Marcelo Melo Jr - tv globodivulgação
Marcelo Melo Jrtv globodivulgação
Por Leonardo Rocha

As questões de segurança pública no Brasil dão o tom da série Arcanjo Renegado, que estreia amanhã, na Globo. Na linha de frente da operação, Marcello Melo Junior encara seu primeiro protagonista na pele de Mikhael, primeiro-sargento do Bope, que vive na corda bamba entre a responsabilidade da profissão e a vulnerabilidade como cidadão. Criado no Morro do Vidigal, na Zona Sul, o ator, que descobriu sua arte na comunidade, conhece de perto essa realidade. 

"Vamos mostrar um lado direcionado às características desse personagem como ser humano e, ao mesmo tempo, abordando esse cotidiano do brasileiro com a segurança pública", diz o galã, de 33 anos. "A gente tem que tocar nesses assuntos para que, quem sabe, nossos governantes tenham um olhar mais sensível para o lado humano. Fomos por um caminho mais crítico sobre como estamos em risco: seja o policial, o bandido e, principalmente, o morador de comunidade". 

Os dramas de Mikhael se distanciam da realidade solar de Marcello. Enquanto o sargento apresenta um jeito fechado ao tentar superar a morte do pai, um oficial morto em combate, o ator faz da poesia seu lugar de fala.

"É um ser distante de mim em muitos aspectos. Eu acabo sendo mais alegre e espontâneo. O ponto que temos em comum é a questão da segurança. Eu venho de uma comunidade e ele é um policial. Parece que tratam essas pessoas de forma superficial, como se fossem números. Quem deveria estar sendo julgado é quem está por trás disso tudo, que são os caras que vestem terno e gravata", avalia. 

Todo esse olhar sensível às questões sociais surgem da criação de Marcello por entre as vielas do Vidigal, motivo de orgulho para o ator. "Tive a oportunidade de vir de um lugar que tem essa humildade, essa esperança, de querer um mundo cheio de sonhos, mas acaba sendo negativado pela imagem que é passada da favela, como a gente é recebido violentamente, por ser o alvo da segurança publica", conta ele. 

As alegrias de ter crescido naquela localidade são muitas, segundo Marcello, e ele pode provar. "Ter conhecido minha arte, ter me criado dentro desse lugar me fez ter mais esperança, confiança em mim, sem ter que depender de um governo. Não tenho dores por ter crescido no Vidigal. Só me alegra poder ser essa representatividade pro meu povo", diz.

"A gente luta com garra"
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l Morador do Vidigal desde os 7 anos, Marcello Melo Junior pondera que os problemas existem em todas as classes sociais. "As dificuldades são para todos, mas a gente tem uma necessidade maior, porque a gente desce a ladeira e corre atrás, mas quando volta vê que o mínimo não nos é oferecido, que é educação e saneamento básico. Acho que a gente não perde a esperança e luta com garra, com força, com educação. O máximo que a gente tem passa para nossos filhos e a gente tenta fazer o melhor pela comunidade". 
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