artistas, cantoras e cantores do tempo da Rádio Nacional? Também tinham equipes diversificadas. Umas cuidavam das badalações e fake news nos jornais e revistas — Cauby vai ser pai!, por exemplo — e outra cuidavam da segurança pessoal. Legal, né? Muito organização e competência. Até o Papa tem segurança, além da Guarda Suíça e os 'papamóveis' pelo mundo. Kacetada! Quase esqueci dos mercenários e capangas!

Vou bolar um plano para auxiliar nossos bravos policiais. Acho que eles merecem, também, ter seus guardiões, principalmente quando se metem em operações contra bandidos. Aliás, quem não merece? O nosso burgomestre e familiares têm policiais militares, cedidos pelo governo estadual, atuando como guarda-costas. Pouca gente sabe disso. Bem, da próxima vez que precisar procurar um nosocômio ou outro serviço médico aqui no Rio, primeiro terei que identificar um desses guardiões. Pelo que vi, até agora, eles ficam quase disfarçados em meio aos que tentam serviços nos hospitais.

Então, após me informar sobre o atendimento com esse agente secreto, entrarei na unidade de Saúde sabendo que serei atendido. Afinal, segundo a Prefeitura do Rio, os guardiões estão prontos a oferecer informações e ainda evitam que o povão seja mal informado sobre os serviços. Tô doidinho para ficar doente. Ah, de preferência, vou adoecer em um final de semana, quando a procura deve ser menor.

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