O coronel Tarciso de Salles Junior assumiu a Secretaria de Estado de Defesa Civil e o Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar em 2024, onde ingressou em 1997. Comandou o Quartel da Gávea, a Diretoria Geral de Serviços Técnicos, a Corregedoria da corporação e a Diretoria de Assistência Social. Presidiu a Comissão Disciplinar Permanente da Corregedoria-Geral Unificada, da Secretaria de Segurança Pública, foi secretário de Proteção de Defesa Civil de Magé e corregedor-geral da Secretaria de Estado de Saúde.
SIDNEY: Muitos bombeiros estão requisitados em órgãos públicos. Não é incoerente uma instituição essencial ter tantos funcionários desviados de função e cedidos?
TARCISO SALLES: No universo de cerca de 13 mil bombeiros militares, 468 estão lotados em outros órgãos em funções de segurança institucional, no que diz respeito à segurança contra incêndio e pânico e Defesa Civil, segundo dados de 22 de janeiro deste ano. Estes militares estão lotados em funções estratégicas e de interesse da corporação, especialmente àquelas ligadas ao sistema de proteção, visando a preparação e a resiliência face aos desastres.
Os equipamentos dos bombeiros estão em boas condições de uso?
O Governo do Estado investiu mais de R$ 1 bilhão na Defesa Civil e no Corpo de Bombeiros Militar nos últimos anos, visando à modernização das viaturas e dos equipamentos, garantindo a excelência dos socorros, seja por terra, água ou ar. Contamos hoje com tecnologia de ponta, novas ambulâncias, caminhões de combate a incêndio, veículos de busca e salvamento, embarcações diversas, como motos-aquáticas, barcos infláveis, sonares de última geração, capazes de buscas subaquáticas em caso de afogamentos, inundações e alagamentos, drones com câmera térmica, megafone e farol de busca, além de ferramentas para atendimentos diversos e equipamentos de proteção individual para a segurança dos nossos militares. Estamos prontos para atuar na prevenção, na resposta rápida e eficaz de todos os tipos de emergências e desastres.
No verão, as praias ficam mais cheias. A corporação tem algum projeto específico para esta época?
O Estado do Rio é um dos principais destinos turísticos do mundo, especialmente no verão. Além do tradicional aumento do efetivo de guarda-vidas na areia, que começa em novembro, a corporação investe forte em inovação e tecnologia para garantir um mergulho seguro em toda a orla fluminense. Somos pioneiros na implantação do serviço de médicos nas motos-aquáticas, reduzindo de 50 a 80% o tempo-resposta a emergências envolvendo banhistas. A Operação Verão também conta com o reforço de drones novos, com megafone e farol de busca com precisão de 900 metros, e de 43 barcos infláveis de última geração, recentemente importados da Europa, leves, ágeis, resistentes e eficientes mesmo em dias de mares mais agitados. A nossa missão é salvar. A qualquer hora, em qualquer tempo, em qualquer mar.
Existe algum projeto de prevenção para os desastres causados pelas tempestades de verão?
O Estado do Rio está pronto para as chuvas de verão. Trabalhamos ininterruptamente, o ano todo, com investimentos robustos em tecnologia e capacitação, visando à prevenção e ao enfrentamento a tragédias. Fizemos o dever de casa: antecipamos os cenários de crise, realizamos reuniões, palestras e exercícios simulados para alinhamento de forças, apoiamos e instruímos as prefeituras, integramos o Comitê Permanente de Chuvas do Governo do Estado, que reúne as Secretarias e órgãos do estado, e lançamos o Plano de Contingências para chuvas intensas. Implementamos a Operação Pluvian, com reforço de 40% do efetivo para pronta resposta a ocorrências relacionadas às chuvas. Até abril, cerca de 1.500 bombeiros atuarão diariamente no Estado. O planejamento inclui 400 militares especializados em salvamento em desastres, distribuídos estrategicamente por todo o território fluminense. A prevenção é a melhor defesa.
O pagamento da taxa de incêndio é questionado pelo cidadão, que já paga tantos impostos. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
A Taxa de Incêndio é um investimento direto na segurança de todos os cidadãos. Os recursos são integralmente investidos nos serviços da Secretaria de Estado de Defesa Civil e no Corpo de Bombeiros do Rio para custear atividades de manutenção e aquisição de viaturas e equipamentos terrestres, aéreos e marítimos, melhoria das instalações operacionais, treinamento de pessoal, redução do risco de desastres, ações de proteção e defesa civil e outros serviços voltados à segurança contra incêndio e pânico. Cada centavo arrecadado retorna para a sociedade em forma de proteção e agilidade no combate a incêndios, no resgate de vítimas e em tantas outras missões que salvam vidas diariamente. Contribuir com a taxa é fortalecer a corporação e garantir que continue a cumprir sua missão de proteger a população e o patrimônio da sociedade.
O Corpo de Bombeiros tem ações sociais. Quais são elas?
Ao longo do ano, promovemos uma série de ações voltadas para a população. Em janeiro, acontece a maior e mais tradicional colônia de férias gratuita da América Latina. Desde janeiro de 1963, o Projeto Botinho ensina noções de prevenção a afogamentos e preservação da natureza a milhares de crianças e jovens. A ação é uma referência nacional e internacional na formação de cidadãos mais conscientes. Em julho, em comemoração pelo Dia do Bombeiro, realizamos a Semana de Prevenção, um ciclo de palestras, aberto ao público, que tem como objetivo a difusão de conhecimentos básicos para prevenção contra incêndio e pânico. Em novembro, temos o Dia Estadual de Redução de Riscos de Desastres, com palestras, fóruns, workshops e grandes simulados, visando à criação de uma cultura de prevenção na sociedade. A nossa população pode contar sempre com o Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro.