Recusa de Zé Gotinha ao não corresponder cumprimento de Bolsonaro chamou a atenção na cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19 - Isac Nóbrega/PR
Recusa de Zé Gotinha ao não corresponder cumprimento de Bolsonaro chamou a atenção na cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19Isac Nóbrega/PR
Por Luarlindo Ernesto
Vacina, ou não vacina? Obrigatória, ou não ? Uns, não sei o porquê, seguem o líder. Outros, também não sei o porquê, ficam em dúvida. E, outros mais, torcem pela seringada. Eu já comprei a seringa, a agulha, algodão e álcool. Ah, já arregacei a manga da camisa. Tô na fila imaginária para a espetadela salvadora.
O presidente destinou R $20 bilhões para comprar "todas as marcas". Mas, a presença de Gotinha, quebrou o negacionismo do chefe do Executivo. E, ainda descartou o aperto de mão do homem. Claro, é uma das medidas de higiene do momento. Isto me levou até à crendice da marmota. Conhecem o animal? Vou lembrar já já. Aguardem um pouquinho.
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Enquanto isso, o presidente quer abrir espaço para o turismo, no Tamoios - onde ele já foi multado, quando pescava com os filhos, em área de preservação ambiental - em Angra dos Reis. Será que ele lembra que, por lá, temos usina nuclear, quase moderna? Ah, e que, em caso de um acidente, o melhor plano de fuga é por mar? (planos de fuga, com direito a vários ensaios que não deram certo por terra).

Bem, vamos à marmota. Ela não habita nosso solo. É muito famosa na cidade de Punxsutawney, no estado de Pittsburgh, na América dos irmãos do Norte. Tem até uma data dedicada a ela: 2 de fevereiro. Segundo a lenda, quase verdade, a marmota prevê inverno mais longo. Ou, mais curto. Depende da ação da menina quando sai da toca nessa data.
Estão tentando alcançar a ligação com o Gotinha das Vacinas? Vou explicar. "Pra que tanta angústia e ansiedade?" É o seguinte, amigas e amigos: a marmota, para os norte-americanos, levou a população, principalmente a que depende da agricultura, acreditar no plantio na hora certa. Já fizeram até filme sobre a coisa por lá. E, no Dia da Marmota, equipes de jornalistas, de rádios, televisões e jornais, lotam a pequena cidade para documentar a primeira saída, na ocasião, das tocas. É, vale o que está aparecendo.
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Já por aqui, no Hemisfério Sul, país Brasil, a figura da Gotinha, criada para animar as crianças a tomarem a vacina contra a poliomielite, em 1980, possui vida própria e é usada até hoje nas campanhas da área de Saúde. A criançada identifica o personagem da Fiocruz, posa com a figura para fotos e vídeos, e usa o imaginário para as doses salvadoras.
Sem traumas, geralmente causados por medicamentos fornecidos por meio injetável. E foi a Gotinha que brilhou, e roubou a cena com o Bolsonaro. A Gotinha, além de ignorar o aperto de mão do presidente que não usava máscara, serviu para o chamamento à vida das nossas crianças. O melhor de tudo: a criançada, e os pais também, entenderam o alerta.
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Mas, e quanto assinar o termo de responsabilidade para quem encarar a vacina da Pfizer ? E, gente, tô na dúvida: será que vão pedir assinatura, termo de responsabilidade, para quem não tomar vacina alguma? Quanto ao santuário ecológico dos Tamoios, em Angra dos Reis, é outra novela. Melhor criar uma outra gotinha. Ou um ouriço, ou sardinha, lagosta, verde e amarela. Vamos votar?